Crônica elaborada por Walter de Lima Filho
A sala do pastor cheirava a café fresco e livros antigos. Sobre a mesa, a sua Bíblia estava aberta em 1 Pedro 4. À frente do pastor, o casal Lucas e Mariana buscava orientações, enquanto os filhos, Pedro, de 10 anos, e a pequena Júlia, de 8, olhavam curiosos para as janelas que traziam o som distante dos tambores que já ensaiavam para o Carnaval.
— Pastor — começou Lucas, com sinceridade — as crianças veem as luzes, os desfiles e os amigos comentando sobre os bailes. Às vezes, parece difícil explicar por que não estamos lá. Eles nos perguntam: “Não temos liberdade para nos alegrar?”.
O pastor sorriu com bondade, fechou levemente os olhos e chamou as crianças para mais perto.
— Olhem para esta caneca de água — disse ele, apontando para um copo na mesa. — Se eu fizer um buraquinho no fundo dela, o que acontece?
— A água vai embora e o copo fica vazio logo, logo — respondeu Pedro rapidamente.
— Exatamente. O mundo oferece uma alegria que a Bíblia chama de “bios”, a vida física e sensorial. É como esse copo furado. O Carnaval promete uma felicidade explosiva, mas ela termina na Quarta-Feira de Cinzas, deixando apenas cansaço e, muitas vezes, tristeza. É uma alegria que precisa de barulho e excessos porque, sozinha, ela não se sustenta.
O pastor abriu a Palavra e leu o verso 2 de 1 Pedro 4, explicando que agora, como seguidores de Cristo, não vivemos mais dominados pelas paixões humanas, mas pela vontade de Deus.
— Meus filhos, Deus não é contra a alegria. Ele é o inventor dela! Mas existe uma diferença entre a “alegria animal”, que busca apenas o prazer e satisfação do corpo, e a alegria que vem do Alto, que chamamos de “zoe”. A “zoe” é a Vida Eterna – a vida de Jesus transbordando em nós. É como o vinho que Jesus fez em Caná: o mundo serve o melhor primeiro e depois, o que é ruim; Deus guarda o melhor para o final e o Seu vinho nunca acaba.
Júlia inclinou a cabeça, pensativa: — Então, escolher não ir ao baile é ficar triste?
— Pelo contrário, querida — explicou o pastor. — É escolher não ser enganada. O livre-arbítrio que Deus nos deu é a capacidade de dizer “não” a um prazer que murcha como a grama do campo, para dizer “sim” a um banquete que não custa dinheiro, como é ensinado na Palavra de Deus. Nós somos livres para não sermos escravos do pecado. Quando vocês virem as pessoas nos desfiles, não as olhem com julgamento, mas com compaixão, sabendo que elas estão tentando encher um copo furado.
Ele concluiu o aconselhamento com uma mão no ombro de cada criança, encorajando-os a confiar que a presença do Espírito Santo em nossos corações produz uma festa silenciosa, porém eterna, que não precisa de máscaras para existir. A família saiu da sala não com a sensação de proibição, mas com o coração aquecido pela esperança de uma vida que transborda para a eternidade.
Eu, Walter, pergunto a você que lê ou escuta essa crônica: “Onde está depositada a sua sede?”
Não troque a fonte de águas vivas por cisternas rachadas que não retêm a água. Escolha hoje a alegria que sobrevive à quarta-feira e permanece até o Céu a Eternidade com Cristo! Que tal dedicarmos este período para fortalecer nossa comunhão com Jesus, através da oração e da leitura das Sagradas Escrituras em família?
Oremos juntos: “Senhor, eu Te agradeço pela alegria eterna que transborda em meu coração. Peço que a Tua Graça me fortaleça para escolher sempre a Tua vontade. Afasta-me das ilusões passageiras e firma meus pés na esperança da Glória Eterna com Cristo. Que minha vida seja um testemunho da verdadeira Vida que nunca terá fim. Em nome de Jesus, Amém!”