Crônicas (17)

Ebenézer – Até aqui nos ajudou o Senhor

Crônica elaborada por Walter de Lima Filho, baseada na meditação do dia 28 de dezembro de 2025, na Comunidade Hebrom, em São Paulo.

Hoje é 29 de dezembro de 2025. Dona Maria limpava o pó das prateleiras, quando parou diante de uma pequena pedra que fora retirada de um rio. Essa pedra era lisa e sem brilho, mas ela estava exposta ao lado das fotos de seus filhos e netos. Para quem a olhasse, era apenas um pedaço de entulho. Para a Dona Maria, era o seu “Ebenézer”. Aquele objeto simples a transportava para um dia difícil, meses atrás quando se viu em aflições e desânimo, como pessoas indesejadas batendo à sua porta. Naquele momento de sua vida, ela, diante de Deus, se ajoelhou e decidiu: “Chega de tentar carregar o mundo nas costas, sozinha e longe Dele”.

Essa cena cotidiana reflete uma história antiga, mas que nunca envelheceu. Houve um tempo em que o povo de Israel vivia sob uma nuvem de tristeza. Por vinte anos, eles sentiram um vazio, como se Deus estivesse em silêncio. Mas o silêncio não era falta de amor, mas um convite à reflexão. O profeta Samuel, com a sabedoria de quem conhece o coração humano, deu o caminho: “Não basta chorar pelo que está errado. É preciso limpar a alma, tirar as distrações e decidir a quem vocês desejam servir”.

No nosso dia a dia, essas distrações não são mais estátuas de pedra ou madeira, mas são igualmente perigosas. São as preocupações excessivas, a autossuficiência que nos faz acreditar que não precisamos de ajuda, ou o tempo perdido com aquilo que não alimenta a alma. Samuel convocou o povo para um acerto de contas espiritual em Mispa. Enquanto eles oravam e confessavam suas falhas, os inimigos de Israel, os filisteus, viram naquela reunião uma oportunidade de ataque.

É curioso como a vida funciona: muitas vezes, quando decidimos colocar as coisas em ordem e buscar a Deus, parece que os problemas se levantam com mais força. O medo bateu à porta de Israel, mas a resposta deles mudou. Em vez de fugirem, eles recorreram à oração. E Deus respondeu e Sua voz se pareceu a um estrondo de trovão, promovendo confusão e o caos no campo do inimigo. No entanto, para o Seu povo, a voz de Deus trouxe ânimo, força e a vitória sobre seus inimigos.

Então, naquele momento, Samuel fez algo extraordinário: ele pegou “uma pedra” e a fincou no chão. Ele não escreveu nela “Nós somos fortes” ou “Vencemos por mérito”. Ele a chamou de Ebenézer e disse: “Até aqui nos ajudou o Senhor”.

Essa declaração do passado continua sendo um bálsamo para nós, até os dias de hoje. Ela nos ensina que o auxílio de Deus não é um evento de sorte, mas o resultado de uma caminhada de confiança e fidelidade a Ele. Quando dizemos “até aqui”, estamos olhando para as cicatrizes do passado não com dor, mas com gratidão. Olhamos para os meses de lutas, para as noites mal dormidas ou para os momentos de solidão e percebemos que, embora a jornada tenha sido dura e cansativa, nunca estivemos desamparados.

O seu “EBENÉZER” ou, o “ATÉ AQUI NOS AJUDOU O SENHOR” – pode não ser uma pedra física, mas a Palavra de Deus anotada em um papel, ou aquele fôlego que, ao acordar, o fez perceber que sobreviveu a mais uma tempestade. Esses “marcos de memória” servem como combustível. Eles nos lembram que “a mão forte e poderosa de Deus” que nos sustentou ontem, é a mesma que segura a nossa mão no dia de hoje.

Lembre-se: não tente lutar as batalhas de amanhã com a força de hoje. Concentre-se em limpar o seu “altar pessoal”, removendo o que afasta você da presença divina. O socorro de Deus é uma promessa, mas ele floresce onde encontra um coração disposto a obedecê-Lo.

Que hoje você possa parar por alguns minutos, respirar fundo e olhar para a sua própria história. Identifique os livramentos silenciosos e as vitórias inesperadas. Agradeça, tome coragem e siga em frente. Se Deus ajudou você a chegar “até aqui”, Ele, certamente, o conduzirá pelo restante do caminho, desde que você confie Nele e O obedeça. Afinal, a vitória não é apenas chegar a um certo destino nesta vida, mas caminharmos fielmente com o Pai Eterno, que nos convida a participarmos do Seu triunfo e seguirmos com perseverança, até alcançarmos a Vida Eterna.

Vamos orar:

Senhor Deus, eu Te agradeço porque, mesmo nos dias em que o “Céu” pareceu em silêncio, a Tua mão nunca deixou de me sustentar e me guiar até este exato momento. Peço perdão pelas vezes em que tentei lutar sozinho ou permiti que as distrações ocupassem o Teu lugar no meu coração. Hoje, ajuda-me a limpar o meu altar pessoal e renovar minha confiança em Ti. Que cada vitória passada seja o meu “Ebenézer”, uma pedra de memória que me fortalece e me lembra que, se o SENHOR me ajudou a chegar até aqui, certamente, cuidará de mim em todos os meus amanhãs. Em nome de Jesus, Amém!

Meus amados irmãos em Cristo: estamos às vésperas de mais um final de Ano. Eu não posso afirmar se o nosso amanhã será agradável ou não, mas sei que nunca estaremos longe dos olhos e da presença do nosso Deus. Quando o “amanhã” ou o “futuro” se tornar “passado”, diremos: “Até aqui nos ajudou o SENHOR!”. Confiemos na fidelidade e no amor de Deus, pois Ele continuará a sustentar Seus filhos fiéis e obedientes a Ele. De coração, desejo uma boa entrada de “Ano Novo” a todos.

Seu amigo e irmão em Cristo, Walter.

Walter de Lima Filho