Texto base:
Êxodo 17:1
O POVO DE ISRAEL SAIU DO DESERTO DE SIM, caminhando de um lugar para outro (cf. Nm.33:5-15), de acordo com as ordens [conforme as Instruções] de Deus, o SENHOR. Eles acamparam em Refidim, mas ali não havia água [ou águas] para beber. (Êx.17:1 NTLH)
Após a libertação da escravidão egípcia, marcada pelas 10 pragas e a milagrosa travessia do Mar Vermelho, o povo de Israel, liderado por Moisés, saiu do deserto de “Sim”, retomando sua árdua jornada rumo ao Monte Sinai, onde receberia as tábuas da Lei.
A menção do deserto de “Sim” não é um mero detalhe geográfico ou algo do acaso. O nome “Sim”, com seus significados de “espinho” e “barro”, encerra uma mensagem divina profunda sobre a natureza da fé, a identidade e os sofrimentos daquele povo no passado, os desafios da jornada e a transformação que Deus realiza na vida daqueles que se submetem a Ele.
Qual é a mensagem divina contida no nome “Sim” e como ela se relaciona com a experiência do povo de Deus no deserto, sua fé, identidade e jornada de transformação sob a liderança de Deus?
Sobre essa jornada, maiores detalhes são encontrados no livro de Números 33:5-15. Hoje, nós procuraremos extrair algumas lições e princípios espirituais, os quais estão contidos na primeira parte do verso 1:
O povo de Israel saiu do deserto de SIM [“espinho” e “barro”], […] (NTLH).
1. Um breve histórico, antes de chegarem e partirem do deserto de “Sim”
Após os hebreus terem atravessado o Mar Vermelho, eles retomaram a sua jornada até o Sinai, partindo do deserto de “Sim” (“espinho” e “barro”). Façamos um breve histórico, até que os israelitas chegassem a essa região:
• Após anos de escravidão, os hebreus celebraram “a Páscoa do Cordeiro” (vd. Jo.1:29) e saíram do Egito. Eles saíram de um ambiente de ingratidão a Deus, que não reconheceu as bênçãos divinas, as quais se deram no período em que José, filho de Jacó, governou o Egito. (cf. Gn.40;41). Por isso, a Bíblia compara o Egito com o “mundo”.
• O Faraó reuniu o seu exército para perseguir o povo de Deus, pois não queria perder o trabalho escravo dos hebreus. Entretanto, o rei viu o Todo-Poderoso humilhar e derrotar o seu poderoso exército, quando este foi afogado nas águas do Mar Vermelho.
• Os hebreus, finalmente livres do poder egípcio que os dominava, partiram de “Sim” para uma jornada rumo ao Monte Sinai, onde receberiam as Leis de Deus, a fim de se tornarem em uma nação digna e santa. A passagem dos israelitas pelo Mar Vermelho, segundo o apóstolo Paulo, representou o batismo – a saída da morte (do afastamento de Deus) para uma nova vida com Deus. (cf. 1 Co.10:1,2)
• A notícia sobre esse grande milagre se tornou conhecida por outros povos, a qual lhes provocou tremendo terror. Acerca disso, veja o a declaração de Raabe aos espias enviados por Josué a Jericó (cf. Js.2:9-11).
– Qual era o significado da celebração da “Páscoa do Cordeiro” para os hebreus antes de sua saída do Egito, e como esse evento se relaciona com a ideia de libertação do “mundo”, conforme mencionado no texto?
– De que forma a perseguição do Faraó ao povo de Israel, mesmo após a demonstração do poder de Deus ao humilhar o exército egípcio, revela a natureza do “mundo” e sua resistência em reconhecer as bênçãos divinas?
– Além da libertação do Egito, qual era o propósito da jornada dos hebreus rumo ao Monte Sinai, e como a passagem pelo Mar Vermelho se encaixa nesse contexto de transformação e o estabelecimento de uma nova identidade para o povo hebreu?
– Qual foi o impacto do milagre da travessia do Mar Vermelho sobre outros povos, como os habitantes de Jericó, e como a reação deles demonstra a importância desse evento como um testemunho do poder e da fidelidade de Deus?
2. A partida do deserto de “Sim”, uma jornada divinamente programada
O deserto de “Sim” recebe esse nome devido a uma pequena cidade que se situava nele. “Sim”, em hebraico, significa “espinho ou barro”. Os hebreus não foram conduzidos a esse deserto por acaso, mas para receberem uma mensagem divina. Vejamos:
2.1. “ESPINHO”. A mensagem divina:
• NO SENTIDO NEGATIVO: o significado de “espinho” representa dificuldades e sofrimentos, a maldição como consequência do pecado e da impureza humana (cf. Gn.3:18), insensatez (falta de juízo, de entendimento ou de avaliações sadias), preguiça (cf. Pv.24:30-34), juízo ou castigo (cf. Jz.8:7).
• NO SENTIDO POSITIVO: a sarça ardente que Moisés viu no deserto (cf. Êx.3:2) era um arbusto espinhoso, próprio de um lugar impróprio e inóspito, mas que representava os limites do respeito à santidade e à presença de Deus (cf. Nm.3:4; Lv.10:1-3 – Nadabe e Abiú). O apóstolo Paulo compreendeu o “espinho na carne” como uma ação protetora da Palavra e da Graça de Deus à sua vida. (cf. 2 Co.12:7-10) Portanto, “espinhos” podem representar limitações e proteção.
– Considerando os sentidos negativo e positivo da palavra “espinho”, como podemos aplicar esses princípios em nossa vida para entendermos os desafios e limitações que enfrentamos? De que forma podemos transformar essas situações em oportunidades de crescimento e proteção divina, assim como Paulo fez com seu “espinho na carne”?
– A sarça ardente, um arbusto espinhoso em um lugar inóspito, representa a santidade e a presença de Deus. Qual é a importância de reconhecer a santidade de Deus em meio às dificuldades e desafios da vida, e como essa compreensão pode influenciar a forma como enfrentamos e superamos os “espinhos” em nosso caminho?
2.2. “BARRO”. COMPREENDA A MENSAGEM DIVINA POR MEIO DO SENTIDO DESSA PALAVRA:
No Egito, o barro misturado com palha era amassado pelos pés dos hebreus enquanto escravos, para que tijolos fossem manufaturados e usados nas belíssimas construções do Faraó. Era um trabalho incessante, humilhante e pesado aos filhos do Rei do Universo.
As Escrituras afirmam que o homem foi criado do pó da terra (do barro – cf. Gn.2:7), a fim de que, com alto grau de inteligência, expressasse a realidade de Deus e agisse à Sua semelhança (cf. Gn.1:26,27). Portanto, o barro, nas Santas Escrituras, é frequentemente utilizado como uma metáfora para se referir à humanidade que, na sua maioria, mostra-se rebelde ao trabalho de Deus, o nosso Pai Eterno (cf. Is.29:16; 45:9,10).
O profeta Jeremias, em um de seus mais belos e comoventes capítulos (cf. Je.18), apresenta-nos uma vívida imagem do oleiro moldando o barro. Essa analogia nos ensina que assim como o barro está nas mãos do oleiro, nós estamos nas mãos de Deus. Somos moldados por Ele para estarmos sujeitos à Sua vontade ou propósitos. Diante disso, compreendamos que:
• O barro é frágil: quando ele ainda está úmido é maleável, mas facilmente quebradiço. Essa fragilidade reflete a condição humana, marcada pelas suas limitações, fragilidade e insegurança.
• O barro pode ser moldado: por outro lado, o barro também é capaz de ser moldado em diversas formas, o que nos lembra o trabalho divino para o nosso crescimento espiritual e moral ao transformar nossas vidas.
– De que forma a fragilidade do barro, que se molda facilmente quando úmido, mas se torna quebradiço ao secar, pode ser comparada à condição humana, e como essa analogia nos ajuda a entender nossas próprias limitações e a necessidade de transformação?
– Se o barro pode ser moldado em diversas formas, representando o trabalho divino em nossas vidas, como podemos nos abrir e nos entregar a esse processo de transformação, permitindo que Deus nos molde e nos conduza para o crescimento espiritual e moral?
As palavras “espinho e barro” representam uma mensagem divina acerca da libertação do nosso passado, uma vida de pecados e afastada de Deus (cf. Ef.2:1-3). Elas também dizem algo acerca do nosso presente: sob a grande misericórdia divina, ingressamos em uma jornada para uma nova vida com Ele, a fim de expressarmos o caráter de Cristo em pensamentos, palavras e ações (cf. Ef.2:4-7).
Que papel crucial desempenham os conceitos de “espinho” e “barro” na mensagem divina sobre a libertação do passado de pecados e o início de uma jornada de transformação para uma nova vida em Cristo? Como essa jornada nos capacita a manifestar o caráter de Cristo em todos os aspectos de nossa existência, à luz da Palavra de Deus?
Portanto, essas palavras “espinho e barro” fazem com que reflitamos sobre a nossa condição humana, da nossa necessidade de Deus e respeito a Ele, da importância do Seu poder para superarmos as dificuldades e as tentações para buscarmos uma vida de dedicação (santidade) ao Eterno, a fim de cumprirmos os Seus propósitos por meio das boas obras ou ações que expressem a Sua realidade (cf. Mt.5:13-16).
De que maneira a reflexão sobre a nossa condição humana, simbolizada pelas palavras “espinho e barro”, leva-nos a reconhecer a nossa necessidade de Deus e a buscar uma vida de santidade ou de dedicação a Ele, capacitando-nos a cumprir Seus propósitos por meio de boas obras?
Concluindo:
Por meio de Sua Palavra, Deus nos fere quanto à nossa maneira errada de pensar, sentir e agir. Caso sejamos humildes, colocamo-nos em Suas mãos como blocos de barro para sermos moldados. Então, por meio do Seu trabalho, nós saímos de uma forma humilhante e desonrada para adquirirmos um novo modelo de vida. Reconhecendo ser Ele o Autor dessa nova vida, compreendemos quem somos, para Quem vivemos, nos movemos e existimos (cf. At.17:28).
De que forma a metáfora de sermos como “blocos de barro” nas mãos de Deus nos ajuda a entender o processo de transformação espiritual e moral que Ele realiza em nós por meio de Sua Palavra, e como essa transformação impacta a nossa identidade e o propósito de nossa existência?
Saímos da morte para a vida para vivermos em Cristo, e essa nova vida que Dele recebemos nos enche de uma esperança viva, na qual perseveramos em unidade e amizade com o SENHOR, até que Ele mesmo nos busque para a Vida Eterna. Eu quero terminar esta meditação com as seguintes palavras do apóstolo Paulo:
Como a nossa fé em Cristo nos transforma, tirando-nos de uma vida sem esperança para uma vida com esperança e amizade com Deus, e como essa transformação nos leva a viver de um jeito novo até o dia em que Deus nos chamar para a vida eterna?
Porque tudo o que dantes foi escrito, para nosso ensino foi escrito, para que pela paciência e consolação das Escrituras tenhamos esperança. (Rm.15:4 ACF 2007)
De que forma o conhecimento e a compreensão do que foi escrito anteriormente nas Escrituras podem nos proporcionar paciência, consolo e esperança em nossa jornada de fé?
Que Deus nos abençoe!