Mãos ao pôr do sol

Sal e luz, a missão da Igreja e do cristão

Texto-base: Mateus 5:13-16

📖 13 —Vocês são o sal para a humanidade; mas, se o sal perde o gosto, deixa de ser sal e não serve para mais nada. É jogado fora e pisado pelas pessoas que passam. 14 —Vocês são a luz para o mundo. Não se pode esconder uma cidade construída sobre um monte. 15 Ninguém acende uma lamparina para colocá-la debaixo de um cesto. Pelo contrário, ela é colocada no lugar próprio para que ilumine todos os que estão na casa. 16 Assim também a luz de vocês deve brilhar para que os outros vejam as coisas boas que vocês fazem e louvem o Pai de vocês, que está no céu. (Mt.5:13-16 NTLH)

[Paráfrase – WLF] 14,15 — “Vocês foram chamados por Deus para serem o antisséptico deste mundo em decomposição e o farol para os que caminham na escuridão. 15 —Não permitam que as ideologias do tempo presente contaminem o seu sabor e brilho bíblico e vocês venham esconder a Luz divina, acreditando ser esse o meio para não ser julgado e rejeitado pelo mundo. Se vocês se tornarem iguais ao mundo para ganharem o mundo, vocês já perderam a utilidade. 16 —Deixem que tanto a verdade como a clareza da Palavra e a integridade da vida de vocês brilhem de tal forma que, ao observarem suas ações, as pessoas não vejam apenas um sistema religioso, mas reconheçam a glória do Pai que está nos Céus e Ele se torne conhecido na Terra.”

Reflita. [1] Quais as funções específicas que nós devemos exercer neste mundo, conforme o chamado que recebemos de Deus? [2] Se a gente começar a agir e pensar à semelhança do “mundo”, a fim de não sermos rejeitados pelas pessoas, o que acontece com a nossa utilidade para o Reino? [3] Olhando para o final do texto, qual deve ser o resultado principal das nossas boas escolhas e da nossa integridade na vida diária?

Base teológica:

Tudo começou com Deus criando os céus e a terra (Gn.1:1). Mas, em algum momento, aquele cenário perfeito deu lugar ao vazio, ao caos ou à desordem (Gn.1:2). Foi aí que vimos a primeira grande demonstração do cuidado divino: ao dizer Haja luz (Gn.1:3), Deus não estava apenas iluminando um espaço escuro. Ele estava manifestando a Sua glória para colocar cada coisa em seu devido lugar – em ordem, transformando o caos em uma criação cheia de vida e propósito.

No propósito de estabelecer o Seu Reino na Terra, Deus criou a humanidade (homem e mulher, Adão e Eva) como representante e agente (“sal”) de Seu governo (compartilhando a “luz divina”) sobre a criação (Gn.1:26-28). O homem (a raça humana) foi comissionado para expandir essa ordem divina, agindo como sal e refletindo a luz divina sobre a Terra. Contudo, ao desobedecer ao Criador (Gn.3), Adão e Eva falharam em sua missão original (de serem ‘sal e luz’), permitindo que o pecado corrompesse a eles e toda raça humana, na função de agentes restauradores (“sal e luz”) em relação ao propósito divino.

O propósito divino se repete na vinda Jesus à Terra, identificando-se como a Palavra de Deus, a “fonte da Vida” e a “Luz” para a humanidade – para todos os seres humanos (Jo.1:1-5). No entanto, a humanidade O rejeitou, preferindo a “escuridão” – o caos, a desordem moral e espiritual (Jo.3:19,20). Jesus, diferentemente de Adão, não falhou na Sua missão (1 Pe.2:22; Hb.4:15; 7:26; 1 Jo.3:5-10). Jesus, sobre a Terra, estabelece a sua Igreja e, por meio dos que a compõem, dá a missão de agente divina para a restauração da raça humana (Mt.28:16-20; Mc.15:15-20).

Em síntese: enquanto a desobediência do primeiro Adão trouxe o caos e a desordem para a nossa história, Jesus chegou como a verdadeira “Luz” para colocar cada coisa em seu devido lugar por meio da Sua vida perfeita (Hb.7:26). Mesmo quando o mundo Lhe deu as costas, Ele não desistiu de nós. Pelo contrário: Ele confiou à Sua Igreja a missão de ser Sua mão estendida (ser o sal à humanidade), chamando cada pessoa de volta para casa e trabalhando na restauração da nossa humanidade por meio do Evangelho.

Jesus nos chamou para uma missão prática: sermos sal e luz. Isso significa que nossa fé não é algo para ficar guardado. Pela graça de Deus, fomos chamados para influenciarmos pessoas ao nosso redor, para lhes dar clareza e cura, assim como preservar o sabor e os valores eternos em um mundo que, muitas vezes, perde-se no egoísmo.

Reflita. [1] Como Seus seguidores, o que Jesus espera que nós sejamos, na prática? [2] Como você tem usado a liberdade que Deus te deu para ser “tempero” e “clareza” na vida de quem convive com você? [3] Se a nossa fé serve para preservar valores e curar feridas, o que nós podemos concluir sobre a importância das nossas atitudes no dia a dia?

1. O “sal”: muito além do tempero

O sal, na cultura judaica, não servia apenas para tornar o alimento mais agradável ao paladar, mas também era amplamente utilizado para limpar feridas e prevenir infecções. O sal era usado na preservação de alimentos, impedindo a sua putrefação. O sal servia para limpar a pele do bebê recém-nascido para remover impurezas e atuar como um agente bactericida natural, endurecendo a pele e protegendo-o contra infecções em um mundo sem antibióticos. Na cultura antiga, uma criança não lavada e não salgada era alguém sem valor, sem família e sem direitos (vd. Ez.16:4).

Seguindo o princípio de que o sal purifica, o Antigo Testamento exigia que toda oferta de cereais fosse temperada com sal quando fosse oferecida ao SENHOR. (cf. Lv.2:13). O sal eliminava a impureza e selava a Aliança de Deus — a “Aliança de Sal”, algo incorruptível e duradouro.

Reflita. [1] Além de dar sabor, quais eram as outras funções vitais do sal na cultura antiga que o texto menciona? [2] Se o sal servia para dar valor e proteger o recém-nascido, como nós podemos usar nossa influência para devolver a dignidade e o cuidado às pessoas que o mundo despreza? [3] Pensando que o sal selava uma “Aliança Incorruptível”, o que nós podemos concluir sobre o tipo de caráter que Deus espera que a gente demonstre em nossos relacionamentos?

Assim como o sal limpava feridas, prevenia infecções, removia impurezas e evitava a corrupção do alimento, o cristão atua como um agente que freia a maldade e traz o “gosto” da bondade divina à sociedade. Essa influência não vem de nós mesmos, mas da nossa comunhão com o SENHOR, que nos capacita a viver com integridade (cf. Lv.2:13; Cl.4:6).

Na cultura do Oriente Médio, na época de Jesus (na Antiga Aliança), denominar alguém como sendo “sal” significava que aquela pessoa era essencial à sobrevivência de um povo e de uma nação. Jesus, ao nos chamar de “sal”, significa que somos essenciais a Ele e ao Seu Reino.

Reflita. [1] De onde vem a nossa capacidade de viver com integridade e influenciar o mundo ao nosso redor? [2] Se o sal serve para “frear a maldade”, como nós podemos agir de forma prática para interromper fofocas, injustiças ou o egoísmo nos lugares onde frequentamos? [3] Ao entender que Jesus nos considera “essenciais”, o que nós podemos concluir sobre a responsabilidade de manter a nossa comunhão com Ele em dia?

📖 13 —Vocês são o sal para a humanidade [Vocês são essenciais à humanidade e à Terra]; mas, se o sal perde o gosto [devido à mistura com filosofias estranhas à Palavra de Deus], deixa de ser sal e não serve para mais nada [perde o discernimento espiritual e se torna inútil para o Reino de Deus]. É jogado fora e pisado pelas pessoas que passam [Quem perde sua relevância moral e espiritual – “justiça e bondade” – não serve nem como adubo à terra, mas é jogado no pavimento do Templo e é pisado pelos religiosos para que eles não pisem em buracos e não escorreguem nos dias chuvosos]. (NTLH)

Reflita. [1] O que faz com que o sal perca o seu gosto e se torne inútil para o Reino de Deus, segundo o texto? [2] Se o sal que não salga acaba sendo pisado pelas pessoas, como nós podemos proteger a nossa mente e o nosso coração de “misturas” que tiram a nossa relevância espiritual? [3] Ao entender que o sal sem sabor não serve nem para adubo, o que nós podemos concluir sobre a importância de mantermos o discernimento bíblico em nossas escolhas?

Como podemos ser sal em uma sociedade com ideias tão opostas e sem sabor? A bondade e o ensino bíblico falam por si. Assim como o sal, que trabalha em silêncio para dar sabor, a gente não precisa de barulho, ou gritar. O que importa é temperar nossos relacionamentos com a verdade e a misericórdia do Evangelho de Cristo.

2. A luz dá visibilidade e orientação

📖 14 —Vocês são a luz [em meio à escuridão moral, Deus os chamou para que reflitam o Seu caráter, Sua instrução e sabedoria] para o mundo. Não se pode esconder uma cidade construída sobre um monte [durante a escuridão da noite, é impossível ocultar o brilho de uma cidade “assentada sobre uma montanha”]. (NTLH)

Reflita. [1] De acordo com o que lemos, o que nós devemos refletir como “luz do mundo”, conforme o chamado que recebemos de Deus? [2] Se é impossível esconder uma cidade no alto de um monte à noite, como o nosso caráter e as nossas escolhas podem “iluminar” as pessoas que estão perdidas em meio à falta de esperança? [3] Pensando que a luz serve para dar direção e clareza, o que nós podemos concluir sobre a nossa missão de não ocultar a sabedoria que recebemos de Deus?

A luz não existe para ser vista, mas para que todos consigam ver o que está ao redor. No entanto, no aspecto espiritual e moral, a luz divina não terá eficácia sem que tenhamos a compreensão que devemos ser “sal” – essenciais para Deus e aos Seus propósitos.

Quando somos capazes de refletir a bondade e a justiça divina, por meio de nossas atitudes, as pessoas reconhecerão e exaltarão o “Pai” e não a nós (cf. verso 16). Somos apenas portadores de uma esperança que dissipa as trevas do pecado (o alvo errado e que não foi estabelecido por Deus), do medo e da incerteza, brilhando com a confiança de que Deus transformará aos que O ouvirem e O aceitarem, tornando-se “filhos da Luz”. (cf. Is.60:1; Ef.5:8).

Reflita. [1] Qual é o principal objetivo de deixarmos a nossa luz brilhar diante das pessoas? [2] Se a luz não existe para ser vista, mas para que os outros vejam o que está ao redor, como nós podemos agir com bondade sem buscar o aplauso para nós mesmos? [3] Ao entender que somos “portadores de esperança” que dissipam o medo e a incerteza, o que nós podemos concluir sobre o impacto que uma vida transformada por Deus causa na sociedade?

Deus nos chamou em Cristo, para que, por meio dele, façamos a diferença e irradiemos a “Luz” que o mundo nunca conseguirá apagar. Que nossas vidas sejam o rastro profundo da glória (da grandeza e o esplendor) de Deus na Terra.

Nosso desafio é compreender que somos embaixadores em nome de Cristo, falando à humanidade em Seu favor (cf. 2 Co.5:20). Portanto, em vez de buscarmos brilhar por esforço próprio, devemos — com justiça e bondade — auxiliar o próximo a identificar, sob a Luz divina, as barreiras do pecado, do orgulho e do egoísmo. Que permitamos à Palavra e ao Espírito de Deus fluir livremente através de nós, gerando frutos de benefício eterno a muitos.

Reflita. [1] Qual é o nosso verdadeiro papel como cristãos em relação à humanidade [2] Como nós podemos usar a “justiça e a bondade” para ajudar alguém a identificar o orgulho ou o egoísmo sem que pareça um julgamento pessoal, mas sim um auxílio da Luz divina? [3] Ao compreendermos que a nossa vida deve ser um “rastro da glória de Deus”, o que nós podemos concluir sobre a importância de deixarmos o Espírito Santo agir livremente por nosso intermédio?

O que Deus espera de nós?

  • Relacionamento sincero: é a sua comunhão com Deus que alimenta o seu brilho. Sem a fonte, a lâmpada apaga ( Sl.27:1; Jo.8:12).
  • Integridade como padrão: sua ética no trabalho e na família é o ‘sal’ que freia a corrupção ao seu redor ( Pv.11:3; Fp.2:15).
  • Confiança em meio à tempestade: sua segurança em Deus, mesmo em tempos difíceis, é uma luz que impressiona os perdidos ( Sl.42:11; Jo.14:27).
  • Generosidade prática: o Reino de Deus se manifesta quando sua conduta é justa e voltada para o eterno benefício divino oferecido ao próximo ( Zc.8:16; Gl.6:10).

Reflita. [1] Quais são os quatro pontos que o texto destaca como expectativas de Deus para a nossa vida? [2] Se a nossa segurança em Deus em tempos difíceis é uma luz que impressiona os perdidos, como nós podemos demonstrar essa paz quando as coisas não saem como planejamos? [3] Ao entendermos que o Reino se manifesta por meio da nossa conduta justa e generosa, o que nós podemos concluir sobre a relação entre a nossa fé e o tratamento que damos ao próximo?

Que Deus nos abençoe!

— SETE DIAS PARA SER DIFERENTE —

Segunda-feira: o valor da essência

Leia Mateus 5:13

No mundo antigo, o sal era o que garantia que a vida continuasse, pois ele impedia a podridão. Hoje, comece sua semana entendendo que sua presença no trabalho ou na faculdade não é por acaso. Você é o “antisséptico” espiritual ali. Onde houver fofoca, amargura ou desonestidade, que sua integridade seja o sal que freia essa decomposição.

  • Reflexão: como posso trazer o “gosto” da bondade de Deus para a minha primeira conversa de hoje?

Terça-feira: o perigo da mistura

Leia Mateus 5:13

O sal só para de salgar se for misturado com impurezas. Às vezes, para “parecer legal” ou ser aceito por grupos que não compartilham dos nossos valores, acabamos diluindo nossa fé. Se nos tornamos iguais ao sistema mundano, perdemos nossa utilidade. Mantenha sua identidade bíblica intacta.

  • Reflexão: existe alguma ideia ou hábito atual que está “tirando o sabor” da minha vida espiritual?

Quarta-feira: brilhando sem esforço

Leia Mateus 5:14

Uma cidade no alto de um monte não faz força para brilhar. Ela simplesmente brilha porque está acesa. A vida cristã não deve ser um peso de “tentar parecer santo”, mas o resultado natural de estar cheio do Espírito. Se você estiver conectado à Fonte, sua luz aparecerá naturalmente nos momentos de crise.

  • Reflexão: hoje, em vez de tentar brilhar por esforço próprio, peça a Deus que a luz Dele flua através de você.

Quinta-feira: fora do cesto

Leia Mateus 5:15

Às vezes, escondemos nossa fé por medo do julgamento. Mas a luz foi feita para o lugar próprio: o suporte, para iluminar a todos. Ser cristão “entre quatro paredes” é como esconder a lâmpada. O mundo está em trevas e precisa da clareza que a Palavra de Deus traz através da sua vida.

  • Reflexão: em qual área da minha vida eu tenho “escondido a lâmpada” por receio do que os outros vão pensar?

Sexta-feira: o sal que cura

Leia Ezequiel 16:4

O sal pode arder em uma ferida aberta, mas ele limpa, desinfeta e salva. Ser sal também significa ter coragem de falar a verdade com amor (Colossenses 4:6). Suas palavras podem servir para curar a alma de alguém que está se perdendo no egoísmo ou no pecado.

  • Reflexão: quem ao meu redor está precisando de uma palavra de verdade que traga cura e esperança?

Sábado: o alvo é a glória do Pai

Leia Mateus 5:16

O objetivo da nossa integridade não é sermos aplaudidos ou chamados de “super-cristãos”. A luz serve para que as pessoas vejam o caminho, não apenas a lâmpada. Quando você é honesto, generoso e justo, as pessoas devem olhar para você e pensar: “O Deus dessa pessoa é real”.

  • Reflexão: minhas ações recentes têm apontado para mim mesmo ou para a grandeza de Deus?

Domingo: embaixadores da esperança

Leia 2 Coríntios 5:20

Termine a semana lembrando que você tem uma missão oficial. Como um embaixador, você representa o Reino dos Céus aqui na Terra. Isso significa viver com a confiança de que, por meio de Cristo, as trevas do medo e da incerteza não têm a última palavra. Você é portador de uma luz que o mundo não consegue apagar.

  • Reflexão: como posso exercer minha função de embaixador de Cristo na minha família?

Walter de Lima Filho