Uma figura solitária

Da escuridão da morte para a Luz da vida

Texto base:

Mateus 4:15,16; Isaías 9:1,2

📖 15 “Terra de Zebulom e terra de Naftali, na direção do mar, do outro lado do rio Jordão, Galileia, onde moram os pagãos! 16 O povo que vive na escuridão verá uma forte luz! E a luz brilhará sobre os que vivem na região escura da morte!” (Mt.4:15,16 NTLH)

O texto de Mateus 4:15-16 faz uma citação profética de Isaías (9:1-2), aplicada ao ministério de Jesus na Galileia. O texto descreve uma região historicamente desvalorizada e habitada por muitos povos pagãos (não apenas Israel). A maioria dos habitantes da Galileia se encontrava em profunda escuridão espiritual (na ignorância, tanto os pensamentos como os caminhos de Deus) e, por isso, cheia de pecados, ou práticas imorais.

Esse foi o lugar onde Jesus, a Grande Luz divina, iniciou Seu ministério, trazendo o caminho para a salvação, o conhecimento e a vida, onde antes só havia ignorância de Deus, pecados e desespero. A promessa do Messias, segundo o profeta Isaías, cumpriu-se como a irradiação da esperança divina para a humanidade caída e afastada da graça divina.

Reflita. [1] De acordo com o texto, a que o texto de Mateus 4:15-16 faz uma citação profética e a quem essa citação é aplicada? [2] Por que a escolha de Jesus iniciar Seu ministério em uma região tão desvalorizada e marginalizada é um ato significativo e o que isso revela sobre a natureza de Sua missão? [3] Que conclusão podemos extrair sobre o contraste entre o estado anterior da região e a chegada de Jesus no que tange à esperança para a humanidade?

Minha proposta e introdução:

Apesar das nossas maiores dificuldades e das trevas espirituais que nos cercam, a Luz de Jesus Cristo já raiou para a humanidade e está disponível para nos guiar, capacitar e nos tirar da escuridão (da ignorância de Deus em meio às nossas crises e desafios), do pecado e do desespero por meio da nossa fé e da resposta ativa ao Seu chamado.

Reunidos neste lugar, há muitas pessoas de diferentes classes sociais com diversidade de histórias e lutas pessoais. Isso é um reflexo do nosso mundo: pessoas de todas as idades, com problemas diversos como: crises existenciais, financeiros, questões de saúde, desilusões familiares e a sensação de que estão caminhando para o fundo do poço. Quem aqui nunca se sentiu assim?

Quem aqui nunca se sentiu no fundo do poço? Quem nunca teve um momento de desespero, onde a esperança parecia ter morrido? Nesses momentos, a insegurança absorve a alma, escolhas precipitadas e decisões erradas são tomadas diante de uma sensação de perda, abandono, isolamento e medo.

Reflita. [1] Quais são alguns dos problemas diversos que as pessoas de todas as idades enfrentam e que levam à sensação de estar “caminhando para o fundo do poço”? [2] A sensação de estar “no fundo do poço” leva à insegurança, escolhas precipitadas e decisões erradas. Como a perda de esperança, descrita no texto, afeta a capacidade de uma pessoa de tomar decisões racionais e saudáveis em momentos de crise? [3] “Quem aqui nunca se sentiu no fundo do poço?” Que conclusão sobre a experiência humana universal podemos extrair da união desses dois pontos: a grande diversidade social e a experiência comum de desespero?

Sabemos que o profeta Isaías descreveu a terra da Galileia como um lugar marginalizado, habitado por um povo que vivia em “trevas” e na “região da sombra da morte” (Mt 4:16). E o que aconteceu ali? A GRANDE LUZ de Jesus raiou! Não em Roma, o centro do poder imperial. Não aconteceu em Jerusalém, o centro da adoração religiosa dos judeus. A “Luz” brilhou onde a necessidade e a escuridão eram maiores.

Isso nos diz que não importa a escuridão que você esteja vivendo ou qual seja a sua crise – seja ela espiritual, emocional ou física. O propósito de Deus é que a Sua Luz (Jesus) chegue exatamente no endereço correto de sua vida! O assunto que trataremos é este: a Luz de Jesus Cristo como a nossa Única e Suficiente Esperança em meio às trevas. Jesus é a “Luz” que guia e liberta a humanidade da escuridão da morte para a “Luz da Vida”.

Reflita. [1] Onde a “Grande Luz de Jesus” brilhou e por que a escolha desse lugar (em vez de Roma ou Jerusalém) é destacada? [2] A “Luz” de Jesus brilhou onde “a necessidade e a escuridão eram maiores”. Considerando a sua própria vida ou a de outras pessoas, como o reconhecimento da profundidade da crise (espiritual, emocional ou física) pode, paradoxalmente, tornar-se o ponto exato de onde a esperança e a intervenção divina (a “Luz”) se manifestam? [3] O texto estabelece um forte contraste entre a escuridão da Galileia (ignorância, morte, trevas) e a Luz de Jesus (salvação, conhecimento, vida). Que conclusão podemos extrair sobre o propósito de Deus ao fazer com que essa Luz chegue exatamente “no endereço correto de sua vida”, ou seja, na área de maior crise e desespero?

1. A Escuridão expressa a nossa necessidade de resgate para uma “Vida Plena”

A “escuridão” do nosso texto não é a ausência do Sol, mas ela representa a nossa condição espiritual e moral afastada de Deus. É a escuridão que nos leva ao pecado, que nos cega para enxergarmos a verdade. Ela é a escuridão da ignorância sobre Deus e Sua Palavra, que nos faz tomar decisões erradas. É a escuridão do desespero, que nos paralisa diante da adversidade. Essa escuridão impede de recebermos a capacidade divina para agirmos com bom discernimento em meio às nossas crises e desafios pessoais.

Deus, em Seu amor, estende essa Luz a todos, oferecendo-lhes os recursos da Sua graça, para que, por meio da Pessoa de Cristo, sejamos despertados a considerar o Seu chamado, Sua ajuda e Sua presença, respondendo espontaneamente com fé ou confiança. Mas, se não aceitarmos a Luz, a terrível e mortal escuridão persistirá. É um erro pensar que podemos viver na “região da sombra da morte” e não sofrermos as consequências dessa má escolha.

Reflita. [1] O que a “escuridão” representa e quais são três consequências dessa escuridão na vida das pessoas? [2] Conforme o texto, a escuridão é descrita como algo que nos paralisa e nos impede de recebermos a capacidade divina para agirmos com bom discernimento. Se Deus, em Seu amor, estende a Sua Luz e os recursos da Sua graça a todos, por que a escolha de não aceitar essa Luz é considerada um erro, e como essa recusa afeta a capacidade de discernimento da pessoa diante de suas crises? [3] Que conclusão podemos extrair sobre a urgência da resposta do ser humano ao chamado de Deus, considerando que a escuridão mencionada não é apenas uma ausência, mas um estado ativo de cegueira, ignorância e desespero?

📖 23 Vocês pensam que eu gosto de ver um homem mau morrer? —pergunta o SENHOR Deus. —Não! Eu gostaria mais de vê-lo arrepender-se e viver. 24 —Mas, se um homem correto deixar de fazer o bem e começar a fazer todas as coisas más e vergonhosas que os homens maus fazem, será que ele vai continuar a viver? Não! Nenhuma das boas ações que ele praticou será lembrada. Ele morrerá por causa da sua infidelidade e dos seus pecados. (Ez.18:23,24 NTLH)

Verdade para crermos: Deus não se alegra com a perdição de ninguém. Ele deseja a conversão de todos e oferece a oportunidade, a fim de que escolham a vida e se arrependam (i.e., que escolham a vontade de Deus e mudem a maneira de pensar). A vontade divina para salvar e ajudar a humanidade é universal, dependendo da nossa resposta livre.

Sua importância no dia a dia: não use seus problemas ou seu passado como desculpa para permanecer na escuridão. Deus está oferecendo uma saída agora. A sua vontade é o fator decisivo para sair da escuridão.

Reflita. [1] Qual é a vontade de Deus em relação à perdição e à conversão da humanidade e o que significa o ato de se arrepender? [2] Considerando a afirmação de que “a sua vontade é o fator decisivo para sair da escuridão,” como a liberdade de escolha do indivíduo se relaciona com a vontade universal de Deus e qual é o peso da responsabilidade pessoal nesse processo? [3] Você crê no conselho: “Não use seus problemas ou seu passado como desculpa para permanecer na escuridão. Deus está oferecendo uma saída agora.” Que conclusão podemos extrair sobre o poder do momento presente e a capacidade de Deus de intervir, independentemente das dificuldades e erros passados do indivíduo?

📖 19 E é assim que o julgamento é feito: Deus mandou a luz ao mundo, mas as pessoas preferiram a escuridão porque fazem o que é mau. 20 Pois todos os que fazem o mal odeiam a luz e fogem dela, para que ninguém veja as coisas más que eles fazem. 21 Mas os que vivem de acordo com a verdade procuram a luz, a fim de que possa ser visto claramente que as suas ações são feitas de acordo com a vontade de Deus. (Jo.3:19-21 NTLH)

Verdade para crermos: Jesus, a Palavra Viva, é a Luz que ilumina “todo homem” – sem exceção. Isso é a graça preveniente em ação (ação do favor divino para convencer o homem sobre a necessidade de responder ativamente a ela), dando a todos a capacidade moral e espiritual de responder ao Evangelho. A luz é universalmente oferecida, mas o homem precisa desejá-la.

Sua importância no dia a dia: você não é um caso perdido! A Luz já chegou até você, dando-lhe a capacidade de entender o Evangelho e de escolher a Cristo. Use essa capacidade! (vd. Pv.20:27; Ef.5:13; Jo.3:21)

Reflita. [1] Quem é a Luz que ilumina “todo homem” e o que essa iluminação representa em termos de graça preveniente? [2] Como a compreensão de que a capacidade de resposta já foi dada pela Luz de Cristo transforma a percepção que uma pessoa tem sobre sua própria condição e futuro? [3] Aprendemos que a Luz divina ilumina o indivíduo e lhe dá a capacidade de entender e escolher a Cristo. Que conclusão podemos extrair sobre a relação entre o dom universal da graça preveniente e a ação pessoal de fé ou escolha?

2. A Luz de Cristo expressa o chamado divino à ação firme e a termos esperança

A “luz que brilhou” não foi um piscar e isso representava um novo amanhecer – um novo dia ou um novo tempo. Jesus não só iluminou o caminho, mas Ele mesmo se revelou como o Caminho para Deus. Jesus, a “Luz para o mundo” (cf. Jo.8:12), traz salvação, libertação, resgate, direção, propósito e força para enfrentarmos as necessidades atuais e nossos desafios particulares.

A luz de Cristo nos consola (anima, conforta, fortalece), pois garante que não estamos sozinhos em nossas lutas. Ela nos instrui, corrigindo a nossa visão distorcida do mundo, de nós mesmos e de Deus. Ela nos motiva a agir, a caminhar para fora da escuridão da ignorância de Deus, das consequências do pecado e da inatividade espiritual, a fim de vivermos uma vida correta, dedicada a Ele e de confiança na viva esperança que d’Ele recebemos.

Reflita. [1] O fato de a “Luz ter brilhado” e não apenas “piscado”, representa o quê? [2] A luz de Cristo nos consola, instrui e motiva a agir. Dessas três funções, qual você considera a mais crucial para uma pessoa que está na “escuridão do desespero” (mencionado em textos anteriores) e como essa função específica a ajudaria a dar o primeiro passo para fora da inatividade espiritual? [3] Jesus é o Caminho e a Luz que traz salvação, libertação, direção e propósito, enquanto a luz de Cristo corrige a nossa visão distorcida. Que conclusão podemos extrair sobre a diferença entre conhecer o caminho e ter a visão corrigida, no contexto de viver uma vida de dedicação a Deus?

O salmista declarou: & A tua palavra é lâmpada para guiar os meus passos, é luz que ilumina o meu caminho. (Sl.119:105 NTLH)

Verdade para crermos: a Palavra de Deus (que aponta para Jesus, a Palavra viva) não é apenas uma luz distante, mas uma “lâmpada para nossos pés”. Ela capacita o nosso caminhar e nos dá a direção correta passo a passo (a nossa parte: firmeza e obediência), para que sejamos resgatados das trevas ou escuridão. (vd. Sl.23:4)

Sua importância no dia a dia: você está confuso sobre o presente e o futuro? Seu casamento está em crise? Pegue a Bíblia! Ela é a luz que Deus lhe deu para as suas decisões diárias. Sua fidelidade em ler e praticar a Palavra é o que mantém a Sua “Lâmpada” acesa.

Reflita. [1] Qual é a principal comparação utilizada para descrever a Palavra de Deus em relação ao nosso caminhar e o que ela capacita que seja feito “passo a passo”? [2] A Palavra de Deus é uma “lâmpada para nossos pés”, dando a direção correta “passo a passo” e a importância diária da fidelidade em ler e praticar a Palavra. Como essa obediência gradual e ativa (“passo a passo”) é um antídoto para a confusão sobre o presente e o futuro, que é mencionada no texto? [3] A Palavra é a luz para as decisões diárias e que a fidelidade em praticá-la é o que mantém a “Lâmpada” acesa. Que conclusão podemos extrair sobre a condição da luz e a responsabilidade humana no processo de resgate das trevas, considerando que a luz não é apenas dada, mas precisa ser mantida pelo indivíduo?

O apóstolo Paulo nos ensina: & “Antigamente vocês mesmos viviam na escuridão; mas, agora que pertencem ao Senhor, vocês estão na luz. Por isso vivam como pessoas que pertencem à luz.” (Ef.5:8 NTLH – cp. Mt.5:14)

Verdade para crermos: a mudança de condição (de trevas para luz) é um presente de Deus (agora que pertencem ao Senhor, vocês estão na luz), mas o versículo ordena uma ação contínua (vivam como pessoas que pertencem à luz). A perseverança (o andar) na fé (confiança e fidelidade) depende da nossa cooperação diária com o Espírito Santo e a Palavra de Deus. A sua vida deve ser a luz que motiva outros a saírem da escuridão. (vd. Mt.5:14-16)

Sua importância no dia a dia: se você está em Cristo, procure não agir como se estivesse nas trevas (mentindo, trapaceando e se afligindo). Sua vida deve ser um reflexo de Cristo, uma fonte de esperança e ânimo, tanto para si como para os outros.

Reflita. [1] Qual é a mudança de condição que é um “presente” de Deus e qual é a ação contínua que o versículo ordena aos que agora estão nessa condição? [2] A mudança de condição (de trevas para luz) é um presente, mas a perseverança (o andar) depende da nossa cooperação diária. Como a compreensão de que a salvação é um dom, mas o viver cristão é uma colaboração (“cooperação diária com o Espírito Santo e a Palavra de Deus”), motiva a responsabilidade do crente em vez de gerar passividade? [3] A vida do cristão deve ser um “reflexo de Cristo, uma fonte de esperança e ânimo”, tanto para si como para os outros, e conclui: “Sua vida deve ser a luz que motiva outros a saírem da escuridão.” Que conclusão podemos extrair sobre o propósito final de ter sido tirado das trevas para a luz, além do benefício pessoal?

Conclusão:

Voltando ao nosso texto: “O povo que vive na escuridão verá uma forte luz!”. O medo, a dor, o desespero, o pecado e a sombra da morte que nos cercam são reais, mas não eternos. No entanto, Jesus é a nossa realidade eterna! Nele está a nossa esperança viva e não na nossa capacidade de acender uma faísca, mas na “Grande Luz divina”, que é Jesus – a “Luz da Vida”, que nos resgata da escuridão da morte.

Nós não precisamos mais tatear ou tropeçar. O caminho é claro – está iluminado por Cristo. Basta que escolhamos olhar para Ele e dar o primeiro passo em Sua direção. Se estamos aflitos, busquemos a Luz de Cristo, pois Ele é a nossa paz. Se cometemos erros, que sejamos humildes e nos arrependamos, pois a Luz de Cristo nos traz o Seu perdão. Se desanimados estamos, animemo-nos na Luz de Cristo, pois Ele é a nossa força! Que a Grande Luz que brilhou na Galileia brilhe forte em nossas vidas hoje e para sempre!

Reflita. [1] Conforme o que leu, o que é real, mas não eterno, e o que é descrito como a “nossa realidade eterna” e a fonte de nossa esperança viva? [2] A nossa esperança viva não está em “nossa capacidade de acender uma faísca, mas na ‘Grande Luz divina’, que é Jesus.” Como essa distinção – entre a nossa limitação de criar uma faísca e a suficiência de Jesus como a Grande Luz – serve como consolo e encorajamento para alguém que se sente esgotado e sem forças para lutar contra a escuridão? [3] Segundo os parágrafos, várias ações (buscar a Luz, ser humilde e se arrepender, animar-se) para enfrentar aflição, erros e desânimo, todas ligadas ao poder que a Luz de Cristo oferece (paz, perdão, força). Que conclusão podemos extrair sobre o papel da ação humana (dar o primeiro passo, escolher olhar) em contraste com o poder inesgotável da Luz de Cristo?

Que Deus nos abençoe!

 

Walter de Lima Filho