Crônica elaborada por Walter de Lima Filho
Muitas vezes, a gente acorda com a sensação de que o chão está fugindo debaixo dos nossos pés. O mundo hoje parece uma máquina de fabricar dúvidas. É crise no jornal, problema na conta bancária e aquela conversa difícil na cozinha de casa que nunca termina bem. Quando olhamos para fora, o que vemos é um exército de incertezas tentando nos cercar, exatamente como os inimigos cercavam o povo de Judá nos tempos do profeta Isaías.
Mas o que está acontecendo com a nossa paz? Por que nos sentimos tão frágeis?
A verdade é que a modernidade nos ensinou a confiar apenas naquilo que podemos tocar, medir ou controlar. O pensamento atual diz que a segurança vem de ter muito dinheiro, um bom seguro de vida ou saber de tudo o que vai acontecer amanhã. O problema é que isso é uma armadilha. Quando tentamos ser o “dono do nosso próprio destino”, qualquer vento mais forte nos faz perder o rumo. A incerteza não é um defeito de fabricação da nossa cabeça; ela é, na maioria das vezes, uma questão de para onde estamos olhando.
Consideremos a raiz do problema
Se olharmos para a história e para a Bíblia, percebemos que a incerteza nasce no coração que começou a vacilar. Tiago, em sua carta, é muito claro: quem duvida é como a onda do mar, que vai e vem conforme o vento sopra. O pecado não está em sentir o frio na barriga diante do desconhecido — isso é humano. O erro está em “alimentar” essa dúvida, deixando de lado o que Deus já prometeu para focar no que o mundo ameaça tirar.
A nossa fé não é um salto no escuro, mas um passo firme em solo rochoso. Quando Isaías fala que o SENHOR dá paz e prosperidade a quem tem “fé firme”, ele está nos lembrando de que existe uma amizade divina disponível. Essa paz não é a ausência de problemas, mas a presença de um “Amigo” que nunca falha. É como aquela criança que segura a mão do pai no meio de uma multidão barulhenta: o barulho continua lá, mas o medo vai embora porque a mão que ela segura é forte.
Compreendamos os perigos de caminharmos sozinhos
Existem três atitudes que o mundo moderno aplaude, mas que nos destroem por dentro. A primeira é a autossuficiência, que é aquele orgulho bobo de achar que precisamos entender tudo antes de obedecer a Deus. É o “complexo de Tomé”, querendo tocar para crer, quando a verdadeira felicidade está em confiar no caráter de Quem fez a promessa.
A segunda é a ansiedade, que nada mais é do que tentar carregar o peso do futuro nas costas. Meus irmãos, o ser humano não foi projetado para carregar o amanhã; o amanhã é pesado demais para nós, ele pertence ao SENHOR. A terceira é o medo social. É quando deixamos de fazer o que é certo para não sermos criticados ou “cancelados” pela sociedade. Esse medo é uma corrente que nos prende e nos impede de viver a liberdade que Cristo nos deu.
A liberdade que Cristo nos dá não exclui a vigilância
Se deixarmos a incerteza tomar conta, a gente para de crescer. A nossa comunhão com Deus fica fria, nossas decisões ficam balançantes e perdemos a credibilidade até dentro da nossa casa. Para vencer isso, precisamos vigiar nossos desejos. O que você tem medo de perder? É o seu conforto? É o controle da situação?
A Bíblia nos ensina que a nossa segurança é Jesus, a nossa Rocha Eterna. Ele é o mesmo ontem, hoje e será o mesmo na eternidade. Enquanto o mundo oferece areia movediça, as Escrituras nos oferecem um fundamento que não racha.
Portanto, meu amigo e irmão: decida confiar. Isso não é um sentimento que vem do nada, é uma decisão da vontade. Comece hoje a substituir o “e se tudo der errado?” pelo “Deus é fiel”. Mapeie o seu dever hoje — seja um bom cônjuge e pai, uma boa mãe, trabalhe com honestidade e ore com sinceridade. Deixe os resultados nas mãos Daquele que sustenta o universo.
Não se deixe levar por filosofias que tentam tirar Deus do centro de sua vida. Medite e estude a Palavra de Deus, conheça os ensinos dos que vieram antes de nós e mantenha os olhos abertos. A vigilância cultural começa quando decidimos que a nossa mente será guiada pelas verdades eternas, e não pelas notícias passageiras. Que a sua fé seja firme, para que a paz do Senhor, que excede todo o entendimento, guarde o seu coração agora e sempre.
Desejo a todos uma semana abençoada.
Seu amigo e irmão em Cristo, Walter.