Crônica elaborada por Walter de Lima Filho
Hoje é dia 30 de março de 2026. Muito obrigado por dedicar um pouquinho do seu tempo para ler ou ouvir esta crônica. Eu peço a Deus que abençoe sua vida. Então…
O café sobre a mesa do pastor já estava frio, mas o clima no escritório era de pura efervescência. Um pequeno grupo, composto por homens e mulheres entusiasmados, gesticulava com catálogos de iluminação e referências de redes sociais. A pauta era única: “relevância”.
— Pastor, entenda, o mundo mudou — disse uma das jovens, com os olhos brilhando. — Precisamos de um ambiente mais contemporâneo. Se modernizarmos o prédio, trouxermos um louvor com pegada profissional, de show mesmo, e encurtarmos as mensagens para algo mais motivacional, a igreja vai explodir de gente.
Outro completou, ajustando os óculos: — O povo está cansado de doutrinas pesadas. Querem terapia, mensagens positivas, algo que os faça sair daqui sentindo que podem conquistar o mundo. Esse modelo congregacional, de todo mundo cantando junto, parece meio… antiquado, entende?
O pastor ouviu tudo em silêncio. No seu olhar, não havia irritação, apenas uma misericórdia profunda, de quem já viu muitas modas passarem enquanto a Rocha permanece. Ele buscou sua Bíblia, aberta em Mateus 5, e sorriu levemente.
— Meus irmãos — começou ele, com voz serena —, eu entendo o desejo de vocês de verem esta casa cheia. Mas precisamos olhar para a essência da nossa missão. Jesus não nos chamou para sermos o “show” do momento, mas para sermos sal e luz.
Ele fez uma pausa, deixando a ideia ecoar.
— O sal não faz barulho. Ele trabalha em silêncio, preservando o que está em decomposição e limpando feridas. Na cultura antiga, o sal era o que garantia a sobrevivência. Já a luz não serve para que as pessoas olhem para a lâmpada, mas para que vejam o que está ao redor e encontrem o caminho. Quando focamos em luzes de palco e entretenimento, corremos o risco de ofuscar a glória de Deus com o nosso próprio brilho.
O grupo se calou. O pastor continuou e gesticulando para a janela que dava para a rua movimentada: — Se oferecermos apenas um culto emocional e positivista, podemos até lotar os bancos. Mas reparem no que está acontecendo hoje: as denominações competem por inovações como se fossem franquias. Os cristãos correm de um lado para o outro atrás do que gostariam de ouvir e cantar, mas por dentro continuam vazios. Estão “comendo” entretenimento e passando fome de eternidade.
Ele olhou nos olhos de cada um ali presente.
— Se o sal perde o gosto por se misturar com as filosofias do tempo presente, ele não serve para mais nada. Perde a utilidade para o Reino. Se nos tornarmos iguais ao mundo para tentar “ganhar” o mundo, o que teremos para oferecer a ele que ele já não tenha? A nossa diferença é justamente o que o mundo não consegue ignorar.
A pergunta final pairou no ar, densa e transformadora:
— E então? Seguiremos a clareza e a integridade da Palavra, transmitindo verdades que realmente transformam o caráter, ou vamos apenas entreter as pessoas com métodos inovadores enquanto elas caminham no escuro?
Naquele momento, o catálogo de luzes sobre a mesa pareceu subitamente sem brilho perto da luz que emanava de uma vida verdadeiramente entregue ao serviço do Pai.
Vamos orar: “SENHOR, não permitas que o meu desejo de ser aceito pelo mundo, apague a luz da Tua verdade em mim. Ajuda-me a ser sal que preserva e purifica, preferindo sempre a integridade do Teu Evangelho ao brilho passageiro das novidades humanas. Em nome de Jesus, Amém!”
Desejo a todos uma semana abençoada.
Seu amigo e irmão em Cristo, Walter.