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O silêncio de Deus

Crônica elaborada por Walter de Lima Filho

Hoje é 19 de abril de 2026. O corredor da igreja estava silencioso, apenas com o som abafado do ensaio do louvor vindo lá de dentro. Lucas estava encostado na parede, de braços cruzados, com o olhar fixo no chão. Quando percebeu a aproximação de Tiago, seu amigo de longa data, não conseguiu mais segurar o que estava guardado no peito.

— Tiago, eu sinceramente não sei mais o que fazer — começou Lucas, com a voz embargada. — Eu me sinto completamente sozinho. Parece que estou gritando em um quarto vazio.

Tiago parou, colocou a mão no ombro do amigo e apenas ouviu. Ele sabia que, às vezes, o silêncio de um amigo é o melhor convite para a alma se derramar.

— Eu olho para a minha vida e não entendo — continuou Lucas. — Eu tenho me mantido correto. Você sabe, eu fujo do pecado, sou íntegro no meu trabalho, não perco um culto, estou aqui em todos os eventos. Mas parece que nada dá certo. Minha vida profissional está estagnada, meus planos não saem do papel e esse sentimento de solidão só aumenta. É como se eu estivesse fazendo tudo certo e Deus estivesse me ignorando. Às vezes, dá vontade de bater na porta do céu e exigir que Ele assine um documento provando que eu não mereço isso.

Tiago suspirou suavemente. Ele reconhecia aquele sentimento. Era o “grito de Jó” ecoando em um corredor de igreja no século 21.

— Sabe, Lucas — disse Tiago, com um tom de voz calmo e acolhedor — você me fez lembrar de uma frase de Jó, naquele momento em que ele estava no auge da dor. Ele disse algo como: “Ah, quem me dera alguém que me ouvisse! Aqui está o meu sinal, que o Todo-Poderoso me responda”.

Lucas levantou o olhar, curioso. Tiago continuou:

— Jó estava tão desesperado para provar que era inocente e que sua dor era injusta, que ele queria que Deus assinasse uma petição, um “livro” escrito por um adversário, só para ele ter a chance de se defender. O que você está sentindo agora é exatamente esse desejo de justiça própria. Você olha para sua integridade e pensa: “Eu fiz a minha parte, agora Deus tem que fazer a Dele”.

Tiago deu um passo à frente, olhando nos olhos de Lucas.

— Mas o problema, meu irmão, é que quando a gente começa a usar nossa obediência como uma moeda de troca, a gente para de confiar no caráter de Deus e passa a confiar no nosso próprio desempenho. Essa solidão que você sente dói, eu sei, e Deus se importa com ela. Mas Ele não é seu adversário em um tribunal. Ele é seu Pai.

— Mas parece que Ele não responde, Tiago — murmurou Lucas.

— O silêncio de Deus não é ausência de cuidado, é o espaço onde a nossa fé cresce. Se tudo desse certo só porque somos “certinhos”, nossa relação com Ele seria um contrato, não uma amizade. Jesus, sendo o único perfeitamente justo, passou pela maior solidão de todas na cruz para que a gente nunca estivesse, de fato, abandonado.

Tiago sorriu com esperança e concluiu:

— Não tente ser o advogado da sua própria causa. Deixe de lado esse “sinal” que você quer que Deus responda e apenas descanse no fato de que Ele conhece o seu coração. Sua integridade é fruto do amor Dele por você, não um pagamento pelo favor Dele. Acalma o coração. As coisas vão se ajustar, mas no tempo Dele, para que a glória seja Dele e a sua alegria seja completa, fundamentada na graça e não no que você faz. Vamos entrar? O culto vai começar e, mesmo no silêncio, Ele está lá.

Lucas respirou fundo. O peso nos ombros parecia um pouco menor. Ele não tinha todas as respostas, mas agora tinha algo melhor: a confiança de que não precisava provar nada a Deus, apenas ser amado por Ele e confiar Nele.

Talvez essa crônica é um reflexo do seu momento e é bem provável que você não entenda tudo o que está enfrentando, mas confie no Pai Eterno e seja fiel a Ele em tudo. Paulo, o apóstolo, nos ensinou que devemos ficar alegres com tudo quanto Deus está planejando para nós. Sejamos pacientes na dificuldade e sempre perseverantes na oração.

Desejo a você e à sua família uma semana abençoada por Jesus.

Seu irmão e amigo Walter.

Walter de Lima Filho