Hoje é 19 de Outubro de 2026. “Caminhando pelo deserto e já cansado, busquei refúgio na sombra de uma grande rocha e deixei as lágrimas caírem sobre a areia quente. Diante da reviravolta repentina da vida, contemplei a vastidão silenciosa ao redor e percebi que a verdadeira necessidade da minha alma não era fugir da dor, mas encontrar no meio da tempestade interna, a mesma paz que repousava naquele lugar.”
Sentindo a presença de alguém perto de mim, abri os olhos e vi o Mestre. Ele olhou para mim com um olhar cheio de misericórdia, estendeu a mão e me convidou para acompanhá-lo até o cume de um monte desértico. De repente, um vento forte passou a soprar e abaixo de nós via-se uma estrada íngreme, por onde peregrinos subiam cantando rumo ao Templo.
“Veja os viajantes”, disse o Mestre. “Eles sobem a montanha com fardos pesados, mas entoam o Cântico dos Degraus. Sabem que a caminhada exige soltar o orgulho e o desejo de controlar aquilo que não alcançam.”
Ele tirou um pequeno pergaminho da túnica e leu as palavras do rei Davi: “Não vou atrás de coisas grandes e extraordinárias, fora do meu alcance. Como a criança desmamada se aquieta nos braços da mãe, assim o meu coração está calmo.”
“Mestre”, perguntei, “como o rei de um império encontrou esse silêncio?”
“Davi aprendeu a diferença entre a calmaria de fora e a paz de dentro”, respondeu ele. “O mar, muitas vezes, recua em silêncio, antes de lançar uma onda gigante e destruidora. Assim é a mente humana. Deitamo-nos na cama sob um teto seguro e num ambiente calmo, mas, por dentro enfrentamos tempestades de ansiedade e medo.”
Então, o Mestre apontou para uma mãe sentada à beira do caminho. Um garotinho correu até ela, assustado com o barulho do vento, e se aninhou em seus braços.
“Olhe para a criança”, falou o Mestre. “Ela não busca comida ou brinquedos. Busca apenas a presença da mãe. Ali, o medo desaparece. Davi viveu perseguido, zombado por inimigos e isolado de amigos. Ele calou os gritos da própria alma ao se colocar no colo do Criador.”
“E quando a oposição vem de fora?”, perguntei.
“Lembra de Neemias?”, continuou ele. “Ele reconstruiu as muralhas de Jerusalém cercado por ataques. Inimigos usaram acusações falsas, zombarias e ameaças para espalhar o pavor. Mas Neemias manteve o povo focado, trabalhando com uma mão e com a outra, segurando uma espada, vigiava. Ele não permitiu que o barulho de fora destruísse a certeza que havia de dentro de sua alma. A muralha ficou pronta em cinquenta e dois dias.”
O Mestre guardou o pergaminho e olhou em meus olhos e disse:
“O Criador nos fez livres. Ele não força ninguém a amá-Lo, mas estende os braços. A paz do mundo busca apenas mudar as circunstâncias externas, mas a paz do Mestre Eterno acalma o coração em meio às tempestades. Quando a vida parecer incerta, pare de lutar pelo controle. Corra para o colo de Deus e encontre o descanso que o mundo não pode dar. Confie Nele e seja fiel a Ele em toda a sua jornada.”
Deus abençoe sua vida. Seu amigo e irmão em Cristo, Walter.