Texto-base: Deuteronômio 30:9,10
📖 9 Então Deus os abençoará em tudo o que fizerem e lhes dará muitos filhos, muitos animais e boas colheitas. Deus novamente terá prazer em fazê-los prosperar, como fez com os seus antepassados. 10 Isso ele fará se vocês obedecerem ao SENHOR, nosso Deus, se cumprirem todas as suas leis e todos os seus mandamentos que estão escritos neste Livro da Lei de Deus e se voltarem com todo o coração e com toda a alma para o SENHOR, nosso Deus. (Dt.30:9,10 NTLH)
Introdução:
Nesse texto, Moisés nos mostra a beleza e a essência do coração de Deus: um Pai que não apenas nos ama, mas que tem prazer, alegria e um entusiasmo incansável em nos fazer o bem – de nos abençoar.
A fim de que escapemos do caminho da autodestruição, precisamos refletir sobre a nossa confiança no amor de Deus, a aprender descansar no Seu caráter e compreender que a Sua misericórdia não é uma ação hesitante ou indecisa, mas ela é como um rio caudaloso, contínuo e voluntário. Deus tem prazer em nos abençoar.
Em Deuteronômio 30, Deus antecipa que o Seu povo iria falhar e sofrer as consequências, mas promete que, se houver um arrependimento sincero “no exílio”, o caminho de volta aos Seus braços estaria aberto. Isso não se assemelha ao que compartilhei com vocês no domingo passado sobre Pedro e os demais discípulos? (cf. Lc.22:31,32)
Reflita. [1] O que nós precisamos fazer para que o SENHOR tenha prazer em nos abençoar e nos fazer prosperar? [2] Moisés mostra que Deus se alegra em nos fazer o bem, mas nós vimos que o povo ainda assim falharia. Como você enxerga a paciência e o amor de Deus quando nós falhamos, sabendo que Ele sempre deixa o caminho de volta aberto para nós? [3] Pensando no que aconteceu com Pedro e na promessa de Deuteronômio, qual conclusão podemos tirar sobre a nossa decisão de voltar para Deus de todo o coração quando nos desviamos do caminho?
1. Deus nos persegue com amor
Deus é “Perseguidor”. Ele não desiste facilmente dos Seus e, por isso, precisamos rejeitar a ideia de que Deus nos abençoa com relutância ou com hesitação e de que Ele fica em silêncio, esperando que falhemos, para depois nos punir.
Davi disse: 📖 Certamente a tua bondade e o teu amor ficarão comigo (lit. “me perseguirão, ou me caçarão”) enquanto eu viver. (Sl.23:6ª NTLH)
Por meio de suas palavras, Davi nos revela que Deus não está sentado nos esperando, mas que está correndo atrás de nós. Ele nos persegue para nos fazer o bem. Deus sente grande prazer em nos buscar para ensinar e fortalecer nossa alma, a fim de que habitemos com Ele todos os dias de nossa vida (cf. Sl.23:6b).
Reflita. [1] De acordo com o texto, o que Davi diz que vai nos “perseguir” ou “caçar” durante todos os dias da nossa vida? [2] Sabendo que Deus não está longe, sentado e esperando a gente errar para nos castigar, como você se sente ao perceber que Ele, na verdade, está correndo atrás de nós para nos fazer o bem? [3] Se Deus sente esse prazer enorme em nos buscar para ensinar e fortalecer a nossa alma, qual escolha nós precisamos fazer hoje para vivermos bem pertinho Dele todos os dias?
2. Em vez de irritação, Deus nos oferece misericórdia e justiça
Quando Deus Se revelou a Moisés no Monte Sinai, o Eterno fez questão de revelar a ele o Seu caráter:
📖 Então Deus passou diante de Moisés e disse em voz alta: [A] —Eu sou o SENHOR, o Deus Eterno! [B] Eu tenho compaixão e misericórdia, não fico irado com facilidade, e [C] a minha fidelidade (credibilidade, firmeza, verdade) e o meu amor (misericórdia) são tão grandes (abundantes), que não podem ser medidos. (Êx.34:6 NTLH)
Ele disse que não fica irado com facilidade e que Sua fidelidade e o Seu amor são impossíveis de serem medidos. Isso não significa que Deus não se ira, mas que Ele não é irritável – não perde a paciência de uma hora para outra. A ira de Deus tem uma trava rígida (vd. Gn.6:3; Rm.2:4,5) e a sua bondade é extremamente sensível, pois ela se derrama ao verdadeiro sinal de arrependimento (vd. 2 Cr.7:14; Jn.3; Lc.15:20-24).
Diferentemente de nós, Deus não vive com os nervos à flor da pele, irritando-se com qualquer coisa. A irritabilidade constante não é apenas uma “condição psicológica” ou um “traço de personalidade herdado”. Na verdade, a irritabilidade é uma manifestação do pecado no coração (vd. Tg.1:19,20; Gl.5:19-21).
Esse comportamento humano — inclusive a nossa ira e irritação — brota daquilo que governa o nosso interior. Se alguém vive irritado, é porque essa pessoa está reagindo de forma egoísta quando suas vontades, planos ou expectativas não são atendidos. Esse tipo de pessoa se irrita porque o mundo não está girando do jeito que ela quer. É um problema de soberba e falta de submissão à soberania e à Palavra de Deus (vd. Tg.4:1-3; Pv.13:10).
Reflita. [1] Quais são as qualidades que o próprio Deus revela sobre o Seu caráter quando passa diante de Moisés? [2] O texto nos mostra que, ao contrário de nós, Deus não tem os nervos à flor da pele e não perde a paciência de uma hora para outra. Como essa paciência controlada de Deus nos ajuda a entender o tamanho do Seu amor por nós, mesmo quando falhamos? [3] Sabendo que a nossa irritação constante e o nosso mau humor geralmente nascem do egoísmo e do orgulho quando as coisas não saem do nosso jeito, qual atitude nós precisamos tomar hoje para permitir que o Espírito Santo mude o nosso coração?
Por que vivemos nessa condição de irritabilidade?
- Padrões de hábitos pecaminosos: a pessoa treinou o seu coração, ao longo do tempo, a responder aos problemas com ira. Virou um vício de comportamento. O que Deus espera de nós é a confissão e o arrependimento.
- Foco no “eu”: há uma exigência interna de que os outros e as circunstâncias sirvam aos seus desejos. Quando algo dá errado, a resposta imediata é o estopim curto. O que Deus espera de nós é a nossa submissão à Sua soberania.
- Falta de domínio próprio: a pessoa transfere a culpa para os outros (“você me deixa assim”) em vez de assumir a responsabilidade diante de Deus pelas suas próprias reações. O que Deus espera de nós é a substituição de hábitos – despir-se de si mesmo e se revestir de Cristo.
Reflita. [1] Quais são as três causas apontadas no texto, que explicam a razão de vivermos nessa condição de irritabilidade constante? [2] O texto mostra que a irritação constante acontece quando focamos no nosso “eu” e exigimos que o mundo gire do nosso jeito. Como você avalia as suas reações quando os seus planos dão errado, ou quando as pessoas não fazem o que você espera? [3] Sabendo que Deus espera que paremos de culpar os outros e assumamos a responsabilidade pelas nossas reações, qual passo prático nós podemos dar para nos despir do egoísmo e nos revestir do caráter de Cristo?
O profeta Jeremias nos lembra de que o ser humano gosta de se orgulhar da sua força, sabedoria ou riqueza em vez de procurar conhecer e entender a Deus. Jeremias disse:
📖 Se alguém quiser se orgulhar, que se orgulhe de me conhecer e de me entender; porque eu, o SENHOR, sou Deus de amor e faço o que é justo e direito no mundo. Estas são as coisas que me agradam. Eu, o SENHOR, estou falando. (Jr.9:24 NTLH)
Fazer o bem (o que é útil para o Seu Reino e ao próximo), agir com justiça (para implantar a retidão, a honestidade e a fidelidade) e derramar amor (bondade, misericórdia) é o que faz o “coração” de Deus se alegrar. Deus liga muito mais para o amor, a compaixão e o cuidado com as pessoas do que para rituais religiosos vazios, que só servem de fachada e que não trazem mudança interior (vd. Mq.6:7,8; Mt.22:37-40).
Reflita. [1] De acordo com o texto de Jeremias, qual é a única coisa da qual o ser humano pode se orgulhar legitimamente? [2] O texto mostra que Deus se agrada quando praticamos o amor, a justiça e a bondade, rejeitando rituais religiosos vazios. Como você avalia a sua caminhada com Ele: você tem buscado mais uma mudança real no coração ou tem focado apenas em aparências religiosas? [3] Sabendo que conhecer a Deus de verdade nos leva a fazer o que agrada o coração Dele, qual atitude prática nós podemos tomar hoje para demonstrar mais amor, justiça e cuidado com o nosso próximo?
Concluindo:
Nós, seres humanos, somos oscilantes. Somos como pequenos gêiseres. Acumulamos pressão, explodimos de entusiasmo em um dia, jorramos água fervente e, logo depois, ficamos secos, cansados e precisamos dormir para recarregar. Nossas emoções sobem e descem.
Deus não é um gêiser, que depende de “pressão”. Ele é como as Cataratas do Iguaçu. Se você olhar para aquele volume monumental de bilhões de litros de água despencando a cada minuto, você pensa: “Uma hora isso vai acabar”. Mas não acaba. Passam os anos, passam as estações, e a força continua lá, imutável, e até aumenta!
Reflita. [1] De acordo com o texto, com o que nós somos comparados e o que acontece quando nós acumulamos pressão e explodimos? [2] O texto mostra que, enquanto as nossas emoções sobem e descem como um gêiser, Deus é constante e imutável como as Cataratas do Iguaçu. Como essa estabilidade de Deus lhe traz segurança nos dias em que você se sente seco e cansado? [3] Sabendo que a força e o amor de Deus nunca acabam e não dependem do nosso estado emocional, qual conclusão podemos tirar sobre a nossa necessidade de buscar a presença Dele todos os dias para recarregar as nossas forças?
O entusiasmo de Deus em nos amar é infinito, mas também enérgico, pois Ele espera que andemos sob a Sua vontade e Seus objetivos. Entretanto, Ele não acorda de mau humor. A Sua abundante Graça sobre nossas vidas não depende das nossas oscilações, mas da fonte inesgotável que Ele mesmo é. Deus não nos “persegue” somente quando erramos, mas em todos os momentos.
Essa perseguição divina não é para nos punir, vigiar ou apontar o dedo com irritação, mas para restaurar a nossa saúde interior, organizar os nossos pensamentos e nos dar o verdadeiro descanso.
Reflita. [1] Qual é o verdadeiro objetivo de Deus ao nos “perseguir” em todos os momentos da nossa vida? [2] O texto mostra que a graça de Deus não depende das nossas oscilações, mas sim da fonte inesgotável que Ele mesmo é. Como essa certeza acalma o seu coração nos dias em que você se sente instável ou fraco? [3] Sabendo que Deus espera que andemos de acordo com a Sua vontade e que Ele deseja organizar os nossos pensamentos, qual decisão prática nós precisamos tomar para desfrutar desse verdadeiro descanso que Ele nos oferece?
Que Deus nos abençoe!
MEDITE AO LONGO DA SUA SEMANA
Segunda-feira – Sl.23:6 – O amor que corre atrás
- Davi entendeu que a bondade e a misericórdia de Deus não ficam estáticas, esperando a gente acertar. Elas nos perseguem ativamente todos os dias, com o desejo de nos acolher e nos fazer o bem.
- Plano de Ação: Descanse no amor implacável de Deus e pare de achar que Ele está esperando você falhar.
Terça-feira – Êx.34:6 – O Deus de pavio longo
- Ao contrário de nós, que vivemos com os nervos à flor da pele, o Senhor revelou a Moisés que é tardio em irar-se. A sua bondade é extremamente sensível, e a sua ira tem uma trava rígida.
- Plano de Ação: Agradeça a Deus hoje pela paciência infinita que Ele demonstra com os seus erros.
Quarta-feira – Dt.30:10 – O caminho de volta
- Explicação: Deus sempre antecipa as nossas fraquezas, mas deixa a porta aberta. A prosperidade espiritual e o prazer de Deus se manifestam quando decidimos, voluntariamente, voltar todo o nosso coração para Ele.
- Plano de Ação: Entregue suas decisões ao Senhor hoje e obedeça à Sua Palavra com alegria.
Quinta-feira – Ef.4:31 – Desarmando o estopim curto
- A irritabilidade humana é um sinal de que o nosso ego está querendo mandar em tudo. Vencer o mau humor exige confessar esse egoísmo e nos revestir do caráter manso de Cristo.
- Plano de Ação: Abandone a irritação diária e reaja com mansidão quando as coisas não saírem do seu jeito.
Sexta-feira – Jr.9:24 – O maior orgulho da vida
- O ser humano adora se gabar de suas próprias capacidades. Mas o profeta Jeremias nos lembra de que a única coisa que realmente importa é conhecer e entender o coração de Deus, que ama a justiça e a retidão.
- Plano de Ação: Busque conhecer mais a Deus hoje por meio da leitura e da oração em vez de focar no seu próprio brilho.
Sábado – Lm.3:22-23 – A catarata da Graça
- Nós somos instáveis e oscilamos como pequenos gêiseres, mas o amor de Deus é como uma imensa catarata: inabalável, constante e renovado a cada amanhecer. A nossa segurança vem de quem Ele é.
- Plano de Ação: Confie na fidelidade de Deus e não baseie a sua fé nas suas oscilações emocionais.
Domingo – Lc.22:32 – Restaurados para fortalecer
- Jesus sabe que vamos passar por provações e até falhar, assim como aconteceu com Pedro. Mas o Seu desejo é nos resgatar e nos firmar para que possamos ajudar e encorajar os nossos irmãos.
- Plano de Ação: Acolha um irmão na fé esta semana e compartilhe com ele o amor que você recebeu.