um adulto e uma cria

Deus Pai, o educador por excelência

Texto-base: Hebreus 12:10-12

📖 10 “Os nossos pais humanos nos corrigiam durante pouco tempo, pois achavam que isso era certo; mas Deus nos corrige para o nosso próprio bem, para que participemos da sua santidade.” 11 Quando somos corrigidos, isso no momento nos parece motivo de tristeza e não de alegria. Porém, mais tarde, os que foram corrigidos recebem como recompensa uma vida correta e de paz. 12 Portanto, levantem as suas mãos cansadas e fortaleçam os seus joelhos enfraquecidos. 13 Andem por caminhos aplanados para que o pé aleijado não manque, mas seja curado. (Hb.12:10-12 NTLH)

Introdução:

O autor de Hebreus escreveu essas palavras para encorajar cristãos que estavam sofrendo perseguição e pensando em desistir da caminhada. Ele explica que Deus, sendo um pai amoroso, educa o filho para o “bem” e usa os momentos difíceis da vida não para nos punir, mas como um “treinamento” para nos tornar pessoas melhores e mais maduras. Embora a dor de agora seja real e triste, ela está moldando um futuro de paz (amizade com Deus) e equilíbrio (prudência e sabedoria). Por isso, vale a pena recuperar o fôlego, sacudir o desânimo e continuar seguindo em frente com firmeza, confiando em Cristo.

Reflita. [1] O que Deus, como um pai amoroso, está fazendo quando passamos por momentos difíceis? [2] Como você se sente ao saber que as dificuldades que enfrentamos não são um castigo, mas um treinamento divino para nos tornar melhores? [3] Se o objetivo desse “treinamento” é nos dar paz e sabedoria, por que você acha que é importante continuarmos firmes em Cristo, mesmo quando sentimos dor?

Talvez, você esteja sentindo que o peso da vida está insuportável, mas não desista. A vida nos dá “flores” (momentos bons e alegres), mas com elas, também “espinhos” (momentos doloridos e que nos deixam cicatrizes). No entanto, a vida não deve ser definida por extremos (“flores e espinhos”, ou “oito e oitenta”), pois ela é repleta de complexidades, detalhes quase invisíveis, mudanças constantes.

Diante disso, em vez de agirmos rápido demais, olhemos para a vida com mais calma e com melhor juízo. A beleza e a profundidade da vida estão justamente nos detalhes, os quais a gente não consegue explicar ou rotular. Caso não saibamos lidar com as “flores”, as fazemos morrer e, se não fizermos o mesmo com os “espinhos”, desistimos das “flores”.

Reflita. [1] A vida não é feita apenas de “flores”, mas também de “espinhos”. O que devemos fazer em vez de agirmos rápido demais diante dessas situações? [2] Você já sentiu que estava vivendo no “oito ou oitenta”? Como a ideia de olhar para os pequenos detalhes e as mudanças constantes pode ajudar você a encontrar mais equilíbrio hoje? [3] A meditação ensina que se não soubermos lidar com os “espinhos”, acabamos desistindo das “flores”. O que nós podemos concluir sobre a importância de aceitar os momentos difíceis para conseguirmos desfrutar das alegrias da vida?

O texto de Hebreus 12:10-12 foi escrito por volta de 60-68 d.C. para cristãos judeus que enfrentavam uma crise de identidade e perseguição. Eles estavam desanimados, com as “mãos pendentes” (v. 12). No sentido literal, o autor compara a disciplina de pais humanos com a disciplina pedagógica de Deus. A proposta desta meditação é entender que a provação não é um sinal de abandono divino, mas de investimento. Deus não é um carrasco; Ele é o Treinador, que nos prepara para a santidade.

Reflita. [1] A provação que nós passamos é um sinal de que Deus nos abandonou ou é um sinal de que Ele está investindo em nós? [2] Quando você se sente desanimado e com as “mãos cansadas”, como a ideia de que Deus é um “Treinador” que nos prepara muda a sua visão sobre o que você está vivendo agora? [3] Se o objetivo de Deus ao nos educar é nos levar à santidade (sermos parecidos com Ele), como nós podemos diferenciar um momento de sofrimento comum de um momento de treinamento espiritual?

1. Compreendamos e aceitemos o modo como Deus nos ensina

O nosso texto-base destaca que nossos pais terrenos nos corrigiam, segundo a sua concepção do que era certo ou correto (como bem lhes parecia) e, muitas vezes, baseados em humor ou limitações humanas. O que isso quer dizer? A disciplina dos pais terrenos é falível. Ela pode ser arbitrária, guiada por sentimentos passageiros (raiva, cansaço, irritação) ou por uma visão limitada do que é realmente correto. Portanto, ela nem sempre é boa ou proveitosa aos filhos.

Reflita. [1] Em que os pais terrenos “costumam” se basear para corrigir seus filhos, muitas vezes falhando nesse processo? [2] Você já viveu alguma situação, na qual foi corrigido por alguém que estava apenas irritado ou cansado? Como isso afetou a sua vontade de aprender ou mudar? [3] Se a disciplina humana pode ser falível e guiada por sentimentos ruins, por que nós precisamos aprender a confiar que o modo de Deus nos ensinar é diferente e sempre proveitoso?

Mas a disciplina de Deus é proveitosa, tanto ao nosso próprio “bem” como ao de outros. A palavra grega para “disciplina” ou “correção” significa o ato de “educar ou treinar um atleta ou uma criança”. Raramente, ela é punição destrutiva, mas uma educação formativa.

A disciplina divina, “por meio das provações”, procura abrir nossos olhos quanto à correção de nossos erros e, em certos momentos, Deus busca nos preparar para lidarmos com circunstâncias futuras. (vd. 2 Co.1:3,4)

Reflita. [1] O que a palavra original para “disciplina” ou “correção” realmente significa no texto e qual é o objetivo dela para nós? [2] Você consegue perceber em sua vida algum momento em que uma situação difícil não foi um castigo, mas sim um “treino” de Deus para você lidar com algo que viria depois? [3] Se a educação de Deus serve para o nosso bem e para o bem das outras pessoas, como nós podemos usar o que aprendemos na dor para ajudar alguém que está sofrendo agora?

A educação dos pais aos filhos é a base fundamental para o desenvolvimento humano, pois a família é o primeiro grupo social de uma criança.

  • Formação de valores e caráter. É no ambiente familiar que a criança aprende princípios como respeito, empatia, honestidade e responsabilidade, que guiarão suas decisões por toda a vida.
  • Desenvolvimento emocional. Um ambiente acolhedor e com limites claros promove a segurança emocional e a autoestima, prevenindo problemas como ansiedade e dificuldades de relacionamento no futuro.
  • Socialização e comportamento. Os pais são os principais modelos de conduta. A forma como interagem ensina à criança como se comportar em sociedade e como resolver conflitos de maneira construtiva.
  • Suporte ao aprendizado escolar. O incentivo dos pais e o acompanhamento da rotina escolar aumentam o interesse pelo conhecimento e melhoram o seu desempenho educacional.
  • Preparo para a vida. Uma educação equilibrada ensina a criança a lidar com frustrações, a fazer escolhas e a assumir as consequências de seus atos, preparando-a para os desafios da vida adulta.
  • Treino espiritual e exemplo moral. 📖 Eduque (treine, ensine, eduque) a criança no caminho (nos preceitos da Palavra de Deus, nos “bons” hábitos,) em que deve andar, e até o fim da vida (quando envelhecer) não se desviará (não se afastará) dele (do que é “bom”, conforme a definição do que Deus diz ser “bom, elevado, proveitoso e útil”). (Pv.22:6 NTLH – Ef.6:4; 2 Tm.3:14,15)

Reflita. [1] Quais são os princípios mencionados no texto, que a criança aprende na família e que servirão de guia para as decisões dela por toda a vida? [2] Compreendemos que os pais são os principais modelos de conduta. Como o nosso comportamento diário pode estar “falando” mais alto para os nossos filhos do que as nossas palavras? [3] Se treinar a criança no “caminho” significa ensinar os bons hábitos da Palavra de Deus, por que nós podemos confiar que esse investimento trará frutos, mesmo quando ela chegar à fase adulta?

Deus, em Seu amor, toma a iniciativa de nos moldar. Ele espera que O ouçamos, pois respeita nossa liberdade de escolha. Caso fraquejemos, Deus fará uso das circunstâncias para nos atrair de volta a Ele – ao Seu caminho. A disciplina prova que somos amados por Deus, pois Ele não é indiferente aos nossos erros. A Sua graça nos “educa” a renunciarmos a impiedade.

📖 Ó SENHOR Deus, felizes são aqueles que tu ensinas, aqueles a quem ensinas a tua lei! (Sl.94:12 NTLH)

📖 Eu corrijo e castigo todos os que amo. Portanto, levem as coisas a sério e se arrependam. (Ap.3:19 NTLH)

Reflita. [1] O que a disciplina divina prova acerca do que Deus sente por nós, já que Ele não é indiferente aos nossos erros? [2] Sabendo que Deus respeita a nossa liberdade de escolha, como você percebe a iniciativa de Deus tentando te “atrair de volta” quando você começa a fraquejar ou se desviar do caminho? [3] Se a graça de Deus serve para nos “educar”, a fim de renunciarmos ao que é errado, por que nós podemos dizer que ser corrigido por Ele é, na verdade, um motivo de felicidade e não de medo?

2. Sejamos perseverantes e seremos recompensados pelo SENHOR

O verso 11 admite que a disciplina não parece ser motivo de alegria no momento, “porém, mais tarde, os que foram corrigidos recebem como recompensa uma vida correta e de paz” [vd. Hb.10:35,36; Cl.3:23-25; Ap.22:11,12]. No verso 12, o comando é: “levantem as suas mãos cansadas [levantá-las para o ‘Alto’ – vd. Sl.134:2; 1 Tm.2:8] e fortaleçam os seus joelhos enfraquecidos [manter-se firme/perseverante na fé neste mundo, pelos recursos divinos – vd. Mt.24:13; Hb.10:36; 2 Tm.4:7].”

Isso nos lembra da responsabilidade humana e perseverança dos que se dedicam a Deus. Ele provê a instrução e o acompanhamento, a fim de que aprendamos a desfrutar da Sua força, mas cabe a nós “levantar as mãos” e “firmar os joelhos”. Deus espera que cooperemos com a graça.

Reflita. [1] Qual é a recompensa que recebem, mais tarde, aqueles que aceitam ser corrigidos por Deus? [2] Deus nos pede para “levantar as mãos cansadas” e “firmar os joelhos”. Em qual dessas duas áreas você sente que mais precisa da força de Deus hoje para não desistir? [3] Deus nos dá a força, mas cabe a nós o esforço de se “levantar e firmar”. Então, como nós podemos praticar essa cooperação com a graça de Deus no nosso dia a dia?

Quando, sob a provação, somos absorvidos pela amargura negligenciamos a recompensa e, ao aceitarmos o treino divino, somos aperfeiçoados e, recompensados pelo SENHOR, nós nos tornamos mais fortalecidos, prudentes e sábios. Hoje em dia, tanto no ambiente familiar como profissional, o comportamento mais comum e imediato é o vitimismo, mas a atitude de resiliência (domínio próprio e perseverança), baseada na confiança em Deus, é o que Ele espera de todos nós.

O profeta Isaías disse: 📖 Fortaleçam as mãos cansadas, deem firmeza aos joelhos fracos. (Is.35:3 NTLH)

Elifaz, um dos amigos de Jó, falou-lhe: 📖 3 Você ensinou muita gente e deu forças a muitas pessoas desanimadas. 4 Quando alguém tropeçava, cansado e fraco, as suas palavras o animavam a ficar de pé. (Jó 4:3,4 NTLH)

A orientação de Paulo: 📖 Não digam palavras que fazem mal (palavras inúteis) aos outros, mas usem apenas palavras boas (úteis), que ajudam os outros a crescer na fé e a conseguir o que necessitam (conforme as suas necessidades), para que as coisas que vocês dizem façam bem (a fim de que suas palavras, provenientes da graça divina, revelem a realidade de Deus e a Sua importância) aos que ouvem. (Ef.4:29 NTLH)

Reflita. [1] Quais são as três qualidades que nós desenvolvemos quando aceitamos o “treino divino” em vez de nos entregarmos à amargura? [2] Hoje em dia, é muito comum as pessoas caírem no “vitimismo”. Como você pode trocar a reclamação pela resiliência e confiança em Deus na sua rotina de trabalho ou em casa? [3] Compreendemos que nossas palavras devem ajudar os outros a crescer e revelar a realidade de Deus. Como o fato de estarmos “fortalecidos e firmes” nos ajuda a cumprir essa missão de animar quem está tropeçando?

Compreendamos que “a fé nem sempre nos livra dor, mas ela nos remete à confiança de que as provações têm propósitos momentâneos e eternos”. A dificuldade reside em alimentarmos o desejo em produzir “o Fruto” divino (a vida e as ações de Jesus) em cada situação. Somente em Cristo é que conseguimos desviar nossos olhos dos açoites da vida e, permanecendo Nele, seremos recompensados, tanto neste mundo como na Eternidade.

Reflita. [1] O que a fé faz por nós, já que ela nem sempre nos livra da dor? [2] Você acha difícil manter o desejo de produzir o “Fruto” (as atitudes de Jesus) quando está passando por uma situação de “açoite” ou sofrimento? [3] Se a afirmação que somente em Cristo conseguimos tirar os olhos dos problemas, o que nós precisamos fazer, de prático, para “permanecermos Nele” e recebermos a nossa recompensa eterna?

Conclusão:

Meu amado irmão e irmã em Cristo: se hoje você se sente como os “hebreus cristãos” do primeiro século, exausto e questionando o porquê de tanta luta, saiba que o Eterno não o abandonou, mas está trabalhando para o fortalecimento da sua alma.

As pressões machucam, mas guarde no coração o seguinte: “Não desanime, pois o desânimo é o pior dos conselheiros”. Ao decidirmos aceitar a educação do Pai Eterno, ainda que em meio às dores, nós nos oferecemos a Ele para que os Seus propósitos se cumpram por meio de nós. Portanto, aceitemos as Suas correções que nos preparam para situações futuras.

Reflita. [1] O que Deus está fazendo por você quando você se sente exausto e questionando o porquê de tantas lutas? [2] Você crê que “o desânimo é o pior dos conselheiros”? Em momentos de pressão, você tem parado para ouvir o desânimo ou tem buscado ouvir a voz do Pai Eterno, pelos princípios da Palavra de Deus? [3] Se nós aceitarmos a educação de Deus, mesmo em meio às dores, como isso pode nos ajudar a servir melhor aos propósitos de Deus no futuro?

A minha esperança é que confiemos em Cristo, o nosso Pai Eterno (Emanuel – Deus Conosco), nosso Mestre e Educador por Excelência. Portanto, que nos entreguemos à Sua vontade e permitamos que, sujeitos às Suas instruções, sejamos treinados a termos paz (amizade) com Deus, a paz que o mundo não entende e, por isso, não pode dar. Que o SENHOR o recompense pela sua confiança e fidelidade a Ele.

Que Deus nos abençoe!

Walter de Lima Filho