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Guarda o teu coração

Crônica de Walter de Lima Filho
 
Se você caminhar por uma calçada movimentada de uma grande cidade brasileira, verá de tudo um pouco. Mães apressadas desviando dos camelôs, motoristas furiosos no trânsito e jovens de olhos grudados na tela do celular, engolindo sem mastigar cada tela, provocações e propagandas de felicidade instantânea. Somos um povo caloroso, emotivo e intensamente exposto aos ruídos do mundo. No entanto, por trás dos sorrisos largos e das conversas nos cafés, esconde-se um cansaço profundo. A alma brasileira, muitas vezes, parece uma praça aberta, onde qualquer um entra, pisa e deixa o lixo que quiser.
 
Certa vez, observei um homem idoso cuidando com esmero de se pequeno poço em sua casa. A cidade ao redor estava coberta de poeira e fuligem, mas ele o limpava e protegia o reservatório com uma dedicação quase sagrada. Quando perguntei o motivo de tanto zelo, ele sorriu e me deu uma resposta simples: “Se a sujeira entrar no poço, a gente toma água contaminada o dia inteiro sem perceber e água suja adoece a casa toda.”
 
A psicologia moderna gasta anos tentando ajudar as pessoas a lidarem com a ansiedade e o esgotamento, mas Jesus já nos mostrava o caminho com uma clareza impressionante. Ele nunca culpou a poeira da rua pela sujeira do poço. Em uma sociedade religiosa que se preocupava apenas com as aparências externas, Jesus fez algo revolucionário: Ele olhou para dentro. Ele nos ensinou que a nossa saúde mental, emocional e espiritual não é fruto do acaso ou da sorte, mas brota diretamente daquilo que deixamos habitar o nosso interior.
 
Na cultura bíblica, o coração não é um saco de sentimentos descontrolados, mas a sala de controle da vida. É a mente, o lugar onde a inteligência e a vontade se encontram para tomar decisões. Deus nos criou como seres livres. Ele não nos trata como robôs sem vontade; Ele nos dá a dignidade e a responsabilidade de escolher o que vai entrar e o que vai permanecer em nossa mente. Nós não podemos impedir que o barulho do trânsito ou a provocação de um vizinho cheguem até os nossos ouvidos. Porém, Deus nos capacitou a decidir se vamos transformar esse barulho em amargura ou se vamos filtrar essas impressões à luz da verdade.
 
A psicologia da saúde nos lembra que pensamentos amargos e remoídos geram corpos doentes e relacionamentos quebrados. Quando guardamos o nosso coração, não estamos praticando um isolamento frio, mas exercendo uma escolha diária de amor e cuidado sob a orientação do Espírito Santo e da Palavra de Deus. O amor de Deus bate à porta e nos oferece a água viva para limpar a fonte. Mas a chave da porta da nossa mente está do lado de dentro. A responsabilidade de dizer “sim” à graça e “não” ao envenenamento da alma é nossa.
 
Guarde a sua mente com o carinho de quem cuida da própria casa. Quando o coração é protegido e alimentado pelos ensinamentos de Jesus, o ruído da cidade grande perde o poder de nos arrastar para o que desagrada a Deus e ao que nos prejudica. Lembremos que nossa alma é comparada a uma fonte de onde fluem a paz, o discernimento e uma vida verdadeiramente cheia de fé, amor e esperança.
 
Deus abençoe sua vida e toda a sua família.

Seu amigo e irmão, Walter.

Walter de Lima Filho