(Crônica elaborada por Walter de Lima Filho)
Olhar para o Brasil de hoje é, muitas vezes, testemunhar uma imensa crise de isolamento, fantasiado de autonomia. Queremos ser fortes sozinhos, vencer sozinhos e, quando caímos, preferimos nos esconder no quarto escuro do orgulho, a admitir que precisamos de um abraço e de correção. Criou-se uma cultura em que o topo da montanha da vida é um lugar para tirar uma foto sozinho. Mas a verdade nua e crua — o mínimo que precisamos entender para não agirmos de forma tola diante da realidade — é que fomos feitos para caminhar em grupo, e nossa liberdade só ganha sentido quando se torna serviço.
Nas esquinas do nosso país, a mentalidade que impera é a do “cada um por si”. Há quem pregue que basta ter um pensamento positivo, decretar a vitória diante do espelho ou seguir receitas prontas de autoajuda, para que todas as crises desapareçam. Essa ilusão de que somos deuses da nossa própria história nos afasta do chão da realidade. O coração humano é frágil, e a cultura brasileira, calorosa por natureza, tem adoecido justamente por trocar a mesa da comunhão real pelo altar do individualismo virtual. Pensamos que somos autossuficientes ou independentes, até que o vento forte da vida sopre e a nossa estrutura começa a balançar.
Jesus, na véspera de Sua entrega, deixou claro para Simão Pedro que ninguém está imune às sacudidas da existência. O teste da peneira é inevitável. O erro de Pedro não foi ser testado, mas confiar demais na própria capacidade moral, achando que sua força humana bastaria. É aí que o pensamento tolo naufraga. Deus respeita a nossa liberdade e o nosso arbítrio, contudo Ele não nos move como peças de xadrez em um tabuleiro pré-determinado, mas nos desperta com Sua graça, oferecendo o sustento necessário. A decisão de segurar a mão estendida de Deus e caminhar na luz, contudo, exige a nossa resposta humilde e voluntária.
Quando caímos e, pela bondade divina, conseguimos nos levantar e retornar ao caminho certo, essa restauração não é um troféu para o nosso ego. O perdão que recebemos de Deus, gera uma responsabilidade com o outro. Na nossa cultura, infelizmente, costumamos apontar o dedo para quem escorrega, esquecendo que o ferro só afia o ferro, quando há proximidade e atrito saudável.
A vida cristã não acontece no isolamento. Como alpinistas amarrados pela mesma corda de segurança nas encostas íngremes da vida, se um irmão escorrega na fé, o peso deve ser sustentado por aqueles que estão firmes. A nossa perseverança diária depende de estarmos inseridos nessa família espiritual ativa – a Igreja, o Corpo de Cristo ativo sobre a Terra. Descobrir que fomos fortalecidos unicamente para fortalecer quem está ao nosso lado é o passo definitivo para deixar a tolice de lado e começar a viver a verdadeira sabedoria que vem do Alto.
O que você aprendeu dessa crônica? Qual a sua decisão pessoal acerca do que aprendeu? Quando colocará em prática o que aprendeu?
Eu desejo a você e aos seus uma semana abençoada sob o poder e a Graça do nosso Bom, Eterno e Único Deus.
Seu amigo e irmão em Cristo, Walter.