Cena bíblica ao pôr

Deus Pai, o educador por excelência – Parte 2: Navegando em tempos de crise

Texto-base: Marcos 4:35-37

📖 35 Naquele dia, de tardinha, Jesus disse aos discípulos: —Vamos para o outro lado do lago. 36 “Então eles deixaram o povo ali, subiram no barco em que Jesus estava e foram com ele; e outros barcos o acompanharam.” 37 De repente, começou a soprar um vento muito forte, e as ondas arrebentavam com tanta força em cima do barco, que ele já estava ficando cheio de água. (Mc.4:35-37 NTLH)

É necessário aprender a ouvir e confiar na voz Daquele que governa o mar em vez de focar apenas no tamanho das ondas assustadoras. Se Jesus deu a ordem de partida, o destino já está garantido. Atravessemos as tempestades da vida, confiando na Palavra de Deus e em Suas promessas, certos de que chegaremos ao porto seguro.

Reflita. [1] O que Jesus garantiu a nós no momento em que deu a ordem de partida? [2] Para você, o que significa focar na voz de quem governa o mar em vez de olhar para o tamanho das ondas? [3] Como nós podemos aplicar a confiança nas promessas de Deus para atravessar as tempestades que surgem no nosso dia a dia?

Introdução

Muitas vezes, interpretamos as crises ou provações como sinais de que saímos da rota de Deus e que estamos sob “uma punição” ou “castigo” divino. O texto de Marcos 4:35-37 nos mostra o contrário: os discípulos estavam exatamente onde Jesus ordenou e, mesmo assim, a tempestade veio. Lembre-se: não viva a vida pela filosofia do “oito ou oitenta”.

A proposta desta meditação é despertar a confiança de que as tempestades da vida não são acidentes de percurso, mas salas de aula divinas. O desejo de Deus é que nós não apenas sobrevivamos às crises, mas que, por meio delas, amadureçamos e reconheçamos que a presença de Cristo no barco é superior à fúria do vento.

Reflita. [1] De acordo com o texto bíblico, os discípulos estavam no lugar certo ou tinham saído da rota de Deus quando a tempestade chegou? [2] Por que nós costumamos pensar que crises são sempre um “castigo” e como a ideia de que a tempestade é uma “sala de aula” muda essa visão? [3] Se a presença de Jesus no barco é superior à fúria do vento, como você acha que nós devemos reagir quando as coisas saem do nosso controle?

Contexto Bíblico

O registro de Marcos 4 ocorre aproximadamente no ano 28 d.C., no Mar da Galileia. Este mar é conhecido por tempestades repentinas e violentas devido à sua geografia (abaixo do nível do mar e cercado por montanhas). Jesus acabara de ensinar multidões por meio de parábolas e, ao cair da tarde, decide levar Seus discípulos para o “outro lado”, na região dos gadarenos. O texto foi registrado para provar a divindade de Cristo e Sua autoridade absoluta sobre a criação, ensinando que, para O seguir, a fé ativa ou constante diante do caos é necessária.

Reflita. [1] Para qual região Jesus decidiu levar os discípulos ao cair da tarde, logo após ensinar as multidões?  [2] Aprendemos que o Mar da Galileia tem tempestades repentinas por causa da sua geografia. Como você se sente ao saber que até o “caos” da natureza está debaixo da autoridade de Jesus? [3] Se o objetivo do texto bíblico é provar a divindade de Cristo, o que nós podemos concluir sobre o tipo de fé que precisamos ter quando enfrentamos situações que parecem fora de controle?

1. Segundo Jesus, o destino é mais importante do que o trajeto e as tempestades que nele ocorrem

Jesus não foi pego de surpresa. Como o Deus encarnado, Ele sabia que o vento sopraria. A tempestade não foi um erro de logística, mas uma ferramenta pedagógica. O autor nos mostra que Jesus usa as circunstâncias difíceis para nos levar além da teoria. Deus respeita nossas escolhas, mas nos convida a cooperar com Sua graça, exercendo nossa vontade para confiar Nele em meio às provações ou crises. Precisamos crer na Sua “educação formativa”: Deus permite desafios para que a nossa fé saia do campo das ideias e se torne viva e prática.

“Se soubéssemos o que Deus sabe, escolheríamos o caminho que Ele escolheu para nós.” (WLF)

Reflita. [1] De acordo com o texto bíblico, a tempestade foi um erro de logística ou uma ferramenta usada por Jesus para nos ensinar? [2] Se nós soubéssemos tudo o que Deus sabe, como você acha que isso mudaria a nossa forma de encarar os caminhos difíceis que Ele escolhe para nós? [3] Compreendemos que Deus usa desafios para tirar a nossa fé do “campo das ideias”. Como nós podemos cooperar com a graça de Deus para tornar a nossa fé mais prática durante uma crise?

Ao enfrentar uma crise, pergunte: “O que o SENHOR quer que eu aprenda aqui?” em vez de apenas: “Por que eu?”. Usemos as crises para exercitarmos a oração e a paciência, a fim de, segundo a vontade de Deus, sermos mais confiantes, pacientes e sábios. Observemos dois textos bíblicos:

📖 Quando você atravessar águas profundas, eu estarei ao seu lado, e você não se afogará. Quando passar pelo meio do fogo, as chamas não o queimarão. (Is.43:2 NTLH)

📖 2 Meus irmãos, sintam-se felizes quando passarem por todo tipo de aflições. 3 Pois vocês sabem que, quando a sua fé vence essas provações, ela produz perseverança. 4 Que essa perseverança seja perfeita a fim de que vocês sejam maduros e corretos, não falhando em nada! (Tg.1:2-4 NTLH)

O fogo do ourives nos ensina que o ouro não é destruído pelas chamas, mas é apenas purificado, para que a escória seja removida e tanto o brilho como a pureza original do metal apareçam.

Reflita. [1] Segundo o texto de Tiago, o que é produzido em nós quando a nossa fé vence as provações? [2] Em vez de perguntar “Por que eu?”, o autor sugere perguntarmos: “O que o Senhor quer que eu aprenda?”. Como essa mudança de pensamento nos ajuda a enfrentar as “águas profundas” da vida? [3] Usando o exemplo do ouro no fogo, o que nós podemos concluir sobre o objetivo final de Deus ao permitir que passemos por momentos de aflição?

2. Segundo Jesus, as tempestades não impedem que a Palavra de Deus se cumpra

O ponto central da crise dos discípulos foi o esquecimento da promessa – a Palavra de Jesus. Jesus disse: “Passemos para o outro lado”, e não “Vamos tentar atravessar o mar; talvez, morrer no meio do caminho”. A Fidelidade de Deus nos ensina que, embora tenhamos a liberdade de hesitar, a Palavra de Deus permanece inabalável. Se Ele deu o destino, Ele garante a chegada, desde que confiemos Nele e permaneçamos plenamente fiéis ao que Dele ouvimos e aprendemos.

Reflita. [1] O que Jesus disse exatamente aos discípulos antes de subirem no barco, indicando que eles chegariam ao destino? [2] Cremos que nós temos a liberdade de hesitar, mas a Palavra de Deus é inabalável. Como essa verdade pode acalmar o nosso coração quando sentimos medo do futuro? [3] Se a chegada está garantida por Deus, o que se espera de nós durante o trajeto para que a nossa confiança Nele permaneça viva?

A nossa segurança não reside na ausência de crises e hesitações, mas na presença do Mestre e na autoridade de Sua Palavra. Nossa responsabilidade é sujeitar nossa vontade à soberania Dele, mantendo a esperança viva mesmo quando o barco está “ficando cheio de água”.

“A fé não é a crença de que Deus fará o que você quer, mas a confiança de que Ele fará o que é certo.”Max Lucado

Ao longo de seus dias, liste as promessas bíblicas sobre o cuidado de Deus. Quando o medo surgir, declare em voz alta o que Deus disse, e não o que o sentimento do medo lhe diz.

Reflita. [1] Em meio às dificuldades, onde a nossa verdadeira segurança reside? [2] A frase de Max Lucado diz que a fé não é Deus fazer o que nós queremos, mas confiar que Ele fará o que é certo. Como esse pensamento nos ajuda a lidar com o medo quando o nosso “barco está enchendo de água”? [3] A meditação sugere listar promessas bíblicas e declará-las em voz alta. Na sua opinião, por que declarar o que Deus diz é mais eficaz do que apenas ouvir o que o nosso medo está sentindo?

A Palavra de Deus nos diz o seguinte:

📖 Deus não é como os homens, que mentem; [Ele] não é um ser humano, que muda de ideia. Quando foi que Deus prometeu e não cumpriu? Ele diz que faz e faz mesmo. (Nm.23:19 NTLH)

📖 Guardemos firmemente a esperança da fé que professamos, pois podemos confiar que Deus cumprirá as suas promessas. (Hb.10:23 NTLH)

Creia que as promessas de Deus são como a âncora de um navio. Ela não elimina o forte balanço do barco causado pelas ondas, mas impede que ele seja arrastado para longe e se destrua nas rochas.

Reflita. [1] De acordo com o texto de Números, qual é a diferença entre Deus e os seres humanos quando se trata de cumprir uma promessa? [2] A meditação compara as promessas de Deus à âncora de um navio. Pensando nisso, por que nós precisamos dessa “âncora” mesmo quando já estamos dentro do barco com Jesus? [3] Se podemos confiar que Deus sempre cumpre o que diz, como essa certeza nos ajuda a “guardar firmemente a esperança” quando as circunstâncias ao nosso redor parecem dizer o contrário?

Concluindo:

Atravessar tempestades faz parte do plano de Deus, a fim de nos levar a um novo nível de intimidade e serviço. Jesus está no nosso “barco”. Ele conhece o vento, domina as águas e, desde a saída, já decretou a nossa chegada ao outro lado. No entanto, não permitamos que o medo paralise o nosso raciocínio, mas deixemos que a Palavra de Cristo seja o leme da nossa vida.

Confiando Nele, navegaremos em tempos de crises e delas sairemos mais fortes, mais fiéis e mais convictos de que o SENHOR Jesus é o Deus Soberano e Aquele que nos fortalece em tempos de tempestades – nas provações.

Reflita. [1] O que Jesus já decretou sobre nós desde o momento da nossa saída? [2] Aprendemos que as tempestades fazem parte do plano de Deus, a fim de nos levar a um novo nível de intimidade. Como você vê a diferença entre apenas “sobreviver” a um problema e sair dele “mais forte e convicto”? [3] Se a nossa responsabilidade é não deixar o medo paralisar o nosso raciocínio e usar a Palavra como leme, que atitude prática nós devemos tomar para que Jesus realmente guie a nossa vida nas crises?

Que Deus nos abençoe!

Walter de Lima Filho