Texto base:
Êxodo 17:1,3
O povo de Israel saiu do deserto de Sim, caminhando de um lugar para outro (cf. Nm.33:8-15), de acordo com as ordens [conforme as Instruções] de Deus, o SENHOR. Eles acamparam em Refidim, mas ali não havia água [ou águas] para beber. Mas o povo estava com muita sede e continuava reclamando e gritando contra Moisés. Eles diziam: —POR QUE VOCÊ NOS TIROU [“nos fez subir das terras baixas”] DO EGITO? Será que foi PARA NOS MATAR de sede, a nós, aos nossos filhos e às nossas ovelhas e cabras? (Êx.17:1.3 NTLH)
O caminho para o Sinai é uma jornada repleta de significados e de ensinamentos espirituais e morais. Sabemos que Deus conduziu o Seu povo do deserto de Sim até Refidim, onde os hebreus acamparam. Antes de entrarmos no tema de nossa meditação, eu penso ser interessante lembrarmos as lições e os propósitos divinos para que Ele conduzisse o Seu povo a esses lugares.
— LIÇÃO 1 —
“DESERTO”. No hebraico, a palavra “Deserto” é “midbar”, um “lugar inabitado, ao redor de cidades”, mas ela também tem o sentido de “boca”. A palavra “midbar” procede do verbo “davar”, cujo significado é “falar, declarar, conversar, comandar, prometer, avisar, advertir quanto à disciplina e punições”. Então, aprendemos que “o deserto” é uma sala de aula divina, o local onde Deus fala e ensina o Seu povo (Is.40:1-3; Mt.3:3; Jo.1:23).
Considerando que a palavra “deserto” em hebraico (“midbar”) está relacionada tanto a um lugar físico inabitado, quanto à ideia de “boca” e “fala” (“davar”), como podemos interpretar a experiência do povo de Israel “no deserto” como um processo de aprendizado e transformação através da comunicação divina?
— LIÇÃO 2 —
O “DESERTO DE SIM”. Aprendemos duas coisas: (1) Deus nos livrou dos sofrimentos (espinhos) e do estilo de vida (molde) que adotávamos no passado. (2) O constante trabalho divino em nós também é comparado a um espinho na nossa carne, que fere os nossos desejos mais carnais de nossas almas ou de nossa mente (a Verdade divina age contra o nosso orgulho e interesses meramente egoístas), a fim de que sejamos moldados conforme a Pessoa de Cristo (cf. Mt. 16:25,26; Rm.6:16-18; 2 Co.5:17; Rm.8:29; Rm.12:2).
Considerando que o texto aborda tanto a libertação de sofrimentos e hábitos passados quanto o processo de moldagem do caráter à imagem de Cristo, como podemos conciliar a ideia de que o trabalho divino em nós pode ser comparado a um “espinho na carne” em relação à nossa experiência com Deus, admitindo-O como nosso Libertador e Transformador?
— LIÇÃO 3 —
“REFIDIM”. No hebraico, Refidim significa “lugar de descanso, no qual recebemos o apoio divino”. Aprendemos que os hebreus, após terem caminhado por vários lugares no deserto, acamparam em “Refidim”, “mas ali não havia água (águas) para beber. Aprendemos que o nosso descanso não vem de lugares ou de pessoas, mas do apoio que Deus nos dá, quando estamos unidos com o Seu Único Filho Jesus, o Messias (cf. Mt.11:28,29; Jo.7:37).
Qual é o significado de “Refidim”, em hebraico? Se Refidim significa “lugar de descanso” e os hebreus não encontraram água para beber nesse local, como podemos interpretar essa aparente contradição à luz da afirmação de que o verdadeiro descanso vem do apoio de Deus e de Jesus Cristo?
— LIÇÃO 4 —
“DESERTOS, ESPINHOS E REFIDINS”. Na vida com Deus, aprendemos que nos depararemos com lugares ou situações incômodas constantemente. Em um primeiro momento, essas circunstâncias nos parecerão estranhas, mas a questão é: “Por que” ou “para que” Deus nos conduz a elas? Então, em vez de nos amargurarmos e culparmos outras pessoas por essas circunstâncias, busquemos a ajuda de Deus para sabermos como devemos agir, pois sabemos que Ele sempre está com o Seu povo e ajuda aquele que, de coração, procura-O (cf. Êx.17:1-3,7; 2 Co.12:9,10).
Diante da constatação de que a vida com Deus nos leva a enfrentar lugares e situações desconfortáveis, como podemos desenvolver uma postura de confiança e aprendizado, buscando a ajuda divina em vez de nos amargurarmos ou culparmos os outros pelas circunstâncias?
— LIÇÃO 5 —
A SOBERANIA DIVINA. Temos aprendido que Deus é Soberano e que, em Sua soberania, decidiu revelar-Se intimamente àqueles que O buscam, amam e O respeitam (cf. Sl.25:14). Essa revelação é um dom espiritual (um presente divino) para aqueles que buscam a Deus com todo ardor do coração (cf. Jr.29:13; Sl.91:15). Mantendo-nos em amizade com Deus, por meio da nossa fervorosa e firme unidade com Cristo (o Messias), Dele recebemos força e o conhecimento da Sua boa e perfeita vontade para que ela seja feita de forma que O agrade e cumpra os Seus propósitos (cf. Êx.17:4; Rm.12:1,2).
Considerando que Deus se revela àqueles que O buscam de todo o coração, como podemos cultivar uma amizade mais profunda com Ele, a fim de recebermos força e conhecimento de Sua vontade para cumprir Seus propósitos em nossa vida?
Voltando ao nosso tema, desde o Egito até o deserto de Sim e Refidim, os hebreus…
1. Viram muitos milagres, mas, acerca do chamado divino, não compreenderam nada
Os hebreus, ao longo dessa jornada para o Sinai, e agora, acampados em Refidim, viram muitos milagres ou “sinais” sobrenaturais de Deus, mas não atentaram à voz do Seu Professor. Em cada momento de aflição, eles reclamaram e, após as ações da misericórdia divina, apenas se contentaram com os milagres recebidos.
Infelizmente, “no deserto”, que é a “escola divina”, eles, a futura nação de Israel, não se dispuseram a ouvir a voz de Deus e desprezaram a compreensão de Seus propósitos, os quais dariam sentido ao propósito divino de tê-los chamado e libertado do Egito (“do mundo”). Sem essa compreensão, a incredulidade foi tomando conta de suas mentes e, facilmente, tornaram-se presas fáceis às armadilhas do “inimigo” de suas almas.
Eles viram muito, mas não compreenderam nada acerca do propósito divino ao Seu povo sobre a Terra. Não é esse também o problema de muitos cristãos atuais?
Diante da constatação de que os hebreus, mesmo testemunhando os milagres de Deus no deserto, não atentaram para a Sua voz e propósitos. Então, como Igreja ou povo de Deus, após termos sido libertados de “um sistema mundano”, como podemos evitar cair no mesmo erro em nossa jornada de fé, e qual o papel da compreensão da chamada e dos propósitos divinos em nossa vida?
2. Antes do milagre, que tipo de pessoas os hebreus demonstraram ser?
Em Refidim, Moisés está prestes a realizar um grande milagre. No entanto, antes desse acontecimento, os hebreus acusaram o seu líder de tê-los tirado do Egito para “morrerem no deserto”. A amargura e o ódio acentuados fizeram com que os hebreus intentassem pela morte de Moisés. Essa demonstração de ódio pelo seu líder (Moisés), consequentemente, era também dirigida (‘por tabela’) a Deus. ELES OS NOMINARAM COMO “ASSASSINOS” E CULPADOS PELA MORTE QUE VIRIA A TODOS!
A intenção de matar Moisés se deveu à falta de discernimento ou observação espiritual quanto à sua vida e ministério (de Moisés e seu serviço prestado a Deus). Como ainda veremos, Moisés foi uma prefigura de Cristo, cuja obra, cheia da Graça divina, foi mal compreendida e rejeitada. A consequência dessa ação é a morte espiritual, ou uma vida afastada de Deus, repleta de ódio e amargura.
De que forma a atitude dos hebreus em Refidim, ao questionarem e desejarem a morte de Moisés, assemelha-se à forma como muitos cristãos, nos dias de hoje, rejeitam ou ignoram a obra de Cristo? Mediante o seu conhecimento bíblico, quais são algumas das consequências dessa falta de discernimento e morte espiritual?
3. A amargura e o ódio provocam a cegueira ou a falta de discernimento espiritual
Ao lermos Êxodo 17:1-7, podemos observar dois grupos de pessoas com atitudes distintas:
• Pessoas amarguradas, incrédulas e cheias de ódio, que acusam injustamente Moisés e, consequentemente a Deus, de serem assassinos (versos 1-3).
• Moisés que, por sua vez, busca a Deus e a Sua ajuda, demonstrando sua disposição para se submeter à Sua autoridade (versos 4-7).
O que aquele povo deixou de observar sobre Moisés? Que ele (Moisés), pelo que fez, produziu frutos, tanto dentro como fora do Egito para revelar a realidade, a justiça e o caráter misericordioso de Deus. Suas ações comprovavam ser ele um líder divinamente escolhido, verdadeiro, preocupado com o povo e que agia sob a poderosa mão de Deus. Segundo Jesus, nós aprendemos que o homem de Deus é reconhecido pelo que “faz” e não apenas pelo que “crê”. (cf. Mt.7:16-20)
Diante da atitude do povo de Israel no deserto, questionando a liderança de Moisés e duvidando da provisão divina, como podemos aplicar o princípio de reconhecer os frutos de nossos líderes para discernir a sua legitimidade e a presença de Deus em nossas vidas, conforme ensinado por Jesus em Mateus 7:16-20?
4. Moisés prefigurava a Pessoa de Cristo, o nosso Messias, Libertador e Salvador
Sabemos que Jesus, o Messias, foi odiado e rejeitado pelos líderes da Sua época pelo fato de ser diferente deles. Jesus não buscou aceitação e popularidade, mas ensinou a verdade e trabalhou para propagá-la. Essa Sua atitude fez com que Ele fosse rejeitado por muitos e, até mesmo, pelos Seus (cf. Jo.1:11). Moisés (uma prefigura de Jesus, na Antiga Aliança), por parte dos seus patrícios, sofreu o mesmo ódio e rejeição que as pessoas deram e dão a Jesus.
A fé (confiança e confiabilidade) que Moisés demonstrou a Deus e aos Seus propósitos o caracterizou como um servo humilde e disposto a trabalhar para o Eterno. Segundo o que aprendemos de Tiago, a fé sem obras é morta (cf. Tg.2:14-20)! A crença em Deus, sem ações que a comprovem, é algo vão, vazio de conteúdo, ou seja, uma tolice (insensatez, sandice, imprudência, incredulidade, algo patético). Quanto a isso, observemos as palavras de Jesus:
Se não faço o que o meu Pai manda, não creiam em mim. Mas, se eu faço, e vocês não creem em mim, então creiam pelo menos nas coisas que faço [“avaliem Quem Eu Sou pelas obras que faço”]. E isso para que vocês fiquem sabendo de uma vez por todas que o Pai vive em mim e que eu vivo no Pai. (Jo.10:37,38 NTLH)
Em Cristo (o Messias), Deus nos buscou e recebemos o Seu chamado quando estávamos vivendo em um mundo que O odiava. Conforme o espírito que controlava esse mundo, nós agíamos de modo a contrariar o Seu amor e justiça (cf. Ef.2:1-3). Deus, pela Sua grande misericórdia (cf. Ef.2:4,5), ajudou-nos a sair de um ambiente mundano para que pertencêssemos somente a Ele, a fim de sermos o Seu povo, ou propriedade exclusiva Dele (cf. 1 Pe.2:9)
Quanto ao que estou dizendo, Jesus falou sobre a razão de o “mundo” odiá-Lo e, consequentemente, as pessoas que Ele chamou e ordenou para que saíssem do poder que as controlava – o “espírito mundano”. Jesus deixou claro que esse ódio, demonstrado tanto a Ele como aos Seus, deve-se ao fato de essas pessoas não conhecerem o Eterno (cf. Jo.15:18-21).
Os milagres de Deus realizados a nosso favor demonstram a misericórdia divina que, em outras oportunidades, revelam a vergonha da nossa “incredulidade” – a mãe para todos os nossos pecados. Sobre isso, Jesus falou sobre o ódio que o mundo expressa por Ele, mesmo diante de Seus muitos milagres ou sinais (cf. Jo.15:22-25). Dessa referência adicional, separo dois versos da fala de Jesus:
QUEM ME ODEIA, ODEIA TAMBÉM O MEU PAI. Se eu não tivesse feito entre elas essas coisas que nenhum outro fez, elas não teriam nenhum pecado. Mas agora viram o que eu fiz e continuam a odiar tanto a mim como o meu Pai. (Jo.15:23-25 NTLH – cf. Jo.15:18,19,21)
Quando agimos à semelhança de Deus, pela força que Cristo nos dá, receberemos de alguns a aprovação, mas, de muitos, o ódio. Por quê? Jesus afirmou: “[…] porque não conhecem aquele [o Deus Único] que me enviou” (cf. Jo.15:21).
Portanto, antes de um milagre…
A minha esperança é que tenhamos aprendido e compreendido que os milagres de Deus, feitos a nosso favor, são grandes bênçãos. Mas, antes deles, saibamos que nem sempre eles nos caracterizarão como pessoas que agradam a Deus, ou que estamos recebendo a Sua aprovação, mediante o estilo de vida que adotamos.
Em certos momentos, Deus expressa a Sua grande misericórdia por nós, realizando grandes milagres que nos apoiam e abrem nossos olhos, para que abandonemos a incredulidade, os maus hábitos e retornemos aos Seus cuidados, Instruções e propósitos por meio de um arrependimento honesto (cf. Mt.4:17; 11:20-24).
Reflitamos sobre a nossa própria vida e a forma como temos interpretado os milagres de Deus: de que forma os milagres realizados por Deus em favor do seu povo podem ser interpretados, não como prova de aprovação divina, mas como um chamado ao arrependimento e à mudança de vida, e como podemos aplicar essa compreensão em nossa própria jornada de fé?
Na próxima meditação, nós trataremos sobre essas verdades, sob a ajuda e sabedoria do Deus Único, se Ele nos permitir!
Que Deus nos abençoe!