Crônica elaborada por Walter de Lima Filho
Sabe, existe uma ideia muito comum hoje em dia, de que a fé é apenas um sentimento ou uma muleta para quem não aguenta o peso da realidade. Muita gente olha para as tempestades da vida — o desemprego, a doença, a perda de valores na sociedade — e diz que estamos sozinhos, à mercê da sorte. Alguns até tentam usar a ciência ou a psicologia, para dizer que o medo é apenas um instinto químico e que não existe “mão estendida” nenhuma lá fora. Mas, ao olhar para a história e para o texto de Mateus 14, percebemos que essa visão moderna é, no mínimo, limitada.
O Mar da Galileia não era um cenário de cartão-postal para os discípulos. Geograficamente, por estar abaixo do nível do mar, ele era um funil de ventos. Para aqueles homens, a água agitada era o símbolo do caos, de ações demoníacas, ou de forças que o ser humano não controla. Quando Jesus surge caminhando sobre as ondas, Ele não está apenas fazendo um “truque” para impressionar. Ele está fazendo uma declaração histórica e bíblica: o Criador tem autoridade sobre o que nos apavora.
Pensemos por um instante, sobre a paralisia do medo e a escolha da fé:
É interessante notar o comportamento de Pedro. Ele não foi forçado a sair do barco. Jesus deu a palavra — “Venha!” — mas o passo foi de Pedro. Aqui vemos algo que, muitas vezes, a modernidade ignora: a nossa cooperação com Deus. A graça divina nos alcança, mas ela não anula a nossa vontade. Pedro andou enquanto manteve o foco em Jesus, a Fonte da Vida Plena. O problema começou quando ele deixou de olhar para Cristo e passou dar mais atenção ao “barulho do vento”. Seus sentimentos se tornaram em “frangalhos”!
Hoje, vivemos cercados por esse “barulho”. São ideologias que dizem que a Bíblia é ultrapassada, que a moral cristã é um peso, ou que o universo é indiferente ao nosso sofrimento. Se focarmos apenas nessas notícias e nessas críticas, começaremos a afundar, assim como Pedro. A dúvida não é necessariamente a perda da salvação, mas é aquela emoção que nos empurra para o desespero e ao caos. O “vento” moderno quer nos convencer de que não há chão sob nossos pés. Não caia nesse tipo de ideia, mas confie no poder do SENHOR.
Creia que Jesus é o Abrigo e o Caminho no meio do impossível!
Diferente do que pregam certas correntes por aí — como o positivismo exagerado que promete uma vida sem problemas — a Bíblia é honesta. Ela diz que haverá tempestade. Jesus não acalmou o vento para que Pedro pudesse caminhar; Ele permitiu que Pedro caminhasse enquanto o vento ainda soprava. A segurança cristã não é a calmaria do lado de fora, mas a mão firme de Jesus segurando a nossa.
Como nos ensinou o pensamento clássico, a coragem não é a falta de medo, mas a ação correta, apesar dele. É o meio-termo entre se jogar na água sem critério e ficar paralisado no fundo do barco, ou seja, entre a arrogância e a desistência. Quando Jesus segura a mão de Pedro e o traz de volta, Ele mostra que a Sua soberania e a nossa responsabilidade caminham juntas. Ele é o abrigo e o caminho que necessitamos, mas nós precisamos decidir entrar nesse “Abrigo” e permanecer no “Caminho divino” todos os dias.
Por isso, sejamos vigilantes e nos mantenhamos nas raízes puramente bíblicas, as quais nos foram ensinadas pelos primeiros mestres que nos antecederam.
Não podemos ser ingênuos. Estamos em uma guerra cultural e espiritual, onde o objetivo é nos desconectar das nossas raízes. O mundo tenta “atualizar” a teologia para que ela caiba no bolso do conforto moderno, mas uma fé que não suporta o vento não serve para a vida real. Precisamos resgatar a interpretação séria das Escrituras, aquela que respeita o contexto e a história, e não se deixa levar por ventos de doutrinas liberais que esvaziam o poder do Evangelho.
O convite para você, hoje, é o mesmo feito a Pedro: olhe para Cristo. Medite e estude a Palavra de Deus com dedicação. Não se deixe levar por frases de efeito ou por um cristianismo superficial que foge da cruz. A tempestade pode nos molhar e o som dos trovões pode ser assustador, mas o Caminho já foi preparado.
Mantenha-se vigilante. Não permita que o barulho das crises abafe a voz da promessa divina. Seja aquela pessoa que, por estar segura na mão de Jesus, consegue estender a mão para o próximo que está afundando. Afinal, a nossa fé não é uma teoria de gabinete, mas uma caminhada constante sobre as águas agitadas deste mundo, guiados por Aquele que é o SENHOR de toda a criação.
Desejo a todos uma semana abençoada.
Seu amigo e irmão em Cristo, Walter.