Crônica de Walter de Lima Filho
 
Existe uma mania tipicamente brasileira de achar que, se a vida deu um empurrãozinho e a porta se abriu fácil, foi o próprio Céu que mandou a chave. É a famosa cultura do “jeitinho espiritualizado”. A gente olha para uma facilidade repentina, o olho brilha, o coração acelera e logo pensamos: “É bênção! Deus assinou embaixo!”. Todavia, a realidade costuma ser bem mais teimosa do que o nosso otimismo ingenuamente fabricado.
 
Olhe bem para a história de Jonas. O profeta queria fugir do chamado de Deus para ir a Nínive. Ao chegar no porto de Jope, o que ele encontra? Um navio todinho pronto, com vaga sobrando e partindo exatamente para Társis, o lado oposto! Se Jonas fosse um cristão moderno movido por essa onda de autoajuda e pensamento positivo, ele teria feito um post dizendo que Deus abriu a porta “milagrosamente”. No entanto, aquele atalho fácil não era direção divina, mas a própria vontade dele, criando uma armadilha que quase afundou a embarcação inteira.
 
A verdade é que a nossa mente é mestre em nos passar a perna. Sansão que o diga! Olhou para Dalila, achou bonitinha, achou que estava no controle da situação e confundiu um desejo carnal de momento com a vontade do SENHOR. O resultado? Perdeu a força, a visão e a própria liberdade. Trágico, mas dolorosamente atual. Hoje, muita gente troca a fidelidade diária a Deus por propostas reluzentes que parecem um ótimo negócio, mas terminam em ruína moral, esfriamento da fé e destruição da família.
 
Deus nos deu o livre-arbítrio e uma inteligência iluminada pelas Escrituras Sagradas, justamente para que não vivamos como cego em tiroteio espiritual. A verdadeira felicidade não é um prêmio automático que cai do Céu sem esforço, nem uma promessa de que tudo na vida será um mar de rosas. Pelo contrário! Estar no caminho certo com Jesus, às vezes, significa enfrentar tempestades violentas “no mar da vida”, assim como os discípulos enfrentaram, não porque estamos fora da vontade de Deus, mas porque o SENHOR usa as lutas para fortalecer a nossa fé e moldar o nosso caráter, como o treino que fortalece o músculo atrofiado.
 
Por isso, não se deixe enganar pelo que apenas brilha aos olhos. Nem toda porta aberta é convite de Deus. A felicidade real nasce da escolha diária de buscar ao Senhor, renunciar aos nossos impulsos egoístas, abraçar a cruz e caminhar com segurança na luz da Palavra divina.
 
Deus abençoe sua vida e sua família.

Seu amigo e irmão em Cristo, Walter.