Pessoa em porta ilum

O passado ainda vive no presente

Crônica elaborada por Walter de Lima Filho

Hoje é 9 de março de 2026. O cheiro do café recém passado preenchia a cozinha, enquanto Lucas deslizava o dedo freneticamente pela tela do celular, disse ao seu avô. “Vô, olha isso!”, exclamou o jovem, mostrando um vídeo sobre inteligência artificial e cidades flutuantes. Então, o neto questiona seu avô: “O mundo está mudando muito rápido. Às vezes parece que a tecnologia vai resolver todos os nossos problemas. O senhor acha que Deus é contra esse avanço todo?”

O velho Joaquim baixou o olhar para a xícara fumegante, deu um gole no seu café e sorriu com a serenidade de quem já viu muitas marés subirem e descerem.

O avô disse ao neto: — “Contra a tecnologia atual, meu neto? Jamais. Foi o próprio Criador quem soprou no homem o fôlego da vida e nos deu a capacidade de criar. O problema não é o que as mãos do homem constroem, mas o que o coração dele destrói no processo.”

Joaquim afastou o celular de Lucas gentilmente, como quem limpa o caminho para uma verdade maior. “O PASSADO AINDA VIVE NO PRESENTE, Lucas. JESUS NOS ALERTOU EM MATEUS 24 QUE OS DIAS QUE ANTECEDEM SUA VOLTA SERIAM, EXATAMENTE, COMO OS DIAS DE NOÉ. Naquela época, a população crescia e as cidades se expandiam, mas o ser humano se embriagou de si mesmo e de suas escolhas. Eles comiam, bebiam e se casavam, ignorando que a liberdade sem Deus, ao buscar apenas o prazer para esta vida, é o caminho mais curto para a escravidão moral.”

Então o neto disse: — “Mas vô, hoje somos muito mais evoluídos…”, interrompeu o jovem.

— “Será?”, questionou o avô e este continuou: “A tecnologia avançou, mas as paixões humanas continuam as mesmas: brutais e perversas. O homem usa a inteligência para encurtar distâncias físicas, mas nunca esteve tão longe do próximo e de Deus. Como disse o teólogo e filósofo Tomás de Aquino, a misericórdia sem justiça gera bagunça, e é isso que vemos: uma sociedade que chama o egoísmo de liberdade. A nossa liberdade de escolha pode realizar o mal sozinho, mas para executar o bem, ou o que de fato é bom, precisamos desesperadamente da ajuda divina.”

Joaquim olhou fixamente nos olhos do neto e com a voz carregada de uma advertência amorosa, disse ao neto: “Noé não pregou apenas com palavras; ele pregou com o suor de cada martelada na madeira. Ele entendeu que a verdadeira tragédia não é a água que sobe, mas a rejeição ao amor e à santidade de Deus. O pecado é uma ferrugem que corrói a estrutura da alma até o colapso. Se você aplicar sua inteligência apenas para conquistar o mundo, se esquecendo do Criador, estará apenas construindo um castelo na areia antes da tempestade.”

Segurando as mãos do neto, avô concluiu: “O segredo de uma vida de paz reside na amizade honesta e sincera com Deus. Meu neto, saiba que a conquista de uma vida bem-sucedida e da eternidade, não está, propriamente, nos avanços da inteligência humana e nos seus avanços tecnológicos, mas no cumprimento do Evangelho de Cristo: amar primeiramente a Deus e a seguir, ‘fazer’ o bem ao próximo, como ‘faria’ a si mesmo. Meu querido neto, não deixe sua sensibilidade ao Espírito Santo de Deus ser cauterizada pelas luzes deste século.”

O velho pediu ao jovem que atentasse ao seguinte: “Não espere a porta se fechar para reconhecer o ‘caminho’, no qual você deve andar. A paciência de Deus é um porto seguro, mas o Seu juízo é como uma maré inevitável, que recolhe toda sujeira humana deixada na areia de uma praia, a fim de que o homem não encontre desculpas por tê-la sujado. Escolha manter-se debaixo da graça divina, ande conforme a vontade de Deus, antes que o tempo se esgote e a porta para a eternidade se feche!”

Vamos orar:

“SENHOR, meu Criador e Redentor, Bendito seja o Teu Nome para todo o sempre. Eu reconheço que a minha inteligência é um dom que de Ti me foi dado, mas admito que muitas vezes me perco nas luzes do mundo e me esqueço de Ti. Eu Te peço: não permitas que o meu coração se cauterize pela autogratificação ou pelo orgulho tecnológico.

Eu desejo que a minha liberdade seja sempre guiada pela Tua graça, pois sei que, sem Ti, sou escravo dos meus próprios desejos. Ajuda-me a amar-Te sobre todas as coisas e a enxergar o meu próximo com a Tua compaixão. Que a minha vida não seja uma repetição dos erros do passado, mas um testemunho de fidelidade enquanto aguardo o Teu retorno glorioso. Em nome de Jesus, Amém!”

Que o Santíssimo e Eterno Deus abençoe sua vida nesta semana.

Seu amigo e irmão em Cristo, Walter.

Walter de Lima Filho