(Crônica elaborada por Walter de Lima Filho)
Como filhos de Deus, a nossa força e paciência deve existir pelo modo divino e não pelo “jeitinho brasileiro”. Por que eu estou afirmando isso?
O brasileiro é conhecido no mundo inteiro por sua resiliência. A gente sempre dá um “jeitinho”, sorri mesmo na dificuldade e parece que temos a capacidade infinita de aguentar os trancos da vida. Mas, se olharmos de perto para a nossa saúde emocional, a verdade é outra: estamos exaustos! Vivemos na cultura da pressa, do áudio em velocidade acelerada e da busca por alívios rápidos. Quando os problemas apertam, a nossa tendência natural é explodir em impaciência ou nos isolar cheios de amargura e desânimo.
É exatamente nesse ponto que a carta do apóstolo Paulo aos Colossenses se conecta com a nossa alma. Escrita direto de uma prisão em Roma, entre os anos 60 e 62 d.C., Paulo não estava enviando um manual de regras rígidas ou uma fórmula mágica de autoajuda. Ele estava respondendo a uma igreja que, assim como nós, corria o risco de se perder em misticismos e rituais vazios para tentar achar paz. Paulo vai direto ao coração do problema: o segredo da estabilidade emocional e espiritual não está no esforço do nosso próprio braço, mas na nossa união viva com Jesus. É Nele e na Sua Graça que somos fortalecidos e aprendemos como ser pacientes em tudo.
A nossa resposta voluntária à graça de Deus é de suma importância, pois entendemos que o SENHOR não nos força a sermos pacientes, mas nos oferece os recursos que necessitamos através da Sua Palavra e do Seu Espírito e nós escolhemos nos render a Ele. Paulo orava para que aqueles cristãos fossem cheios do conhecimento da vontade divina, andassem de modo digno e, finalmente, fossem “fortalecidos com toda a força que vem do glorioso poder de Deus”.
O objetivo dessa força não é nos dar superpoderes para fugir dos problemas, mas algo muito mais profundo: nos capacitar a suportar tudo com paciência e bom ânimo, a fim de sermos abençoados, maduros, aprovados por Deus para as bênçãos eternas e abençoarmos outras pessoas.
No dia a dia do brasileiro, a falta dessa força do Alto se manifesta de forma dolorosa. Quando escolhemos andar de forma independente, colhemos frutos amargos na nossa saúde mental e nos nossos relacionamentos. Ficamos de pavio curto no trânsito, trazemos brigas para dentro de casa e desenvolvemos uma espiritualidade fria, onde a oração vira apenas um momento para reclamações e murmurações. Deixamos de agir como cidadãos da eternidade e passamos a agir como cidadãos apenas desse mundo, ou seja, pelo desespero do momento.
Se sondarmos os desejos mais profundos do nosso coração, descobriremos que a raiz da nossa impaciência crônica é a nossa teimosia, em querer controlar o futuro e a nossa busca mimada por conforto imediato. Queremos que a nossa vontade seja feita na nossa hora. Mas, a psicologia de Jesus nos mostra que a maturidade emocional e a paz de espírito nascem justamente quando abrimos mão desse controle e confiamos que Deus está no comando, permitindo certas provações para moldar o nosso caráter, como bem nos lembra o livro de Tiago.
O chamado que recebemos de Cristo é para que nós tomemos uma decisão pessoal ao arrependimento prático, que cura a alma e transforma as nossas atitudes em três áreas essenciais:
Nos pensamentos: Trocar o esgotamento do “não aguento mais” ou do “isso não é justo” pela certeza de que Deus nos dará a força necessária para superar o momento presente.
Nos desejos: Parar de buscar atalhos e alívios rápidos a qualquer custo, desejando, em vez disso, que a vontade de Deus se cumpra, nos faça amadurecer e que conheçamos o Eterno cada vez mais.
Nas ações: Substituir as explosões de ira e o isolamento amargurado por uma postura de rendição ou sujeição a Deus, expressa em orações sinceras com muita gratidão.
Copiar o modelo paciente, perseverante e submisso de Jesus é aprender a dizer no nosso Getsêmani diário: “Se queres, afasta de mim este sofrimento, mas que não seja feito o que eu quero, e sim o que Tu queres”. É nessa entrega voluntária que a nossa alma encontra a verdadeira estabilidade e a capacidade para afirmar: “Com a força que Cristo me dá, posso enfrentar qualquer situação”.
Assim como Deus tem sido paciente conosco, cresçamos Nele de modo paciente e, seguindo esse modelo, sejamos pacientes e misericordiosos para com o nosso próximo.
Espero que essa crônica seja uma bênção à sua vida e que você encontre em Jesus toda a força necessária para que tenha uma semana abençoada. Seja uma bênção para Deus e às outras pessoas.
Seu amigo e irmão em Cristo, Walter.