Um profeta bíblico e

Desistir, jamais!

Texto-base: Gálatas 6:9

📖 Não nos cansemos de fazer o bem. Pois, se não desanimarmos, chegará o tempo certo em que faremos a colheita. (Gl.6:9 NTLH)

O apóstolo Paulo motiva os cristãos da Galácia a não perderem o ânimo e “não se cansarem” de fazer o que é “bom” devido à promessa da “lei da semeadura e da colheita” (cf. Gl.6:7). No entanto, Paulo ensina que essa promessa é condicional à persistência: a colheita – a recompensa divina – virá “a seu tempo”, desde que não haja desistência. (vd. Rm.2:6,7,10,11)

Reflita. [1] Qual é a condição necessária mencionada pelo apóstolo Paulo para que a colheita da recompensa divina aconteça? [2] Pense sobre a importância de “não se cansar” de fazer o que é bom. Por que a persistência costuma ser o maior desafio quando não vemos resultados imediatos das nossas boas ações? [3] Considerando a relação entre a “lei da semeadura” e o fator “tempo”, que conclusão podemos tirar sobre a natureza do tempo de Deus em comparação com as expectativas humanas de retorno?

A vida espiritual, segundo o Espírito de Deus e Sua Palavra, deve ser prática: no contexto (cf. 6:1-8), Paulo fala sobre ajudar os que estão afastados de Deus, os que caíram da fé e a necessidade de carregar os fardos uns dos outros. Ele explica que a liberdade cristã não é para o pecado (erro espiritual e moral), mas para servir a Deus e ao próximo, em amor. (vd.2 Co.1:4)

Reflita. [1] Segundo o texto de Gálatas 6:1-8, em quais ações práticas a vida espiritual deve se manifestar? [2] Compreenda que a liberdade cristã não é para o pecado, mas para servir em amor. Como você diferencia, no dia a dia, a verdadeira liberdade espiritual da busca por interesses puramente pessoais? [3] Ao relacionar a ajuda aos afastados com a prática de “carregar os fardos uns dos outros”, que conclusão podemos chegar sobre a responsabilidade individual de um cristão em relação à saúde espiritual da sua família espiritual?

A verdade que Paulo desejou esclarecer é que a vida cristã exige esforço contínuo, pois Deus, pela Sua graça, recompensará a confiança (a fé) e a fidelidade perseverante (vd. Ap.22:12). Portanto, a vida cristã não é uma corrida de velocidade, mas uma caminhada de resistência, na qual somos capacitados pela graça de Deus a permanecermos firmes e fazendo o que é “bom”, até o dia da recompensa.

Reflita. [1] O que Deus recompensará por meio da Sua graça? [2] A vida cristã é comparada a uma “caminhada de resistência” em vez de uma “corrida de velocidade”. De que maneira essa visão muda a forma como lidamos com os nossos erros e momentos de cansaço? [3] Ao dizer que somos “capacitados pela graça”, a fim de permanecermos firmes, que conclusão podemos extrair sobre a origem da força necessária para praticar o bem continuamente?

É importante que entendamos o significado de “fazer o bem”, segundo a mente de Paulo.

  • Na cultura grega, fazer o bem significava “fazer o melhor” em uma atitude de nobreza, ou uma ação de alta qualidade. Propósito: obter mérito pessoal.
  • No entanto, Paulo era um judeu e sua mente foi instruída pelas Escrituras Hebraicas. Para Paulo, fazer o bem significava executar o que estava em harmonia com a vontade do Criador, a fim de expressar a Sua realidade, Seu Reino e a essência do Seu propósito para o bem da humanidade.
  • Na cultura bíblica, o “bem” tem o sentido do que é “divinamente bom” – o que é justo, útil e proveitoso à humanidade, a fim de que ela venha conhecer a Deus e preste honras a Ele, pela Sua bondade ou misericórdia. ( Gn.1:4,10,12,18,21,25,31; Mt.5:16; 1 Co.10:31)

Reflita. [1] Qual é a diferença fundamental de propósito entre o “fazer o bem” na cultura grega e na perspectiva de Paulo, um judeu cristão? [2] Compreendemos que o “bem bíblico” deve ser “útil e proveitoso à humanidade” para que Deus seja honrado. Como o foco em “ajudar o próximo” ajuda a evitar que nossas boas ações se tornem apenas uma busca por mérito pessoal ou vaidade? [3] Diante da definição de que o “bem” é aquilo que está em harmonia com a vontade do Criador e expressa o Seu Reino, que conclusão podemos tirar sobre a validade de uma “boa ação” que não glorifica a Deus nem segue Seus princípios?

Introdução

Você já sentiu que o seu esforço parece invisível? Você ora, procura ajudar (de várias maneiras) os outros, tenta ser honesto e fiel, mas os problemas continuam batendo à sua porta? Muitas vezes, o cansaço que sentimos não é apenas físico, mas é o “cansaço da alma”. Olhamos para as dificuldades do dia a dia, para os conflitos na família ou para a demora de uma resposta de Deus e a tentação de “entregar os pontos” se torna gigante.

O problema é que vivemos na geração do “agora”, mas o Reino de Deus funciona no tempo da “semeadura e da colheita”. O apóstolo Paulo escreve aos Gálatas — e a nós hoje — para dizer que existe uma recompensa garantida, mas ela exige que não deixemos o cansaço vencer a nossa fé. Deus deseja renovar nossas forças e mostrar que o nosso esforço ou trabalho para Ele não é em vão, mas proveitoso – útil a este mundo (vd. 1 Co.15:58).

Reflita. [1] Por que muitas vezes sentimos a tentação de “entregar os pontos”, mesmo tentando ser fiéis e honestos? [2] A meditação menciona o conflito entre a “geração do agora” e o tempo da “semeadura e colheita”. Em quais áreas da sua vida você sente que a pressa pelo resultado imediato mais tem desgastado a sua paciência com o processo de Deus? [3] Com base na verdade bíblica de que “o nosso trabalho para Deus não é em vão”, que conclusão podemos extrair sobre o valor de nossas ações quando os resultados visíveis ainda não apareceram?

Sobre a nossa persistência, aprendamos com o bambu chinês:

Diz-se que, após plantado, o bambu chinês não mostra nenhum sinal de crescimento acima do solo por quase cinco anos. Durante esse tempo, todo o crescimento é subterrâneo, criando um sistema de raízes complexo e profundo. Então, de repente, ele cresce quase 25 metros em poucas semanas. Mas, se o agricultor parasse de regar no quarto ano, a planta morreria. O crescimento estava acontecendo, mas era invisível. Assim é a nossa vida espiritual: Deus está trabalhando nas raízes para sustentar o que Ele vai florescer em breve.

Na China, conhecida como o “Reino do Bambu”, o bambu chinês é considerado um símbolo de virtude, resiliência e desenvolvimento sustentável. Essa é a razão de ele representar a paciência e a perseverança. Ele é admirado por sua capacidade de se curvar diante de tempestades, sem quebrar, simbolizando a adaptação às adversidades, sem perder a força interior.

Reflita. [1] O que acontece com o bambu chinês durante os primeiros cinco anos e o que ocorre se o agricultor parar de regá-lo no quarto ano? [2] Você crê que o crescimento invisível (as raízes) é o que sustenta o crescimento visível? Em sua caminhada com Deus, como você avalia a importância de cultivar sua vida “interior” (oração e leitura bíblica em particular), antes de esperar grandes frutos públicos? [3] Considerando que o bambu é admirado por se curvar, sem quebrar, que conclusão podemos tirar sobre a relação entre a flexibilidade (adaptação às adversidades) e a verdadeira força interior de um cristão?

1. Aceitemos a proposta divina e perseveremos em fazer o bem

O texto começa com um alerta: “Não nos cansemos de fazer o bem”. Entendemos que toda ajuda divina, Sua salvação (libertação) e a vida cristã envolvem uma união: a graça de Deus nos capacita, mas nós precisamos responder com confiança e permanecer nela com fidelidade. O cansaço surge quando tentamos carregar o fardo sozinhos ou quando perdemos o foco no SENHOR.

O profeta Isaías disse: 📖 Os que confiam no SENHOR recebem sempre novas forças. Voam nas alturas como águias, correm e não perdem as forças, andam e não se cansam. (Isaías 40:31 NTLH)

Reflita. [1] De acordo com a meditação, quais são as duas situações que fazem com que o cansaço surja na vida do cristão? [2] Você crê que a vida cristã envolve uma união entre a graça de Deus e a nossa fidelidade? Como você pode diferenciar o “esforço humano isolado” do “esforço capacitado pela graça” em sua rotina de serviço a Deus? [3] Analisando a promessa de Isaías 40:31 citada na meditação, que conclusão podemos extrair sobre a origem da resistência daqueles que não “desistem” de fazer o bem?

Aprendamos que essa renovação divina não é automática, mas o fruto da escolha de “esperar” ou “confiar” constantemente em Deus. No dia a dia, isso significa que, quando suas forças acabarem, você deve recorrer à “Fonte da Vida”. Se você se sente exausto ao ajudar e fortalecer tanto a si mesmo quanto a outras pessoas, de ser honesto na vida e no trabalho, saiba que Deus insere no seu cansaço a força Dele.

O autor da Carta aos Hebreus diz: 📖 Vocês precisam ter paciência para poder fazer a vontade de Deus e receber o que ele promete. (Hb.10:36 NTLH)

Reflita. [1] O que o cristão deve fazer especificamente, quando suas forças acabarem no dia a dia? [2] Você crê que a renovação divina não é automática, mas fruto de uma escolha pessoal? O que mais dificulta a sua escolha de “esperar em Deus” quando você está no limite do cansaço físico ou emocional? [3] Relacionando o conselho de recorrer à “Fonte da Vida” com o versículo de Hebreus 10:36, que conclusão podemos tirar sobre a relação entre a paciência humana e o recebimento das promessas de Deus?

A perseverança (paciência) é apresentada como uma condição para desfrutar da promessa. Deus nos dá a liberdade de escolher continuar ou parar. Escolher continuar é um ato de fé. Portanto, não tome decisões permanentes em momentos de cansaço temporário. O desânimo é um conselheiro mentiroso.

Reflita. [1] O que é a perseverança em relação à promessa de Deus e qual é o “ato de fé” mencionado na meditação? [2] Você crê que o desânimo é um “conselheiro mentiroso”? Quais mentiras você percebe que o desânimo tenta sussurrar em sua mente quando você enfrenta uma fase de cansaço espiritual ou emocional? [3] A partir do conselho de “não tomar decisões permanentes em momentos de cansaço temporário”, que conclusão podemos extrair sobre a importância do domínio próprio e da estabilidade emocional na vida cristã?

2. Confie na recompensa de Deus, a qual virá no tempo certo

A segunda parte do versículo nos dá uma garantia: chegará o tempo certo em que faremos a colheita. O maior erro espiritual é querer colher na terça-feira o que plantamos na segunda. Deus tem um cronograma perfeito que, muitas vezes, não coincide com o nosso relógio de pulso.

O salmista fez a seguinte declaração: 📖 Aqueles que semeiam chorando façam a colheita com alegria! (Sl.126:5 NTLH)

Reflita. [1] Qual é o “maior erro espiritual”, mencionado na meditação, em relação ao ato de plantar e colher? [2] Você crê que o cronograma de Deus raramente coincide com o nosso “relógio de pulso”? Como você lida com a ansiedade quando percebe que o tempo de Deus para uma resposta está sendo mais longo do que o seu planejamento pessoal? [3] Ao conectar a garantia da colheita com a declaração do Salmo 126:5, que conclusão podemos tirar sobre o valor espiritual do esforço realizado, mesmo em meio a lágrimas ou sofrimento?

O sofrimento de nossos dias não anula a bênção futura. Nós sabemos que Deus é fiel e justo. Sabemos que Ele vê cada lágrima e cada ato de amor. Importância prática: mesmo que estejamos plantando com dor, a natureza do Reino de Deus garante que o fruto será de alegria. Muitas vezes, suas lágrimas são o “adubo” de uma recompensa extraordinária. (cf.Jo.16:20-22)

Jesus disse: 📖 Eu (Jesus) afirmo a vocês que isto é verdade: vocês vão chorar e ficar tristes, mas as pessoas do mundo ficarão alegres. Vocês ficarão tristes, mas essa tristeza virará alegria. (Jo.16:20 NTLH)

Reflita. [1] O que acontecerá com a tristeza daqueles que seguem a Jesus, conforme a promessa feita por Ele em João 16:20? [2] Pense na metáfora de que as lágrimas podem ser o “adubo” de uma recompensa extraordinária. Como essa visão pode alterar a sua perspectiva sobre os momentos de dor que você enfrenta hoje? [3] Ao afirmar que o sofrimento atual “não anula a bênção futura” porque Deus é fiel e justo, que conclusão podemos extrair sobre a segurança que o cristão tem em relação ao desfecho de sua caminhada?

Jesus está ensinando que a graça de Deus aprova (reconhece, valoriza) o nosso esforço. Nada do que você faz para Deus, à sua alma e ao próximo, oferecendo a eles o que é realmente necessário para o momento, perde-se ante os olhos do Eterno. Então, se Deus não esquece do nosso trabalho, por que nós pensaríamos em desistir?

Reflita. [1] O que a graça de Deus faz em relação ao nosso esforço e o que acontece com as ações que praticamos para Deus, para nossa alma e para o próximo? [2] Faça a si mesmo a seguinte pergunta: “Se Deus não esquece do nosso trabalho, por que nós pensaríamos em desistir?”. O que costuma falar mais alto em sua mente: a certeza do olhar de Deus sobre você ou a falta de reconhecimento das pessoas ao seu redor? [3] Ao dizer que nada se perde “ante os olhos do Eterno”, que conclusão podemos tirar sobre a diferença entre o sucesso aos olhos do mundo e a fidelidade aos olhos de Deus?

Conclusão

Compreendamos que o segredo da vitória plena não está na força dos nossos braços, mas na constância dos nossos passos guiados por Jesus. Se estamos sobrecarregados pelas lutas diárias, pelas crises emocionais, familiares e pelo vazio espiritual da alma, ouçamos a voz do Espírito Santo hoje: trabalhem para o bem e não desistam!

A recompensa é certa. O tempo de Deus é perfeito. A nossa responsabilidade é não desfalecer e a de Deus é fazer o fruto aparecer. Jesus, o Autor e Consumador da nossa fé, correu a carreira até o fim e Ele está ao nosso lado, segurando nossa mão e soprando novo fôlego em nossos pulmões.

Levantemos nossas cabeças. O semeador que chora hoje é o mesmo que cantará amanhã ao ver os frutos de sua fidelidade. Que a graça de nosso Senhor Jesus Cristo guarde o nosso coração e fortaleça os nossos joelhos cansados para que continuemos caminhando, pois o Reino de Deus pertence aos que perseveram (cf. Mt.24:13; Ap.2:7,10; 3:10).

Reflita. [1] Onde reside o “segredo da vitória plena” e qual é a responsabilidade específica que cabe a Deus no processo da colheita? [2] Você crê que Jesus está ao nosso lado, “segurando nossa mão e, sobre nós, soprando novo fôlego?”. Como essa imagem de companhia divina altera a sua percepção de solidão nos momentos de crise familiar ou emocional? [3] Sobre a verdade de que o semeador que chora hoje “cantará amanhã”, que conclusão podemos extrair da relação entre a dor da fidelidade no presente e a natureza da celebração futura no Reino de Deus?

Que Deus nos abençoe!

Walter de Lima Filho