Texto-base: Jonas 1:1-3
Não se deixe enganar pela facilidade: nem toda porta aberta foi Deus quem abriu!
📖 1 Certo dia, o SENHOR Deus disse a Jonas, filho de Amitai: 2 —Apronte-se, vá à grande cidade de Nínive e grite contra ela, porque a maldade daquela gente chegou aos meus ouvidos. 3 Jonas se aprontou, mas fugiu do SENHOR, indo na direção contrária. Ele desceu a Jope e ali encontrou um navio que estava de saída para a Espanha. Pagou a passagem e embarcou a fim de viajar com os marinheiros para a Espanha, para longe do SENHOR. (Jn.1:1-3 NTLH)
Como cristãos, nós precisamos aprender a discernir entre a aparência de sucesso e a vontade de Deus. Além do mais, compreendamos que o caminho da vida, muitas vezes, exige renúncia e resistência, enquanto o caminho do engano se apresenta com facilidades aparentes.
Reflita. [1] Quando Jonas decidiu fugir para a direção contrária à que Deus mandou, o que ele encontrou logo que chegou ao porto de Jope? [2] Você já parou para pensar que Jonas encontrou um navio pronto para partir e teve dinheiro para pagar a passagem exatamente quando estava desobedecendo? Por que nem toda “oportunidade facilitada” significa que estamos no caminho certo? [3] Levando em conta que Deus nos deu a liberdade de escolha, mas que Ele deseja o nosso melhor, como nós podemos diferenciar uma “porta aberta” por Ele de uma “rota de fuga” que nós mesmos criamos para escapar de algo difícil que Ele nos pediu?
Introdução:
Temos adquirido o hábito de julgar a vontade de Deus nos baseando na ausência de problemas, e foi isso o que Jonas fez. O navio estava no porto, ele tinha o dinheiro da passagem e conseguiu um lugar para ele na embarcação. Então, Jonas, apressadamente, concluiu que o céu estava sorrindo para os seus planos.
Entretanto, Provérbios 14:12 nos alerta sobre caminhos que nos parecem direitos, mas que conduzem à morte. Por meio da história de Jonas, aprendemos que Deus não impede que sigamos nossos próprios desejos, mas essas escolhas, quando centradas no “EU”, são o caminho mais curto para o afastamento de Deus e consequências perturbadoras.
Reflita. [1] De acordo com o que conversamos, Jonas conseguiu o transporte e pagou a passagem, sem dificuldades. O que ele concluiu, de forma apressada, ao ver que tudo parecia estar “dando certo” no porto? [2] Se Provérbios 14:12 nos avisa que existem caminhos que parecem diretos, mas terminam mal, como você e eu podemos evitar o erro de Jonas ao confundir “conveniência” (coisas fáceis) com “vontade de Deus”? [3] Sabendo que Deus nos deixa escolher, mas que o caminho centrado no nosso “EU” nos afasta Dele, que critério nós devemos usar para decidir se devemos entrar por uma porta aberta ou se precisamos ter a coragem de fechá-la?
1. O perigo das facilidades e a decisão humana
Jonas encontrou um navio pronto para zarpar à cidade de Tarsis (região sul da Espanha) no exato momento em que fugia de Deus. Tudo estava dando certo: Jonas tinha sua passagem em mãos, o lugar garantido na embarcação e, conjecturando, deve ter pensado: “Se tudo até agora está dando certo, significa que Deus está me abençoando, facilitando a minha ida para Tarsis e eu não preciso ir para Nínive, livrando-me de abençoar os piores e mais cruéis inimigos de Israel”.
O cristão sábio compreende que facilidades nem sempre representam o carimbo da aprovação divina. A fuga de Jonas da missão que recebeu de Deus representava a tentativa humana de escapar da soberania e dos planos divinos. Apesar de Deus respeitar a nossa vontade ou escolhas pessoais, não significa que Ele anulará as consequências futuras.
A Bíblia ensina que Deus nos responsabiliza por nossas escolhas, tanto quando decidimos pelo caminho da obediência quanto pelas que nos levam para um abismo. A chamada de Deus a Jonas foi clara: “Jonas, levante-se, fique em pé e vá para Nínive…” Em vez da rota divina, Jonas decide pela “rota do engano”, da rebeldia, da desobediência e do conforto pessoal.
Reflita. [1] Ao encontrar o navio e ter o dinheiro para a passagem, o que Jonas provavelmente pensou sobre a sua atitude de fugir para Társis em vez de ir para Nínive? [2] Por que nós temos a mania de achar que “facilidades” são sempre aprovação de Deus, mesmo quando elas nos levam para longe do que Ele claramente nos mandou fazer? [3] Se Deus nos responsabiliza pelas nossas escolhas e não anula as consequências delas, como nós podemos identificar quando estamos entrando em uma “rota de engano” somente para manter o nosso conforto pessoal?
A pergunta que devemos fazer é: por que Jonas, em vez de ir para Nínive, decidiu pelo caminho para Tarsis? A resposta está em Jonas 4:2: Deus é compassivo, misericordioso, paciente, bondoso e está sempre pronto a mudar de ideia e não castigar. Sabendo dessas verdades, sua atitude representou um ato de zombaria, escárnio, ou menosprezo à ordem divina e ao caráter de Deus. O apóstolo Paulo nos alerta sobre o seguinte:
📖 Não se enganem: ninguém zomba [escarnece] de Deus. O que uma pessoa plantar, é isso mesmo que colherá. (Gl.6:7 NTLH)
Deus não força ninguém a obedecê-Lo e a permanecer sob o Seu governo. A porta para o Reino de Deus está aberta, mas a decisão de entrar e permanecer nele é um ato da vontade humana, sempre auxiliada pela Sua Graça (pela ajuda, bondade ou misericórdia divina).
Reflita. [1] De acordo com Jonas 4:2, qual foi o verdadeiro motivo que levou Jonas a fugir para Társis em vez de obedecer e ir para Nínive? [2] Pensando no alerta de Paulo, em Gálatas 6:7, por que tentar “fugir” de uma ordem de Deus, baseando-se no que nós achamos justo ou confortável, pode ser considerado uma forma de zombar do SENHOR? [3] Se a porta do Reino está aberta e a Graça de Deus nos ajuda a escolher, como podemos treinar nossa vontade para que ela deseje a vontade de Deus, mesmo quando o SENHOR decide ser bondoso com quem nós achamos que não merece?
Caso decidamos viver sob a vontade divina, essa escolha exigirá vigilância, prudência e resistência constante para que não sejamos enganados por uma falsa paz (a que molda um caminho para o proveito próprio), proveniente dos desejos de nossa alma, que precede a queda e consequências que trarão prejuízos a outras pessoas (Jn.1:4-17). As facilidades ou as soluções fáceis e imediatas nem sempre representam a aprovação, a bênção e a libertação divina de alguma situação incômoda (cp. At.14:22).
📖 2 —Apronte-se, vá à grande cidade de Nínive e grite contra ela [faça com que seus habitantes conheçam o Meu NOME, a Minha vontade e misericórdia], porque a maldade daquela gente chegou aos meus ouvidos. 3 Jonas se aprontou, mas fugiu [moldou o seu próprio caminho para longe] do SENHOR, indo na direção contrária […]. (Jn.1:2,3ª NTLH)
Jesus disse: 📖 13 —Entrem pela porta estreita porque a porta larga e o caminho fácil levam para o inferno [à destruição ou ao sofrimento eterno], e há muitas pessoas que andam por esse caminho. 14 A porta estreita e o caminho difícil [espremido com aflições, angústias, aborrecimentos] levam para a vida [eterna], e poucas pessoas encontram esse caminho. (Mt.7:13,14 NTLH)
Reflita. [1] De acordo com Mateus 7:13-14 e a atitude de Jonas, para onde leva o caminho que parece fácil, largo e cheio de conveniências imediatas? [2] Se a vontade de Deus, muitas vezes, parece-se com uma “porta estreita” (com aflições e renúncias), por que nós temos a tendência de achar que qualquer facilidade que aparece é um sinal de bênção de divina? [3] Entendendo que nossas escolhas podem afetar outras pessoas (como Jonas afetou os marinheiros e passageiros), como você e eu podemos exercitar a vigilância e a prudência para não trocarmos a “vida eterna” pelo “conforto momentâneo”?
2. A resistência como filtro da vontade Divina
Jesus nos alertou: 📖 Eu [Jesus] digo isso para que, por estarem unidos [em paz, amizade e cooperação] comigo, vocês tenham paz [unidade, aliança, amizade e cooperação com Deus]. No mundo [no sistema contrário ao Reino de Deus] vocês vão sofrer [vão passar por aflições]; mas tenham coragem [tenham bom ânimo para que vocês sejam muito corajosos e suas ações sejam úteis e proveitosas, tanto para Deus quanto para o próximo]. Eu venci o mundo [observem e aprendam “Comigo” para seguirem o “Meu” exemplo de como “Eu” resisti e venci o mundo]. (Jo.16:33 NTLH)
Reflita. [1] Segundo o texto de João 16:33, onde podemos encontrar a verdadeira paz para não sermos enganados pelas facilidades do mundo? [2] Se Jesus afirmou que no mundo teremos aflições, por que ainda insistimos em acreditar que o caminho de Deus precisa ser, obrigatoriamente, livre de problemas e desconfortos? [3] Sabendo que Jesus venceu o mundo e nos deixou o Seu exemplo, como nós podemos usar o “bom ânimo” para agir de forma útil para Deus e para o próximo, mesmo quando a porta for estreita?
Certa vez, Jesus disse aos Seus discípulos: “Vamos para o outro lado do lago” (Mc.4:35-41). Ao contrário de Jonas, os discípulos obedeceram, mas, no meio do caminho, eles enfrentaram uma terrível tempestade. Apesar do pânico e da morte iminente, a presença de Jesus no barco lhes ofereceu a resistência e o milagre necessários para completar a viagem.
Êxodo 14:1-13 descreve o momento em que, encurralados entre o exército egípcio e o mar, os israelitas, antes de atravessarem o Mar Vermelho, entraram em desespero e questionaram a liderança de Moisés, preferindo a escravidão à morte no deserto. Moisés, contudo, exortou o povo a não temer, manter a calma e confiar em Deus, assegurando que não haveria luta. Ele pediu que ficassem firmes e observassem a salvação, pois o próprio SENHOR pelejaria por eles.
Reflita. [1] Quando os discípulos obedeceram a ordem de Jesus para atravessar o lago, o que eles enfrentaram no meio do caminho, provando que obediência não é sinônimo de ausência de lutas? [2] Diante do Mar Vermelho ou da tempestade no barco, por que o medo e o pânico tentam nos fazer preferir a “escravidão” do passado em vez de confiarmos no livramento que Deus prometeu no futuro? [3] Se o SENHOR prometeu que pelejaria por nós (como Moisés disse) e que estaria conosco no barco (como Jesus fez), como podemos exercitar a calma e a resistência para não desistirmos quando o caminho da obediência parecer perigoso?
Frequentemente, a obediência a Deus nos conduzirá a cenários de desconforto espiritual, emocional e físico. Contudo, desfrutando da presença de Cristo, mesmo quando nossa fé se encontra fragilizada, encontramos Nele o socorro oportuno. Não pensemos que a falta de facilidade é um sinal de que Deus não está presente. Na verdade, como o mundo naturalmente rejeita as coisas de Deus, enfrentar barreiras pode ser a confirmação de que nossa direção espiritual está correta. À semelhança de Jesus, sejamos resistentes!
A confiança e a obediência à vontade de Deus é como um metal precioso, que só é purificado através do fogo da resistência, nunca na água parada da conveniência. A vontade humana precisa ser moldada pela graça para alcançar o fim correto.
Reflita. [1] Por que enfrentar barreiras e dificuldades pode ser, na verdade, uma confirmação de que nossa direção espiritual está correta? [2] Usando a comparação com o metal precioso, por que a “água parada da conveniência” é incapaz de purificar a nossa confiança e obediência a Deus? [3] Sabendo que a vontade humana precisa ser moldada pela Graça (a ajuda de Deus) para alcançar o fim correto, como podemos aprender a valorizar os momentos de desconforto em vez de fugirmos deles como Jonas fez?
Amadurecemos espiritualmente quando a nossa fé é provada e, por isso, em vez de facilidades, preferimos a “mensagem da cruz”. Nesse momento, o nosso caráter é fortalecido quando renunciamos a agir conforme o “mundo” e, então, a nossa resistência nos traz estabilidade emocional e pessoas são impactadas pela nossa confiança em Deus, por meio de Cristo Jesus.
Tiago nos ensina o seguinte: 📖 Feliz é aquele que nas aflições continua fiel! Porque, depois de sair aprovado dessas aflições, receberá como prêmio a vida que Deus promete aos que o amam. (Tg.1:12 NTLH)
O profeta Isaías declarou: 📖 […] “Não tenha medo, pois eu o salvarei; eu o chamei pelo seu nome, e você é meu.” 2 Quando você atravessar águas profundas, eu estarei ao seu lado, e você não se afogará. Quando passar pelo meio do fogo, as chamas não o queimarão. (Is.43:1,2 NTLH)
Reflita. [1] De acordo com a promessa de Isaías 43:1-2, o que Deus garante que fará por nós quando estivermos passando por águas profundas ou pelo meio do fogo? [2] Por que a nossa resistência e estabilidade emocional diante das aflições (como Tiago mencionou) acabam impactando a vida de outras pessoas ao nosso redor? [3] Se o prêmio da vida é prometido àqueles que continuam fiéis durante as provações, como podemos trocar o desejo de “fugir para Társis” pelo de sermos “aprovados por Deus” em meio às lutas?
Conclusão:
Diferentemente de Jonas, não confunda ausência de ventos contrários com a presença de Deus. Às vezes, as “tempestades” são o que te mantém acordado para não descer ao porão da morte espiritual. Fuja do “caminho enganoso”, escolhendo sempre o “caminho da verdade e da vida” (Jo.14:6), ainda que este exija a cruz (Mt.16:24).
Reflita. [1] O que Jonas fez ao descer para o “porão” do navio e por que não devemos confundir o conforto de um mar calmo com a aprovação de Deus? [2] Por que podemos dizer que, em nossa caminhada, as “tempestades” podem ser ferramentas da bondade de Deus em vez de punição? [3] Sabendo que o caminho da verdade que gera a vida (João 14:6) pode exigir a renúncia da cruz (Mateus 16:24), como treinar a nossa vontade para escolhermos o que é correto em vez do que é apenas fácil?
Que Deus nos abençoe!
“O CAMINHO DO ENGANO VS. O CAMINHO DA OBEDIÊNCIA”
(Plano devocional de sete dias)
Segunda-feira: o chamado e a responsabilidade – Jonas 1:1,2
- Todo caminho com Deus começa com uma instrução clara. A obediência não é baseada no que achamos conveniente, mas na prontidão em ouvir e agir segundo a Palavra do Senhor, mesmo quando o destino (como Nínive) nos parece indesejado.
- Submeta a vontade própria à instrução bíblica, agindo com obediência imediata, mesmo diante de chamados que desafiem as inclinações pessoais.
Terça-feira: nem tudo que é fácil é divino – Provérbios 14:12
- Jonas encontrou um navio pronto e recursos no bolso, mas a facilidade logística era apenas uma rota para a fuga. Devemos vigiar para não interpretarmos portas abertas nas circunstâncias como aprovação divina aos nossos desejos egoístas.
- Valide as oportunidades circunstanciais pelo crivo da Palavra de Deus e rejeite facilidades que afastem você do propósito divino.
Quarta-feira: escolhas e consequências – Gálatas 6:7
- Deus, em sua soberania, respeita o arbítrio humano, mas não anula os frutos das nossas decisões ou escolhas. Fugir da vontade de Deus é plantar ventos que, inevitavelmente, nos farão colher tempestades emocionais e espirituais no futuro.
- Assuma a responsabilidade pelas suas escolhas e alinhe a sua vontade à de Deus, a fim de evitar as tempestades emocionais e espirituais futuras.
Quinta-feira: o contraste das portas – Mateus 7:13,14
- Enquanto o caminho do engano é largo e confortável, o caminho da salvação exige renúncia. A “porta estreita” requer que deixemos de lado o nosso “EU” e o conforto pessoal para caminharmos sob o senhorio de Cristo.
- Renuncie ao seu conforto emocional e ao controle das situações para caminhar de mãos dadas com o que Cristo planejou para você.
Sexta-feira: obediência em meio a ventos contrários – Marcos 4:35-41
- Estar no centro da vontade de Deus não garante ausência de lutas. Os discípulos estavam no barco por ordem de Jesus e enfrentaram o mar revolto. A diferença é que, na obediência, Cristo estava no barco para manifestar o Seu poder.
- Enfrente as tempestades com coragem, sabendo que a presença de Jesus no barco da sua vida é a sua única e real garantia de segurança.
Sábado: a bem-aventurança da perseverança – Tiago 1:12
- O cristão amadurece quando entende que as aflições são provas ou filtros à sua fé. A resistência fiel durante as provações gera uma aprovação que a facilidade jamais poderia produzir, forjando em nós o caráter de Cristo.
- Encare as dificuldades como um treino para o seu caráter e permaneça firme para deixar que Deus o amadureça na fé.
Domingo: segurança na travessia – Isaías 43:1,2
- A promessa de Deus não é nos livrar de atravessar as águas profundas ou o fogo abrasador, mas de estar conosco neles. Ao contrário de Jonas, que desceu ao porão para fugir, o servo fiel atravessa essas situações sabendo que pertence ao SENHOR.
Diferentemente de Jonas, não fuja para o porão quando a situação apertar, mas atravesse o desafio com a cabeça erguida, confiando que Deus está presente.