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O caminho para o Sinai – Parte 6: Um memorial ao fracasso

 

Texto base:

Êxodo 17:6,7

Então deram àquele lugar os nomes de Massá e de Meribá, pois os israelitas reclamaram contra Moisés e puseram o SENHOR à prova, perguntando: —O SENHOR está com a gente ou não? (Êx.17:6,7 NTLH)

Na semana passada, aprendemos que Deus instruiu Moisés a ficar diante de uma rocha no monte Sinai e a golpeá-la, pois dela fluiria água para o povo (verso 6). Moisés cumpriu a ordem divina na presença dos líderes de Israel. O local recebeu os nomes Massá e Meribá devido à contenda e à murmuração dos hebreus contra Moisés e ao próprio Deus.

Você ainda se lembra do significado espiritual, ensinado aos hebreus no “deserto de Sim” (espinho e barro – sofrimento e molde) e em “Refidim” (lugar de descanso e apoio – confiança em Deus e nas Suas provisões)?

O caminho para um maior conhecimento de Deus é marcado por sofrimentos: internos (na alma), pela luta contra nossa própria natureza, e externos, pelas provações que testam nossa confiança e fidelidade ao Todo-Poderoso. Contudo, sob a mão divina, somos moldados para receber Sua verdade, encontrando o verdadeiro sentido da vida e servindo como um povo dedicado (santo) que, generosamente, beneficia muitos (cp. Mt.22:37-40; At.3:25).

Reflita: como distinguir o sofrimento que nos transforma daquele que nos destrói, e como podemos confiar naquele que nos leva ao propósito estabelecido por Jesus? Como podemos usar nossas provações para crescer espiritualmente, amarmos mais a Deus e abençoarmos outras pessoas, conforme as referências de Mateus e Atos dos Apóstolos?

Precisamos entender que somos constantemente moldados por Deus, a fim de que possamos descansar Nele e confiar em Suas provisões e em Seus planos para nós (cf. Sl.62:1,2; 116:7; Jr.29:11). Cada desafio superado celebra a nossa evolução como homens e mulheres de Deus, um memorial que expressa a vitória da nossa fé, honrando a obra transformadora da Graça de Deus em nós (cf. Sl.116:8-12).

Reflita: como Deus nos ajuda a crescer e mudar, e como podemos escolher confiar Nele e em Seus planos, mesmo quando enfrentamos desafios?

1. Massá e Meribá, um memorial ao fracasso da fé e à incompreensão da Graça divina

Qual é o significado de Massá e Meribá?

MASSÁ significa “desespero, tentação”. Os hebreus exigiram, de imediato, que Moisés ordenasse a Deus que lhes desse água para beber. Devido às necessidades iminentes, eles diminuíram a Pessoa de Deus e tentaram envergonhá-Lo, taxando Moisés e Deus como cruéis, traidores e assassinos. Eles trataram a Pessoa de Deus como um subserviente (escravo, empregado) e queriam que Se submetesse aos seus desejos momentâneos.
MERIBÁ significa “conflito, contenda, briga”. Os hebreus, naquele momento, tornaram-se adversários de Deus, murmurando, censurando e lutando contra Ele e Seu servo Moisés.

Reflita: o significado de Massá e Meribá traz algum impacto à minha vida, para que, em momentos de dificuldade e incerteza, eu não caia na mesma atitude dos israelitas, enfraquecendo minha fé e deixe de crer nas provisões divinas?

A declaração do povo a Moisés no final do verso 7 (“O SENHOR está com a gente ou não?”) não foi registrada por acaso, mas para indicar o quanto eles desonraram o Nome Santo do Deus Único. Essa declaração, por parte do povo, é uma expressão de zombaria, incredulidade e profundo desrespeito a Deus. Procuremos parafraseá-la desse modo: “E AÍ, MOISÉS? AQUELE QUE VOCÊ DIZ: “EU SEREI O QUE SOU, QUE EXISTE”, ESTÁ OU NÃO ESTÁ CONOSCO PARA NOS PROTEGER?” Essa declaração aconteceu mesmo depois de o povo de Deus ter vivenciado vários milagres.

Reflita: por que o questionamento sobre a presença de Deus, manifestado na pergunta “O SENHOR está com a gente ou não?”, revela falta de fé e desrespeito ao Seu nome? Se Deus nos dá liberdade para crer, por que duvidar que Ele está conosco mostra falta de fé? E quais outras dúvidas parecidas você já ouviu as pessoas declararem sobre Deus?

Mesmo todas as atitudes tomadas pelo povo hebreu contra Moisés e Deus não fizeram com que o SENHOR perdesse a paciência (cp. 1 Pe.3:9,15). Da rocha, Deus fez fluir “águas”, as quais saciaram a sede de todo o povo e de seus animais. Tristemente, àquele lugar, foi dado os nomes de “Massá e Meribá”, pelas razões já mencionadas.

Reflita: pense sobre a ingratidão humana, a paciência, a misericórdia e a Graça de Deus. Conforme as palavras do apóstolo Pedro, em 1 Pe.3:9,15, por que Deus é tão paciente com a humanidade rebelde? Segundo Pedro e outras passagens da Bíblia, você crê que a paciência divina tem limites?

De repente, da “rocha” (símbolo de Cristo), a água milagrosamente jorrou. Então, eu questiono: esse lugar não poderia ter sido chamado de “Graça Abundante”, como um testemunho da fidelidade de Deus e do Seu cuidado pelos Seus filhos? No entanto, a falta de compreensão dos sinais divinos levou à escolha de “Massá e Meribá”, um lembrete do fracasso, da infidelidade e das ofensas do povo a Deus.

Os hebreus deveriam “RECORDAR” que Deus, em Sua soberania, por promessa e propósitos feitos a Abraão, determinou que abençoaria outros povos por meio de Seu povo (cf. Gn.12:1-3; Mt.28:19,20), e, por isso, os israelitas não deveriam se sentir abandonados, pois Deus é Fiel a Si e não abandona os Seus (cf. Nm.23:19,20; 1 Sm.15:29; Rm.3:3; 2 Tm.2:13). Além disso, eles deveriam “APRENDER” que Deus está sempre presente, cumpre Seus propósitos, é paciente, misericordioso, dá provisões, cuida de Seu povo e que Ele, o Justo, Bondoso e Santíssimo, deve ser respeitado.

Reflita: o texto faz uso de dois verbos: “recordar” e “aprender”. Qual a importância desses verbos, naquele momento, para que o povo de Deus não se enfraquecesse na confiança e na fidelidade ao Eterno? Qual a importância que você tem dado a esses verbos nas várias circunstâncias de sua vida?

2. Os milagres divinos demonstram tanto o Seu poder quanto Suas instruções para a vida

Os milagres são mais do que intervenções divinas: são ferramentas de ensinamento que abençoam, orientam e educam o Seu povo.

Muitos interpretam os milagres divinos apenas como uma forma de se livrarem de problemas e dificuldades. No entanto, é fundamental compreender que os milagres possuem um caráter pedagógico ou educacional. Por essa razão, são biblicamente chamados de “sinais” divinos. Mas o que é um sinal e para o que ele serve?

Um “sinal” é uma forma de expressão, um gesto ou qualquer outra manifestação para avisar, advertir, lembrar, provar, mostrar ou estimular o raciocínio para deduzir algo e realizar uma ação, assim como as placas de trânsito.

REFLITA: se os milagres não são apenas para resolver nossos problemas imediatos, então, quais outros propósitos eles expressam às nossas vidas? Você crê que os milagres podem nos ajudar a compreender a natureza de Deus, Seu cuidado e o Seu plano para nós? Eles podem nos ensinar sobre fé, confiança, obediência e outros princípios importantes? Quando testemunhamos sobre um milagre ou bênção que recebemos de Deus, não seria importante declararmos o que, humildemente, aprendemos de Deus e de nós mesmos em relação ao nosso compromisso com Ele, neste mundo?

Os milagres divinos transcendem as demonstrações do poder de Deus. Eles nos oferecem lições importantes sobre o Seu cuidado e transmitem mensagens que precisamos compreender. Por meio das palavras de Jesus, entenderemos melhor sobre essa verdade.

3. Procuremos compreender os propósitos divinos por trás de Seus milagres

Sentimo-nos felizes ao receber as bênçãos de Deus. No entanto, ao recebê-las, devemos procurar compreender o propósito divino por trás delas, pois essa compreensão nos tornará pessoas agradáveis a Ele.

Sempre que recebermos uma bênção ou um milagre de Deus, que procuremos questionar o motivo pelo qual Ele nos abençoa. Sempre que puder, reflita sobre as seguintes questões:

• Há um ensinamento sobre o caráter e objetivos divinos?
• É uma recompensa à nossa confiança e fidelidade a Ele?
• Há uma advertência, relembrando verdades ausentes em nossas vidas?
• Revela o tipo de pessoas que deveríamos ser acerca do nosso compromisso com Deus?
• Aprova o nosso comportamento ou nos conduz a um arrependimento sincero?

Considerando esses questionamentos, observemos as seguintes palavras de Jesus:

3.1. Os milagres de Deus e a necessidade de mudarmos nosso estilo e propósitos de vida

Então JESUS COMEÇOU A ACUSAR [repreender, reprovar] as cidades onde tinha feito muitos milagres. Ele fez isso porque os seus moradores NÃO HAVIAM SE ARREPENDIDO DOS SEUS PECADOS. Jesus disse: —Ai de você, cidade de Corazim! Ai de você, cidade de Betsaida! Porque, se os milagres que foram feitos em vocês tivessem sido feitos nas cidades de Tiro e de Sidom, os seus moradores JÁ TERIAM ABANDONADO OS SEUS PECADOS HÁ MUITO TEMPO. E, para mostrarem que ESTAVAM ARREPENDIDOS, teriam vestido roupa feita de pano grosseiro e teriam jogado cinzas na cabeça! (Mt.11:20,21 NTLH)

O lamento de Jesus no verso 20 revela o quanto aquele povo havia se afastado de Deus, de Seus propósitos e princípios eternos. Eles estavam escolhendo outro caminho em vez do que conduz à Eternidade! Portanto, eles deveriam se arrepender, ou seja, mudar a maneira de pensar e de se comportar.

Então, no verso 21, Jesus fala sobre as razões de eles precisarem se arrepender: que buscassem um comportamento humilde diante de Deus, observando Seus ensinamentos para a vida e que fossem dedicados a Ele. Portanto, o sentido espiritual desses dois versos (Mt.11:20,21) é que eles permitissem que Deus se tornasse o Seu Rei, SENHOR e o Dirigente de suas vidas, a fim de que, sob a Sua mão poderosa, fossem abençoados.

Portanto, os milagres (ou sinais) divinos também revelam aspectos de nossas vidas acerca do nosso relacionamento com Deus e sobre as decisões que tomamos ou pretendemos tomar. Os milagres divinos podem significar a aprovação ou advertência divina quanto às nossas escolhas.

Reflita: qual foi a razão de Jesus ter se entristecido com as cidades de Corazim e Betsaida, apesar de nelas ter realizado muitos milagres? Considerando a soberania de Deus em suas promessas e provisões, e a liberdade humana de responder ou não a essas manifestações, como a falha do povo de Deus em “recordar” e “aprender” revela a importância da fé ativa e da responsabilidade humana em cooperar com a graça divina?

3.2. Os milagres de Deus e a nossa determinação de mantermos a nossa conexão com Cristo

Após ter realizado o milagre dos pães e dos peixes, alimentando milhares de pessoas, Jesus foi abandonado por elas. Isso ocorreu devido à Sua declaração de ser Ele mesmo o “Pão da vida”, “Aquele” dá e sustenta o verdadeiro sentido da vida. Diante dessa afirmação, muitos dos que se saciaram com pães e peixes O abandonaram. Então, Jesus disse:

EU AFIRMO A VOCÊS QUE ISTO É VERDADE: vocês estão me procurando porque comeram os pães e ficaram satisfeitos E NÃO PORQUE ENTENDERAM OS MEUS MILAGRES. (Jo.6:26 NTLH)

Jesus ensina que aquelas pessoas se concentraram no benefício imediato (a comida) e ignoraram a mensagem mais profunda e o relacionamento com Deus que o milagre pretendia transmitir. Elas valorizaram mais o milagre em si do que o significado espiritual e a conexão com Deus, o que as levou a se afastarem de Jesus.

Entendamos que a incompreensão das bênçãos de Deus resulta em desrespeito e no afastamento das Suas Leis. Milagres ou bênçãos divinas, como atos da Sua misericórdia, oferecem o discernimento entre o certo e o errado, demandando ou exigindo de nós decisões conscientes.

Reflita: já que Deus nos dá a liberdade de escolher, por que as pessoas preferiram o presente imediato do milagre em vez de se aproximarem de Deus? E como essa escolha nos mostra que precisamos sempre decidir, conscientemente, seguir a Deus e obedecer às Suas leis, ou disciplinas de conduta espiritual e moral?

3.3. Os milagres de Deus e a conexão de nossa alma com o Seu Reino

Certa vez, fazendo uso das palavras do profeta Isaías (cf. Is.6:1-9), quando, milagrosamente, o profeta viu o trono e o esplendor da glória divina, Jesus disse:

“É por isso que eu uso parábolas (comparações) para falar com essas pessoas. Porque elas OLHAM E NÃO ENXERGAM [não desejam enxergar o que está por trás]; ESCUTAM E NÃO OUVEM [não desejam guardar o que ouvem], NEM ENTENDEM [não se esforçam para compreender].” (Mt.13:13 NTLH)

Essa fala de Jesus é uma crítica àqueles que dizem acreditar em Deus, mas priorizam o mundo material, seus interesses e crenças próprias, recusando-se a confiar suas vidas a Ele. Essa desconexão e rebeldia a Deus, originadas por uma interpretação equivocada da misericórdia divina e de Seu trabalho em nossas almas, levam ao orgulho, desobediência e ira, assim como demonstrado pelos hebreus no deserto.

A mensagem divina, por trás dessas palavras de Jesus, mostram que existe uma separação entre o Reino de Deus e o mundo. Então, cabe a nós escolhermos de qual lado vamos ficar (cf. Mt.4:8-10).

Reflita: já que Deus nos dá liberdade para escolher, por que algumas pessoas preferem as coisas terrenas ou mundanas à submissão humilde a Deus? Como essa escolha mostra que precisamos sempre decidir se queremos mesmo seguir a Deus? O que acontece se entendermos errado sobre a bondade ou a Graça de Deus?

Em algum momento, Deus, milagrosamente, falará à nossa alma sobre a nossa necessidade de confiarmos Nele. Ele deseja que desconectemos nossa alma dos pensamentos, ideias, tendências e desejos da lógica mundana. Eu afirmo que esse é o maior milagre que podemos experimentar, pois Ele nos faz sair da morte para ingressarmos na verdadeira vida. Essa vida fluirá para dentro de cada um de nós, tanto nesta vida quanto na Eternidade.

Concluindo:

As ações poderosas de Deus, quando compreendidas espiritualmente (pela lógica divina), transformam-nos completamente, abençoando-nos seja pela Sua aprovação misericordiosa, seja pelo Seu chamado a corrigirmos nossos passos. Desse modo, em vez de erigirmos um memorial ao fracasso, edificaremos um monumento à vitória de Deus sobre nossos inimigos – a incredulidade e a dureza de nossa alma, Satanás e o mundo.

A minha esperança é que tenhamos dentro de nós a declaração de Davi sobre o Deus Único:

 O teu amor é melhor do que a própria vida, e por isso eu te louvarei. (Sl.63:3 NTLH)

Que Deus nos abençoe!

 

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