Uma mulher em pé em

A fidelidade que Deus espera

Texto base:

1 Reis 3:3

📖 Salomão amava o SENHOR e seguia os conselhos de Davi, seu pai, mas também (exceto que por um detalhe / não fosse por um detalhe) matava animais e os oferecia em sacrifício em vários altares, nos montes. (1 Re.3:3NTLH)

Salomão era um rei dedicado (aos conselhos de seu pai Davi e amava a Deus), apesar de (mas também) praticar sacrifícios em locais que, segundo Deus, eram considerados impróprios. (cf. Dt.12:2-6; 2 Re.17:10-12; Jr.7:30,31) Nessa dualidade, o versículo revela uma verdade existente na vida muitos que se consideram cristãos: a capacidade de agirem corretamente em algumas áreas, mas que, dolosamente, falham em outras, o que indica um amor de caráter parcial a Deus.

Reflita. [1] O que o versículo de 1 Reis 3:3 (NTLH) diz que Salomão fazia, apesar de amar o Senhor e seguir os conselhos de Davi, seu pai? [2] O que a história de Salomão nos faz pensar sobre a natureza do amor e da obediência a Deus, especialmente quando há ações feitas de forma correta e, ao mesmo tempo, outras de forma incorreta (“amor de caráter parcial”)? [3] Com base na “dualidade” da vida de Salomão, qual é a sua conclusão sobre a fé dos que se consideram cristãos e que “agem corretamente em algumas áreas, mas que, dolosamente, falham em outras”?

Introdução

A vida de muitos é cheia de “mas também / exceto que por um detalhe / não fosse por um detalhe / salvo por um detalhe“. Essas expressões de exceção, quando aplicadas à vida, aos poucos, podem nos tirar da rota ou do alvo que deveríamos alcançar.

O texto que acabamos de ler sobre o sábio e abençoado Rei Salomão traz uma revelação que nos confronta. Salomão amava a Deus e andava nos Seus caminhos, exceto por um detalhe: “somente que (mas também, todavia) nos altos (lugares proibidos, usados pelos povos pagãos – cf. Dt.12:2-6; 2 Re.17:10-12; Jr.7:30,31) sacrificava”. Esse “mas também” é o grande perigo da vida com Deus! A Palavra de Deus nos mostra que, para Ele, um “quase fiel” é, na verdade, um “infiel”. A história de Salomão nos ajuda a entender a natureza da fidelidade que o nosso Deus de amor e graça espera de nós.

Reflita. [1] De acordo com o texto, o que as expressões de exceção (“mas também”, “exceto que por um detalhe”), quando aplicadas à vida, podem provocar no caminho que deveríamos seguir? [2] Aos olhos de Deus, um “quase fiel” é, na verdade, um “infiel”. De que forma essa revelação confronta o modo como geralmente avaliamos pequenas falhas ou “detalhes” em nossa própria conduta e o que ela nos leva a pensar sobre a natureza da fidelidade que Ele espera? [3] Com base na afirmação de que o “mas também” é o “grande perigo da vida com Deus”, que conclusão se pode extrair sobre a importância da totalidade e da consistência na obediência, em oposição à aceitação de falhas “dolosas” ou parciais?

Entenda a base histórica de 1 Reis 3:3 conforme o seu registro no livro do Êxodo 13:14.

A natureza da fidelidade tem como base o compromisso do ser humano com Deus. Quem não se dispõe a ser fiel a Deus, dificilmente será fiel ao seu melhor amigo. Embora o texto de 1 Reis 3:3 seja o foco principal, é importante entender a seriedade de todo mandamento divino, conforme Êxodo 13:14.

O versículo diz: “”Mais tarde, quando o seu filho perguntar: ‘Pai, por que seguimos este costume?’ [separar o primeiro filho – o primogênito – para servir ao SENHOR], você bem sabe o que responder. ‘É que o Senhor nos tirou do Egito com maravilhosas demonstrações de poder.”

  • A instrução faz parte das leis dadas a Israel logo após a celebração da primeira Páscoa e a saída triunfal do Egito ( Êx.12;13). Especificamente, está ligada à consagração de todo primogênito a Deus, como memorial do livramento da décima praga (a morte dos primogênitos egípcios).
  • Esses eventos ocorreram no período do Êxodo, cuja data é debatida, mas frequentemente situada entre o século XV a.C. (cerca de 1446 a.C.) e o século XIII a.C. (cerca de 1250 a.C.).
  • O versículo registra a importância da memória e do ensino para as futuras gerações. A celebração da Páscoa e a consagração dos primogênitos eram atos rituais que exigiam obediência e, principalmente, a transmissão da história da poderosa libertação divina. Ele está registrado para que o povo de Israel jamais esquecesse que a sua existência e liberdade não vinham do seu próprio poder, mas da mão forte e fiel de Deus.

A proposta dessa meditação:

  • Pensemos com seriedade sobre o pecado da fidelidade parcial e na necessidade de refletirmos acerca da integridade de nossa devoção a Deus.
  • Deus deseja nos instruir sobre a natureza da Sua fidelidade e advertir-nos que, embora Ele perdoe o nosso passado, exige uma atitude de santidade e obediência no presente.
  • Portanto, examinemos a nós mesmos e busquemos uma vida de fidelidade sem manchas de exceções para que desfrutemos plenamente do cuidado e da justiça de Deus.

Reflita. [1] De acordo com a proposta de meditação, qual é a atitude que Deus exige de nós no presente, embora Ele perdoe o nosso passado? [2] Compreendemos que devemos pensar sobre o “pecado da fidelidade parcial” e a examinar a nós mesmos. Se a fidelidade parcial é um pecado, o que isso sugere sobre a nossa percepção da gravidade das “pequenas” desobediências ou exceções em nossa vida espiritual? [3] Qual é a conclusão que a meditação propõe que o leitor deve buscar, a fim de que possa “desfrutar plenamente do cuidado e da justiça de Deus”?

1. A tragédia do “mas também ou do exceto por um detalhe” – o perigo da devoção seletiva

O nosso texto-base diz que Salomão amava o SENHOR e seguia os conselhos de Davi, seu pai. Mas, no mesmo texto, encontramos uma única ressalva, a qual resultou em uma tragédia: “mas também (exceto por um detalhe, somente que, todavia) matava animais e os oferecia em sacrifício em vários altares, nos montes “.

Esse é o ponto fraco, a rachadura no alicerce de sua fé. Ele queria o melhor de Deus, mas adotou para si o direito de tomar algumas decisões por conta própria, seguindo uma tradição popular (sacrificar nos “altos”) que a Lei de Deus (cf. Dt.12:5) proibia explicitamente após a construção do Templo.

Reflita. [1] Qual foi a única ressalva ou o “detalhe” na vida de Salomão, citado no texto, que resultou em uma tragédia? [2] Em que medida a “rachadura no alicerce da fé” de Salomão, manifestada no seu ponto fraco, reflete a tentação contemporânea de querer as bênçãos de Deus (“o melhor de Deus”), mas reservando para si o direito de manter certas práticas ou decisões que contrariam a Sua Palavra? [3] Considerando que Salomão tinha o Templo para sacrificar, mas escolheu seguir uma “tradição popular” de sacrificar nos “altos”, que conclusão podemos extrair sobre o perigo de permitir que preferências pessoais ou convenções sociais se sobreponham à orientação clara e específica da Palavra de Deus em nossas vidas?

  • Cremos: a obediência intencional e voluntária deve se manifestar como fruto da graça divina, que nos alcançou e nos resgatou. Cremos que, mesmo após termos sido chamados e abençoados por Deus (como Salomão), a nossa perseverança no caminho da fé exige uma resposta contínua de fidelidade e obediência à vontade revelada de Deus. A graça nos capacita, mas a escolha de obedecer é nossa, e a desobediência voluntária, mesmo em áreas “pequenas”, compromete a relação.
  • Prática diária: precisamos identificar os “altos” da nossa vida moderna – aquelas áreas que reservamos para nós mesmos, onde permitimos hábitos espirituais e morais, desvios ou pecados que o mundo considera “normais”, mas que a Palavra de Deus reprova. Pode ser a forma como usamos nosso tempo, o que assistimos, como administramos nosso dinheiro, ressentimentos, a falta de perdão, ansiedades, orgulho e egoísmo.

Reflita. [1] Qual é a exigência contínua que a nossa perseverança no caminho da fé requer, mesmo após termos sido chamados e abençoados por Deus? [2] Aprendemos que “A graça nos capacita, mas a escolha de obedecer é nossa, e a desobediência voluntária, mesmo em áreas ‘pequenas’, compromete a relação.” Como essa dualidade entre a capacitação divina e a responsabilidade humana nos confronta a repensar a seriedade de nossas escolhas diárias e a distinção entre um erro acidental e uma desobediência “voluntária”?

Comparemos o que estou dizendo a uma grande aeronave que está pronta para um voo transatlântico. Todos os sistemas estão perfeitos: motores, asas, combustível. No entanto, o sistema de navegação (GPS) foi programado com apenas “um grau de desvio” da rota correta. Por um curto período, a aeronave parecerá no caminho certo, mas, quanto mais tempo voar, mais longe do destino estará. Um pequeno desvio na fidelidade tem um impacto catastrófico a longo prazo.

📖 Mas o SENHOR disse: —Não se impressione com a aparência nem com a altura deste homem. Eu o rejeitei porque não julgo como as pessoas julgam. Elas olham para a aparência, mas eu vejo o coração. (1 Samuel 16:7 NTLH)

📖 Porque quem quebra um só mandamento da lei é culpado de quebrar todos. (Tiago 2:10 NTLH)

2. A exigência da integridade – o justo padrão esperado por Deus

Pensemos em um reservatório de água pura, mas que se torna impróprio pelo fato de estar sendo contaminado por gotas de veneno. Assim é o coração contaminado, que se torna impuro diante de Deus. A lição é clara: fidelidade parcial é igual a infidelidade. Deus não aceita um amor de caráter parcial, mas Ele deseja a nossa vida (alma / mente), por inteiro, sem reservas.

  • Cremos: a dedicação a Deus é progressiva. O cristão, pela graça de Deus, recebe força interior e a responsabilidade de viver uma vida de dedicação e integridade crescentes. Cremos que o Espírito Santo nos capacita diariamente a resistirmos às tentações e a buscarmos uma vida de conformidade à imagem de Cristo, a fim de servirmos a Deus com todo o nosso ser, diante de nossas crises e desafios ( 2 Pe.3:18).
  • Aplicação prática: a integridade implica que vivamos a fé na igreja, em casa e no trabalho. Se a fidelidade a Deus me faz honesto em público, ela deve me fazer honesto em todas as coisas. Se ela me faz adorar no domingo, ela deve me levar a honrar meu cônjuge, meus pais e meus irmãos verdadeiros na fé em Cristo em todo o tempo. Devemos submeter toda a nossa vida, inclusive, nossos pensamentos e desejos mais íntimos, ao senhorio de Cristo.

Reflita. [1] Qual é o objetivo da capacitação diária que o Espírito Santo nos concede? [2] Aprendemos que a “dedicação a Deus é progressiva” e que o cristão tem a “responsabilidade de viver uma vida de dedicação e integridade crescentes”. O que isso nos leva a pensar sobre a complacência ou a estagnação na vida de fé, e por que a integridade deve ser vista como um processo contínuo de crescimento e não como um estado estático?

Peço que você pense na âncora de um navio. A âncora é essencial para manter o navio seguro durante a tempestade. Todavia, se a corrente da âncora tiver apenas um elo enferrujado ou partido, a força de todos os outros elos não importa; o navio será arrastado. O elo fraco da nossa vida – aquele “mas também / somente que / exceto que” – compromete a segurança de toda a nossa jornada de fé. Precisamos da corrente de fidelidade íntegra, reforçada e supervisionado sob a graça de Deus.

📖 Quando Abrão tinha noventa e nove anos, o SENHOR Deus apareceu a ele e disse: —Eu sou o Deus Todo-Poderoso. Viva uma vida de comunhão comigo e seja obediente a mim em tudo. (Gênesis 17:1 NTLH)

📖 Portanto, meus irmãos, por causa da grande misericórdia divina, peço que vocês se ofereçam completamente a Deus como um sacrifício vivo, dedicado ao seu serviço e agradável a ele. Esta é a verdadeira adoração que vocês devem oferecer a Deus. (Romanos 12:1 NTLH)

Conclusão:

A história de Salomão nos é contada não para condenar, mas para nos alertar com amor. O nosso Deus é o Deus da graça, mas também da justiça. Ele nos chama não para uma “fidelidade parcial”, mas para uma fidelidade plena e honesta. Com a ajuda do Espírito Santo, decidamos remover os “mas também / exceto que” das nossas vidas. Que a nossa fé seja íntegra, pura, e que possamos desfrutar plenamente do cuidado, da esperança e da inabalável fidelidade do nosso Pai Celestial.

Reflita. [1] Qual é o propósito da história de Salomão, de acordo com a meditação? [2] Aprendemos que o nosso Deus é o Deus da graça, mas também da justiça, e nos chama para uma fidelidade plena. Como a coexistência da graça e da justiça de Deus nos motiva a agir para remover os “mas também / exceto que” das nossas vidas com a ajuda do Espírito Santo? [3] Que conclusão a meditação sugere que resultará em desfrutar “plenamente do cuidado, da esperança e da inabalável fidelidade do nosso Pai Celestial”?

Que Deus nos abençoe!

Walter de Lima Filho