Texto base:
João 8:12
“De novo Jesus começou a falar com eles e disse: —Eu sou a luz do mundo; quem me segue nunca andará na escuridão, mas terá a luz da vida.” (Jo.8:12 NTLH)
Introdução:
Jesus, com certa frequência, identifica-Se nos Evangelhos pelo uso da expressão “Eu sou”, seguida de uma descrição de sua natureza e papel. Essa afirmação – com raízes em Êxodo 3:14 – revela quem Ele é para aqueles que Nele creem. Alguns exemplos: “Eu sou a porta” (cf. Jo. 10:9), “Eu sou pão da vida” (cf. Jo. 6:35), “Eu sou caminho, a verdade e a vida” (cf. Jo. 14:6), e “Eu sou a ressurreição e a vida” (cf. Jo. 11:25). Jesus esperava que seus seguidores vivessem à luz dessas definições, moldando suas vidas e fé conforme a revelação da Sua identidade.
Portanto, nessas ocasiões, Jesus não apenas afirmou quem Ele era, mas apontou aos Seus discípulos (ou Seus alunos e seguidores) sobre a identidade que deveriam assumir – ‘quem vocês são e serão a partir do que viram, ouviram e aprenderam de quem “Eu Sou”?’.
Reflita: considerando as diversas maneiras pelas quais Jesus se revelou e as expectativas que Ele tinha para seus seguidores, como podemos viver de forma mais intencional, autêntica e impactante, refletindo a identidade de Cristo em nossas vidas diárias?
1. A importância de sabermos quem somos, ou quem devemos ser
Qual é a importância de, em Cristo, sabermos ‘quem somos’, ou ‘quem devemos ser’? A importância está em encontrarmos e praticarmos o princípio da identidade, pois, sabendo quem somos, não cairemos na armadilha de pensamentos e desejos impróprios aos olhos de Deus nem seremos manipulados por outras pessoas para sermos pressionados a nos encaixar nos seus falsos moldes de pensamentos e ações.
Reflita: se conhecermos profundamente nossa identidade em Cristo, qual impacto isso teria em nossas decisões, relacionamentos e propósito de vida? Como podemos nos proteger das influências externas que tentam moldar nossa identidade, e assim, vivermos de acordo com o plano de Deus para nossas vidas? Como a identidade de Cristo define nossas vidas, práticas ou ações e como tem nos ajudado a resistir às pressões sociais e culturais que tentam moldar nossas vidas longe Dele?
Eu acredito que você já tenha ouvido vozes internas ou externas, questionando-o: “Você não ‘acha que deveria ser’, ou ‘agir desse modo’?” Esses questionamentos devem ser muito bem avaliados, pois eles podem induzi-lo a pensar e agir segundo a felicidade e o sucesso efêmero deste mundo. No entanto, a “Luz”, a Palavra de Deus, o questionará sobre a pessoa que você é e como deve agir em Cristo Jesus, para que se identifique às Instruções divinas e à sua jornada para a Eternidade.
Reflita: quais são as vozes mais fortes que competem pela nossa atenção e moldam nossas decisões? Como podemos discernir entre a voz do mundo, que busca nos conformar aos seus padrões, e a voz de Deus, que nos chama para uma vida de propósito e significado eterno? E mais: como podemos silenciar as vozes que nos distraem da nossa verdadeira identidade em Cristo?
Atente a essa analogia: em nossos dias, a cada minuto, você é bombardeado com fluxos de conteúdos e tendências provenientes das redes sociais, as quais são um labirinto de notificações e informações passageiras. Nesse mar de estímulos, é fácil se perder e se distrair com o que é superficial, com aqueles que buscam a sua aprovação e seus “likes” (‘gostei, ou não gostei’). A sensação é a de estar perdido, sem saber qual caminho seguir, quais valores priorizar, qual é o verdadeiro propósito da sua jornada com Deus e sem identificação com Ele.
Agora, pense em Jesus, a sua “Luz”, como o ‘Aplicativo do Alto’, super confiável e instalado no seu coração. Esse ‘Aplicativo divino’ (que Deus me perdoe se O ofendo) não é qualquer um, pois está conectado à sua essência, aos seus valores mais profundos e ao que lhe traz a verdadeira felicidade. Ele não mostra o caminho do sucesso imediato, efêmero ou passageiro, mas oferece conteúdos essenciais à sua vida, como:
• Direção: assim como uma bússola o guia, a “Luz” (Jesus, a Palavra Viva de Deus) o orienta para a Verdade, para que, por meio dela, você se sinta feliz e completo, expressando integridade, propósitos e bondade (serviço ou generosidade ao próximo).
• Clareza: em vez da névoa da indecisão e da comparação com os outros, a “Luz” lhe dá clareza sobre a razão divina de você existir neste mundo, para que, Nele, encontre a felicidade e a plena satisfação de viver.
• Conexão: a “Luz divina” o ajuda a se localizar neste mundo, pois o conecta com Deus. Nele, você se torna um instrumento de apoio e inspiração às pessoas, a fim de que essa conexão com elas as faça conhecer os valores divinos e o santo poder que regem sua vida.
• Segurança: em vez de se perder emocionalmente com falsas informações e cair nas armadilhas que o fazem procurar aprovações internas e externas, a “Luz” revela sobre a pessoa que você é e como se manter interiormente em paz (em amizade) com Deus, sendo fiel (fé, confiança e fidelidade) a Ele.
2. A Palavra de Deus ilumina os seus passos e traz a “Luz” aos seus caminhos
Assim como você não sairia para um lugar desconhecido sem um mapa ou um GPS, não siga a vida sem a “Luz divina”, que ilumina o que é mais importante. Sabemos que Jesus, a Palavra Viva de Deus, é a “Luz divina” que o guia para fora da “ignorância” do superficial, do efêmero e do que o afasta do seu verdadeiro propósito de vida. O conhecimento que você adquire da Palavra de Deus e, consequentemente, de Cristo, lhe mostrará como encontrar a Sua presença, e Ele iluminará o seu caminho, a fim de que ande pelo correto caminho. (cf. Sl.119:105)
Reflita: se a Palavra de Deus é a nossa ‘bússola’ na jornada da vida, como podemos garantir que estamos sendo orientados por ela em nossas decisões? De que forma a luz de Cristo pode nos guiar para um propósito mais profundo e significativo, afastando-nos das distrações e tentações do mundo? Nós temos pedido ao Espírito Santo que nos faça lembrar do que aprendemos da Palavra de Deus, a fim de que tomemos decisões corretas?
Aquele que segue e se compromete com Cristo Jesus, O tem como a “Luz” que o guia neste mundo. Quem segue os Seus ensinamentos, não andará na ignorância da realidade de Deus, da Sua Verdade e dos Seus propósitos. Portanto, não andará sob as trevas ou a escuridão.
3. O momento em que Jesus Se identificou como a “Luz do mundo” e suas implicações
Eu sou a luz do mundo; quem me segue [quem vem atrás de Mim e se une aos meus pensamentos, ensinamentos e propósitos] nunca andará na escuridão [no caminho que o afasta da comunhão com Deus e, portanto, na ignorância Dele ou em uma atitude de rejeição a Ele], mas terá a luz da vida [a Instrução que o conduz pela Vida que Deus oferece].” (Jo.8:12 NTLH)
Essas palavras de Jesus ocorreram em um contexto marcado pela tensão entre Jesus e os líderes religiosos de Sua época. (cf. Jo.8:1-11) Certos fariseus, professores religiosos, buscando uma oportunidade para incriminá-Lo, levaram à Sua presença uma mulher acusada de adultério, esperando que Ele a condenasse à morte por apedrejamento, de acordo com a Lei de Moisés (cf. Lv.20:10). Todavia, conforme Moisés, tanto o homem como a mulher deveriam sofrer tal punição.
Jesus e os religiosos hipócritas, perversos, que não se identificam com a Verdade e fogem dela
Eles disseram: —Mestre [Rabi, Professor, Instrutor], esta mulher foi apanhada no ato de adultério. 5 De acordo com a Lei que Moisés nos deu, as mulheres adúlteras devem ser mortas a pedradas (cf. Lv.20:10; mas, e o homem?). Mas o senhor, o que é que diz sobre isso? 6 ELES FIZERAM ESSA PERGUNTA PARA CONSEGUIR UMA PROVA CONTRA JESUS, POIS QUERIAM ACUSÁ-LO. Mas ele [Jesus] SE ABAIXOU E COMEÇOU A ESCREVER NO CHÃO COM O DEDO. 7 Como eles continuaram a fazer a mesma pergunta, JESUS ENDIREITOU O CORPO [Se pôs em pé] e disse a eles: —Quem de vocês estiver sem pecado, que seja o primeiro a atirar uma pedra nesta mulher! 8 Depois ABAIXOU-SE OUTRA VEZ e continuou a escrever no chão. 9 QUANDO OUVIRAM ISSO, TODOS FORAM EMBORA, um por um, começando pelos mais velhos. Ficaram só Jesus e a mulher, e ela continuou ali, DE PÉ. (Jo.8:4-9 NTLH)
Percebendo que lidava com homens hipócritas e dominados por intenções perversas, sem dizer qualquer palavra, Jesus Se abaixou e passou a escrever na terra com o dedo. Eles continuaram a insistir na pergunta, exigindo uma resposta. Então, Jesus se ergueu, não contrariou a Lei de Moisés, QUESTIONOU A IDENTIDADE de todos eles diante de Deus e Se abaixou novamente para continuar escrevendo na terra.
Em vez de acolherem a Palavra de Deus e reconhecerem a impureza e perversidade de suas intenções, os indivíduos, do mais velho ao mais jovem, optaram por se afastar. Quando eles foram confrontados e sentiram o peso da culpa por suas más ações, em vez de ouvirem a voz de Deus em seu íntimo, escolheram a negação. A fim de justificar seus atos, trilharam um caminho de afastamento de Deus, marcado pela infidelidade e pela ‘escuridão espiritual’. Em vez de buscarem uma vida alinhada e que os identificasse com os princípios divinos, eles se entregaram ao caminho caracterizado pela arrogância, desobediência e rejeição à verdade.
Jesus e a mulher pecadora, mas que se mostrou humilde e arrependida
10 Então Jesus (que estava inclinado e escrevendo no chão) endireitou o corpo e disse: —MULHER, onde estão eles [os seus acusadores]? Não ficou ninguém para condenar você? 11 —Ninguém, SENHOR! [“Meu SENHOR, Adonai” – Meu Instrutor, Dono e Juiz] —respondeu ela. Jesus disse: —Pois eu também não condeno você [Eu não te condenarei]. VÁ [retorne à casa – ‘teshuvá’] E NÃO PEQUE MAIS [e não ofenda mais a Deus, mas viva sob as Suas Instruções]! (Jo.8:10,11 NTLH)
A mulher, por sua vez, com o coração dilacerado, permaneceu em pé e em silêncio diante de Jesus. Reconhecendo a impureza de suas ações, ela compreendeu que estava perante o SENHOR (Adonai) e, diante de seu Deus Único, Instrutor, Juiz e o Verdadeiro Dono da sua vida, aguardou o Seu julgamento.
Novamente, Jesus Se levantou e a chamou de “mulher”. Ele foi indelicado? Claro que não! Ao chamá-la desse modo, Jesus desejava que ela refletisse sobre a sua identificação com Deus, pela razão de Ele ter criado a mulher e, portanto, quem ela deveria ter sido, segundo o Eterno.
Na cultura bíblica, a mulher de Deus é a que gera vida, mãe, cuidadora, instrutora, companheira, interiormente bela, fiel e sábia para manter a família em unidade com Deus, a motivar e aconselhar seu esposo à função de ser o provedor espiritual e moral da casa (prática do sacerdócio). Biblicamente, a mulher (esposa) deve ser reconhecida pelo homem (esposo) como princesa, rainha e sua principal motivadora, conselheira e ajudadora.
Devido à postura dessa mulher pecadora de não ter se parecido com Eva que, no Éden, fugiu da presença de Deus, somente a ela e não aos que se retiraram, Jesus pôde dizer: “Vá [retorne à casa – ‘teshuvá’] e não peque mais [e não ofenda mais a Deus, mas viva sob as Suas Instruções]!”. Jesus não prometeu a ela resultados felizes junto aos seus, mas, procurando se identificar com Deus, a felicidade eterna.
Conclusão:
Deus o chamou em Cristo, a fim de viver Nele e para Ele de modo autêntico e não de forma hipócrita, como um ator que espera aplausos pela sua encenação. Portanto,
• Saber quem você é e a “quem” pertence é o princípio fundamental para resistir às más influências internas e externas, que, em manipulação, podem destruir tanto a sua vida como sua família.
• A segurança que vem pela verdadeira convicção sobre quem você é e a “Quem” pertence é o que lhe dará a capacidade de amar a Deus, servi-Lo e ser uma bênção autêntica (ser generoso e fazer o que realmente é ‘bom’) ao seu próximo.
Reflita: considerando que a nossa identidade com Deus está profundamente enraizada em nosso relacionamento com Cristo e nos Seus ensinamentos (na Palavra de Deus), como podemos viver de forma autêntica, resistindo às pressões ideológicas, sociais e cultivando um amor genuíno por Deus e pelo próximo? De que forma a consciência de quem somos, em Cristo, capacita-nos a sermos agentes divinos para produzirmos transformações em nossas famílias e comunidade?
Diante do que vimos, a maneira de evitar que falsas vozes, internas e externas, manipulem-nos é nos sentirmos satisfeitos sobre quem somos e a “Quem” pertencemos. Uma das principais causas do estresse vem de tentar ser o que não somos. O medo de que alguém descubra a pessoa que realmente somos é um dos motivos de uma vida cheia de pressão e de cansaço, tanto mental como emocional.
Eu procurei apresentar princípios bíblicos que nos conectam com Deus e aos recursos da Sua Graça e que nos dão a Sua “Vida Plena”. A minha esperança é que, por meio deles, tenhamos a convicção sobre quem somos e a “Quem” pertencemos para que, se em algum momento fracassarmos na nossa jornada com Deus, saibamos como retornar à Casa do Pai, o nosso Bom Mestre e Salvador.
Que Deus nos abençoe!