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Artigo: A ilusão da folia passageira e a alegria que não passa

Em fevereiro tivemos o Carnaval no Brasil. Diante disso, eu pergunto: Você está buscando um prazer que terminou na quarta-feira de cinzas ou uma vida que transborda para a eternidade?

📖 1 Por isso (pelo fato de estarem fazendo a vontade de Deus), assim como Cristo sofreu no corpo, vocês também devem estar prontos, como ele estava, para sofrer. Porque aquele que sofre no corpo deixa de ser dominado pelo pecado. 2 Então, de agora em diante, vivam o resto da sua vida aqui na terra de acordo com a vontade de Deus e não se deixem dominar pelas paixões humanas. 3 No passado vocês já gastaram bastante tempo fazendo o que os pagãos gostam de fazer. Naquele tempo vocês viviam na imoralidade, nos desejos carnais, nas bebedeiras, nas orgias, na embriaguez e na nojenta adoração de ídolos. 4 E agora os pagãos ficam admirados quando vocês não se juntam com eles nessa vida louca e imoral e por isso os insultam. 5 Porém eles vão ter de prestar contas a Deus, que está pronto para julgar os vivos e os mortos. (1 Pe.4:1-5 NTLH)

O Carnaval, historicamente posicionado antes da Quaresma – da Quarta-Feira de Cinzas até o dia da Páscoa (arrependimento, conversão, oração jejum e caridade), representa a exultação da vida biológica e dos prazeres sensoriais. Contudo, o problema reside quando a “alegria carnal” se torna um festival de esquecimento de Deus. Vivemos em um contexto cultural que idolatra o efêmero, transformando o que deveria ser uma celebração da vida em uma fuga da realidade espiritual e moral.

A Fragilidade da Alegria Terrena

A alegria baseada em bens passageiros é como uma flor que desabrocha pela manhã e murcha ao entardecer. No grego a palavra vida é βίος – a vida física, subsistência, referindo-se à vida biológica que compartilhamos com os animais – nós nos alegramos com o que vemos, gostamos e recebemos. A alegria passageira se parece com um “copo furado”: por mais que se tente enchê-lo com festas e prazeres, ele nunca retém o conteúdo.

Ao escolhermos o pecado e o esquecimento de Deus em prol do prazer momentâneo, exercemos nosso livre-arbítrio para resistir ao chamado do Espírito. “A graça de Deus é a causa de todo o bem, mas a vontade humana pode rejeitar o auxílio divino para sua própria ruína.”

📖 A nossa vida é como a grama; cresce e floresce como a flor do campo. (Sl.103:15 NTLH)

📖 Vocês não sabem como será a sua vida amanhã, pois vocês são como uma neblina passageira, que aparece por algum tempo e logo depois desaparece. (Tg.4:14 NTLH)

Da vida física à Vida do Alto: A redenção do prazer

Deus não é contra a alegria; Ele é a fonte dela. O perigo é quando as criaturas substituem o Criador. A verdadeira vida é ζωή (zoe: vida no sentido absoluto, vida espiritual e eterna; raiz: zao — viver). A alegria cristã não nega o corpo, mas o subordina ao espírito. É a metáfora do “vinho de Caná”: O que o mundo oferece acaba logo, mas o que Cristo oferece é melhor e permanece até o fim.

O homem possui a capacidade, assistida pela Graça Divina, de decidir entre a alegria animal (efêmera) e a alegria sobrenatural. Não somos robôs; nossa resposta ao convite de Deus para o entendimento da festa da Páscoa depende de nossa cooperação com a Graça.

📖 1 O SENHOR Deus diz: “Escutem, os que têm sede: venham beber água! Venham, os que não têm dinheiro: comprem comida e comam! Venham e comprem leite e vinho, que tudo é de graça. 2 Por que vocês gastam dinheiro com o que não é comida? Por que gastam o seu salário com coisas que não matam a fome? Se ouvirem e fizerem o que eu ordeno, vocês comerão do melhor alimento, terão comidas gostosas. (Is.55:1,2 NTLH)

📖 O ladrão só vem para roubar, matar e destruir; mas eu vim para que as ovelhas tenham vida, a vida completa. (Jo.10:10 NTLH)

Conclusão

A alegria do Carnaval é fútil se nos afasta de Deus; a alegria da Páscoa é plena porque nos une a Ele. Que saibamos desfrutar das coisas boas da vida sem transformar o presente em um ídolo que nos cega para a eternidade.

Aplicação Prática

Espiritual: Cultive a disciplina da oração nos dias de maior agitação mundana, para manter o foco em Cristo.

Moral: Avalie se suas diversões promovem a dignidade humana ou se são apenas “alegrias pecaminosas” – malignidades e perversidades.

Psicológico: Entenda que a depressão pós-festividade muitas vezes nasce da percepção da natureza efêmera (passageira) do prazer sem propósito

Walter de Lima Filho